The Cloverfield Paradox é uma vergonha

Quem acompanhou as redes sociais ou assistiu ao Superbowl no último domingo (03), viu uma das maiores ações de marketing da cultura pop nos últimos anos. Durante o intervalo, a Netflix soltou o trailer de The Cloverfield Paradox, o terceiro filme da franquia Cloverfield. Até aí não havia nada de anormal, a não ser pelo fato de anunciarem que o filme estaria no catálogo naquela mesma hora.

Jogadas de marketing sempre fizeram parte desse universo criado pela Bad Robot e J.J. Abrams. O primeiro, sobre um Monstro em Nova York, teve uma campanha viral antes do lançamento com vídeos misteriosos e relatos de sobreviventes. O segundo, Cloverfield, 10, teve seu trailer divulgado apenas um mês antes e foi feito sob o título de The Cellar, onde nem o elenco sabia que o filme levaria o título da franquia, numa estratégia dos produtores em colocar uma certa grife numa produção independente. Os dois filmes fizeram jus à estratégia e entregaram dois bons filmes, mas parece que alguma coisa deu errado no meio do caminho com o terceiro.

The Cloverfield Paradox se passa num futuro próximo, onde a Terra passa por uma crise de energia e todos os seus recursos tendem a se esgotar. Para evitar que isso aconteça, as nações enviam uma tripulação com múltiplas nacionalidades ao espaço para gerar energia ilimitada para a Terra por meio de um acelerador de partículas. No entanto, após diversas tentativas sem sucesso, eles finalmente conseguem ativar o acelerador, mas algo dá errado e eles desencadeiam a criação de um paradoxo, onde duas dimensões se encontram e eventos estranhos acontecem.

Escrito antes da franquia ser criada por Oren Uziel, a produção tinha a intenção de fazer um sci-fi avulso sobre dimensões e aceleradores de partícula. Porém, ao analisar o mercado, a J.J. Abrams e os produtores acharam que seria a melhor opção inseri-lo no universo de Cloverfield e ligar algumas pontas soltas. Mas como fazer um filme que viveu de surpresas e novidades, se manter assim ainda no seu terceiro? Pois é, pelo visto, a Paramount, que antes distribuía, vendeu os direitos para a Netflix, que, bem, pelo visto tem aceitado qualquer coisa para chamar de sua.

Eu poderia dizer que o maior problema deste terceiro filme é a necessidade de criar um elo com os dois primeiros de uma maneira forçada, o que não acontecia antes, mas não é o caso. Aqui, o filme não funciona nem dessa forma, nem como ficção-científica independente. Há personagens fora do tom e a maioria dos acontecimentos beiram o trash de tão toscos. Antes fosse essa a intenção, mas não, ele se eleva a sério o suficiente para deixar tudo pior.

Além disso, a trama trata seu público como um ignorante. Antes do acelerador de partículas funcionar, um dos personagens está assistindo a um programa de televisão onde um pesquisador aponta TUDO o que vai acontecer caso a missão tenha sucesso.

"Minha nossa, quem deixou esse filme sair do papel?", eles dizem nessa cena.

No roteiro, há uma certa preguiça na hora de justificar os eventos dentro do filme Tudo acontece pela abertura do paradoxo, mas as situações são tão absurdas e gratuitas que até um personagem, interpretado pelo Daniel Brühl diz que já não sabe mais quais são as regras. A partir dali, é certo de que nem a tripulação, nem a produção sabe mais o que fazer.

The Cloverfield Paradox teve uma jogada de lançamento genial à altura de seus antecessores, pena que seu filme não chegue nem aos pés de sua estratégia, muito menos da qualidade de Cloverfield e Cloverfield, 10. Raso e completamente fora do tom, ele ainda dá uma explicação preguiçosa para justificar um monstro em Nova York ou uma invasão alienígena. Fosse no cinema, sua bilheteria seria um verdadeiro fracasso. Como foi lançada na Netflix é possível seguir adiante para o próximo filme ou para o próximo episódio da série favorita. Talvez seja por isso que ela aposte tanto em projetos medianos.


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