#TBT e o meu pretérito mais que IMperfeito

E muito mais do subjuntivo do que do indicativo

arte pessoal

Quinta-feira é o dia da saudade na internet. Mas aquela saudade gostosa, aquele reencontro com momentos felizes, uma nostalgia glamourosa e nada niilista. Talvez por isso que eu tenha tanta dificuldade de postar TBTs. Apesar de eu estar começando a sair do meu momento niilista e entrando em contato com positividades, eu ainda me sinto perdida no submundo dos TBTs.

Depois que o feminismo entrou com força na minha vida, ficou cada vez mais difícil achar uma memória limpa. Sabe aquela lembrança realmente feliz ou mesmo em paz? Pois é, meu arquivo quase não tem isso. Isso porque eu contextualizo minhas fotos. Elas não são apenas um clique naquele pequenino instante. Perguntas como: Quem eu era quando aquela foto foi tirada? Quais tipos de relações humanas eu estava tendo? Eram saudáveis? Eu estava trabalhando com o que eu gostava? Eu estava feliz?
Todas essas perguntas sujam as fotos, porque eu hoje ainda não consigo me conectar com positividades, então eu vejo as minhas fotos pelo filtro niilista. E fico pensando que se eu conseguisse separar melhor as coisas, sem tentar purificar incômodos, eu conseguiria ter mais imagens na minha pasta de TBTs.

Por exemplo, em 2016 eu namorei um cara que estava começando no ramo da fotografia, e ele fez vários cliques incríveis do meu romance com o mar; tipo esses:

arquivo pessoal

Eu não posso negar a maravilhosidade dessas fotos. Elas refletem o meu amor pelo mar e pelo Sol.

Mas, porém, entretanto, todavia; o namoro com o fotógrafo foi bem merda. E é aí que eu entro em crise de colocar ou não essas fotos na pasta de TBTs. Eu definitivamente não estava bem e muito menos em paz quando essas fotos foram tiradas. Eu estava extremamente infeliz.

Mas as fotos são lindas.

Talvez porque naqueles milésimos de segundos do clique eu estivesse nos braços aconchegantes do mar, o único lugar na época que eu me sentia menos turbulenta, menos catastrófica e menos apocalíptica. Porque era assim que a minha vida estava em 2016.

Purificar incômodos é uma utopia tóxica

Não tem como fazer isso na real. Coexistir que tem que ser a meta. Tentar purificar os incômodos é viver uma distopia. Sem contar que as coisas não são só boas ou ruins. A vida não é dicômita (mas é muito mais fácil pensar que é).

Viver extrapola qualquer dicotomia

Eu não sou um objeto jogado no vácuo do universo. E mesmo se eu fosse, o que eu era antes de estar no vácuo do universo? Como eu fui parar lá? E mesmo assim, o vácuo ainda é alguma coisa, e sempre tem alguma coisa interagindo e reagindo comigo.

Inclusive eu mesma.

Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia

já dizia Lulu Santos na música Como uma onda, composta por ele junto com Nelson Motta. E a letra segue falando que tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo e que tudo muda o tempo todo.

A cada reflexão que eu faço, a cada desconstrução de toxidades (minhas inclusive), eu mudo a minha percepção sobre o meu passado. Perceber ele diferente não significa que eu mudei o que aconteceu, mas que eu, no presente e no gerúndio, estou mudando como uma onda no mar.

E nisso, minha pasta de TBT vai tendo mais e mais arquivos. E eu vou percebendo cada dia mais que a vida vem em ondas, como um mar, num indo e vindo

infinito.