Tucurunda (ou) Uma análise otimista desta eleição.

Vamos lá para uma análise otimista desta eleição.
- E tem como?
- Posso estar sendo inocente, mas acredito que sim.

Se considerarmos o Brasil como país, tal qual conhecemos hoje, temos pouco menos de 500 anos, destes passamos por muitas coisas, desde ser colônia de Portugal, explorar índios, ser a prisão além-mar, escravizar negros, receber alemães, enganar italianos, torturar pessoas, ir às ruas, etc, etc, etc…

Nossa atual democracia, considerando todos esses anos de existência e experiência, é muito jovem, recém chegou aos 30, talvez por isso seja um pouco imatura, insegura, instável…

Tendo todo respeito possível pelos gostos alheios, não podemos negar que o grande orgulho nacional é vazio, o que faz nossa fama no exterior e movimenta nossa sociedade não são estudos, pesquisas e intelectualidade.

Tanto que uma pesquisa recente revelou que 30% dos brasileiros nunca compraram um livro.

São coisas supérfulas: futebol, caipirinha, carnaval e o “jeitinho brasileiro”. Em outras palavras pão, circo e corrupção, afinal não estamos tão longe assim da Roma Antiga.

Mas essa é uma versão do nosso imenso país. Aqui também temos cultura rica, pessoas honestas, pessoas preocupadas com o próximo e com o meio, que trabalham, que se esforçam, que lutam diariamente para quebrar paradigmas, que buscam serem versões melhores de si mesmas.

E apesar de estas terem sido as eleições mais incoerentes da nossa curta história democrática, podemos sim extrair coisas positivas. Apesar de Bolsonaro ter sido eleito com 57 milhões de votos, 89 milhões de brasileiros não votaram nele, independente do motivo — seja votando no Haddad, branco, nulo ou não comparecendo.

60% dos eleitores rejeitaram um discurso de ódio e preconceito.
Isso sim é uma vitória, uma esperança.
https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/apuracao/presidente.ghtml

Conseguem perceber o que isso significa?
O grande lance é que desde… sempre? Nossa cultura é racista, homofóbica, misógena, machista, intolerante, corrupta. E agora, na nossa adolescência democrática, mesmo que a passos curtos estamos vencendo os preconceitos.

Fomos colônia, fomos prisão, fomos refúgio da monarquia, fomos império, fomos república, fomos ditadura, somos democracia.

Para os 40% que elegeram Bolsonaro uma esperança se renova, pois o “grande culpado” dos males brasileiros foi retirado. Para os 60% que fizeram oposição, essa rejeição, mesmo não sendo válida nas urnas, já é um progresso.

A todos, independente do lado que ficaram — ou deixaram de ficar — cabe não cometermos os mesmo erros de antes, deixar a idolatria de lado e tratarmos os políticos como merecem,

servidores públicos, a serviço do brasileiros, seguindo a Constituição e o bem comum.