O Trampolim para o Juízo Final

Trump ganhou, de forma assustadora para alguns. Eu mesmo fiquei chocado, demonstração clara da fé que possuo em meus contrapartes humanos. No entanto, ainda sim, ele venceu. Será que o sinal estará fechado para nós que somos jovens (uns nem tanto)?

Não discorrerei sobre os motivos que levaram o Donald a ter o controle do botão do fim do mundo, já há por aí excelentes análises. Quero falar sobre um fato apenas, talvez o menos comentado nas rodas, o clima da Terra.

Passamos do mítico patamar das 440 partículas por milhão de dióxido de carbono em meados de setembro. Em termos mais práticos, para cada 1 milhão de moléculas na atmosfera 440 são de CO2. E o que isso importa?

Segundo a ciência, 400PPM seria o limite considerado “seguro” que levaria a um aumento médio na temperatura da Terra de até 2 graus Celsius. Mais do que isso significa que teremos situações extremas no clima que leva a prejuízo, doença e guerra. Para termos uma ideia, há mais ou menos 15 milhões de anos atrás a Terra atingiu uma concentração de CO2 dessa magnitude. Nesse período a temperatura foi em média 6 graus maior do que temos hoje e os nível dos oceanos era cerca 30 a 40 metros acima do atual.

O que nos leva ao aterrorizante fato de que simplesmente não sabemos o que vem por aí. Um bom exemplo é o que foi dado pelo pesquisador da NOAA — a agência americana de oceanos e atmosfera, Jim Butler.

Aumentar o nível de CO2 é como ligar um cobertor elétrico. Você sabe que o cobertor vai ficar quente, mas não sabe o quão rapidamente a temperatura vai subir, e pode levar algum tempo até o cobertor — ou a atmosfera — aquecer
O gráfico do apocalipse.

As projeções dos cientistas são assustadoras e agora temos no comando do país mais poderoso do mundo um sujeito que não acredita que a mudança climática aconteça devido a atuação humana, a despeito de evidências cada vez mais claras. Trump fica ao lado de menos de 1% da comunidade científica. Ele vai apoiar a indústria dos combustíveis fósseis e vai nos jogar em um lago de fogo.

A mudança do clima será a maior guerra travada pela humanidade contemporânea. Trump está na contramão do mundo. E há pouco ou nada que possamos fazer sobre isso. No entanto, não precisamos ficar tal como a personagem de Chico Buarque que ficava à toa na vida esperando a banda passar. Há campo para ação aqui em nosso país.

  1. Demandar a mudança em nossa matriz energética. Não podemos ligar terméletricas a torto e a direito nem desmatar florestas para fazer monstruosidades como Belo Monte. O Brasil tem potencial eólico e solar que deve ser aproveitado, sem contar a nossa experiência com etanol.
  2. Exigir o desmatamento zero na Amazônia que ainda é o principal regulador térmico do planeta.
  3. Apoiar as populações tradicionais que com seu modo de vida intimamente ligado à floresta ajudam em sua conservação.

Depende de nós.