Spotify e as oportunidades

Ainda não entendi, não pesquisei, e não imagino como o Spotify possa conseguir manter por R$ 14,90 por mês, ou então de graça, um aplicativo que permite você ouvir quantas músicas quiser e onde quiser e ainda por cima cumprir com seus direitos legais.

A verdade, a dura verdade, é que a tecnologia vem mudando o mundo muito rápido, e a aceitação da nova forma de se realizar algo comercial vem gerando batalhas, por vezes violentas (vide o caso do Uber por todo o mundo). Em outros casos as batalhas se dão no campo jurídico, como o que vem acontecendo com o Spotify.

A banda de rock norte-americana, Camper Van Beethoven, que tem até um som legalzinho, e o líder do Cracker (também dos EUA), estão processando o Spotify. O “gigante do streaming” na atualidade, já entrou com uma ação contrária para impedir o processo de seguir adiante. E o mais interessante dessa história toda, é o valor total das ações contra o serviço de música digital, que beira a casa dos $150 milhões de dólares.

Talvez seja uma oportunidade para os dois grupos: ou de ganhar uma grana, ou de ganhar fama. Falo isso com base nas páginas oficias deles no facebook. O Camper Van Beethoven tinha 19.178 curtidas até às 23h (horário oficial do Brasil) do dia 16 de fevereiro de 2016, e o Cracker, tinha 36.526!

Pagína oficial do Camper Van Beethoven
Página oficial do Cracker

Não sabemos, ou pelo menos eu ainda não sei (desculpe a ignorância) como funciona o trabalho do Spotify em relação ao pagamento por direito autoral, e também não sei, e talvez não possamos saber até que ponto os artistas podem realmente sair prejudicados. Mas a verdade é que a tecnologia está aí. O Spotify se mantém também com propagandas (além dos R$ 14,90 por mês — sim eu sabia disso lá no começo do texto), e muitas dessas propagandas são de artistas grandes, que vêem no serviço uma vitrine de divulgação do seu trabalho e uma forma de aumentar seus ganhos.

Mas tem artistas que buscam ser vistos de outra maneira, através da justiça. Talvez isso acabe sendo prejudicial de várias formas. Para aqueles que realmente já se beneficiam do serviço de streaming pela qualidade do trabalho ou pelo marketing bem feito. E para aqueles que podem ter um acesso mais amplo e justo aos artistas que gostam ou venham a gostar.

A discussão e a aceitação da tecnologia é um assunto que ainda vai render muita dor de cabeça e vai ter muitas reviravoltas. Mas é preciso lembrar, principalmente no campo da música, que o ataque do Metallica contra o Napster foi em vão. Foi até prejudicial.

Enquanto isso, pra quem gosta de música, e quer pagar por ela, nem que seja menos de quinze reais por mês, nos resta torcer para que esses processos sirvam somente para uma regularização do serviço, sem prejudicar o trabalho e os ouvidos de ninguém.

Nota: Você também pode acompanhar meus textos no https://medium.com/pop-indie