Tudo Bem Cuidar da Sua Saúde Mental

(Love Yourself: Answer — BTS Album — Imagem Editada pelo Autor)

Meu primeiro texto sobre esse tema, não poderia ir por outro caminho que não fosse a questão da importância da terapia. Vivemos tempos absurdamente conturbados, temos acesso a tanta informação, especialmente sobre a vida dos outros, que não nos compararmos as vivências de outro alguém se tornou um exercício que exige, no mínimo a força de vontade de um monge budista.

De todas as redes, a que mais causa esse tipo de problema é o Instagram… estamos no final do ano (começo quando esse texto for publicado), hoje eu escrevo no meu trabalho, estou no ramo da hotelaria, onde essa é a época mais movimentada, desde que entrei aqui não sei mais o que é férias neste período ou nos meses subsequentes.

Abro meu Instagram e a única coisa que eu vejo são fotos dos meus amigos na praia, com uma cerveja gelada, uma taça de espumante, pés na piscina, noites de festa, pessoas sorrindo e toda sorte de imagens que poderiam jogar minha auto-estima lá no lixo ou ainda me deixar completamente desmotivado para seguir trabalhando neste período.

Eu seria absurdamente hipócrita se dissesse que isso não me afeta de forma nenhuma, ou que cheguei em um estágio de evolução espiritual em que não preciso desse tipo de experiência, pois sou capaz de ser plenamente feliz em qualquer lugar. Mas posso dizer com toda honestidade que consigo sobreviver a isso sem me inferiorizar por não estar vivendo aquilo.

Eu consigo ter a consciência que as minhas experiências são só minhas e as coisas boas que os outros tem e eu não estão longe de definir o meu valor enquanto ser humano. O ponto hoje não é sobre a felicidade das pessoas nas fotos ser real ou não, se elas são tão felizes quanto se vendem nos stories e coisas assim, isso exige uma análise muito mais profunda que não é meu papel fazer, mas sim sobre como a terapia me ajudou a viver “apesar de”, respeitando o meu tempo, minhas escolhas e acima de tudo minha história de vida.

Muitas dúvidas surgem no começo ou durante o processo da terapia, por isso, além de dividir as minhas experiências vou falar sobre algumas das dúvidas ou situações que ouço/leio com frequência em relação a isso:

1 — Você não é obrigado a se abrir com quem não se sente à vontade.

(https://gazetaguacuana.com.br/terapia-melhor-caminho-para-vencer-traumas/)

Na minha experiência de vida, essa frase é a mais importante em relação a terapia. Você é um ser humano, com coisas que gosta e não gosta, com pessoas que sabe ou gosta de lidar e com quem não sabe. O terapeuta também é um ser humano, com uma postura, um jeito de falar, um jeito de pensar e acima de tudo com qualidades e defeitos.

Existe a grande possibilidade de não rolar química entre você e o profissional escolhido, e tudo bem. Trocar de profissional é algo muito mais comum do que se imagina.

Nesse aspecto eu me considero um cara de sorte, pois fechei com a Larissa (nome da minha psicóloga) logo de cara, mas isso nem sempre acontece. Pense em outro tipo de serviço. Se você fosse a uma hamburgueria, não gostasse da comida, você continuaria indo lá? O mesmo acontece na área da saúde mental, não dá pra esquecer nunca que você é um cliente, contratando um serviço, de um profissional, portanto tem todo direito de trocar se o resultado não for satisfatório.

Dependendo do terapeuta, conversar com ele sobre isso é a melhor saída, existe a possibilidade de dois fatores (ou a combinação dos dois) causarem esse “não fechamento”, o primeiro seria o descrito acima, o ser humano fazendo o atendimento, não ser compatível com o ser humano recebendo o atendimento. O segundo seria referente a linha teórica.

2 — Se o caminho não funciona, a culpa não é das pernas.

(https://www.carwash.com/so-many-roads-to-gain-marketing-impact/)

Minha analogia preferida para definir a terapia é: Um longo caminho que você deve trilhar sozinho, com o terapeuta do lado de fora como placas direcionais, te dizendo que é seguro dar o próximo passo e que vai te ajudar a levantar se você cair.

Como dito acima, nem todo psicólogo será um bom guia e tudo bem procurar outro. Agora vamos falar sobre a linha teórica, o método de abordar. Se o terapeuta é são as placas a linha teórica é o calçado que você usa.

Andar em uma estrada de chão com um salto agulha não é uma experiência boa e nem confortável, e dificilmente vai te levar tão longe quanto um tênis de corrida poderia, por exemplo. Por isso é preciso conhecer as linhas teóricas e entender/aceitar que nem todas elas funcionam com você.

Psicanálise, Psicologia Analitica, Behaviorismo, Humanismo, Psicoterapia Corporal, Terapia Cognitivo-Comportamental (a que eu faço), Terapia Transpessoal e Mindfulness Psychology são os principais exemplos que você pode escolher.

Escolher uma delas e dizer que terapia não serve pra você, sem tentar conhecer as outras é a mesma coisa que ir a um restaurante de frutos do mar, não gostar da comida e dizer que comer não funciona para você.

Não vou me aprofundar nas linhas teóricas pois o foco não é esse, além de não ter conhecimento profundo sobre todas elas, então prefiro não dar um desserviço. Mas é importante ter a consciência que assim como tarefas diferentes exigem ferramentas diferentes, pessoas diferentes, com problemas/questões diferentes, exigem calçados diferentes para trilhar seus próprios e únicos caminhos. O que nos leva ao terceiro ponto, cada indivíduo tem seu próprio tempo para trilhar esse caminho.

3 — Você é único, sua velocidade de caminhada também.

(https://medicalxpress.com/news/2017-08-sufficient-cardiovascular.html)

Essa é a parte que motiva a minha referência do Instagram, pois ali temos uma verdadeira fábrica de pessoas mais ricas, felizes, realizadas, inteligentes, bem sucedidas e evoluídas espiritualmente que nós mesmos. Não que isso seja verdade, mas como ninguém vai ficar compartilhando as próprias falhas e derrotas, temos a ilusão de que só existem coisas boas na vida dos outros.

Digamos que isso seja verdade, as conquistas não são delas? Tudo aconteceu pelo fato de essas pessoas terem a vida que tem, nascido onde nasceram, e mais um bilhão de fatores que faz com que cheguemos no momento que estamos. O desempenho de vida de outra pessoa não é sua responsabilidade.

Esse não é um daqueles textos sobre mérito, sobre como você deveria “trabalhar enquanto eles dormem” ou outras frases clichês encontradas em palestras motivacionais, ou livros de sucesso de carreira. É sobre você respeitando seu próprio ritmo, lutando pra melhorar com certeza, mas sem achar que se pessoa x levou 6 meses para chegar lá você precisa fazer isso no mesmo tempo ou menos.

Eu por exemplo, faço terapia a mais de 3 anos e meio, já resolvi MUITOS conflitos e evolui em dezenas de aspectos, mas mesmo depois desse tempo todo, mal consigo tocar no tema família, principalmente quando envolve a questão de demonstração de afeto. Isso não me torna pior que ninguém, sei que no meu tempo vou estar pronto para lidar com isso, seja ele mais uma semana, sejam mais 3 anos e meio.

4 — Terapia pode ser caro (ou não), mas vale cada centavo.

(https://www.headspace.com/blog/2015/04/16/your-brain-on-exercise/)

Vou dividir esse tópico em duas partes, primeiro, para os que podem pagar, mesmo que precisem fazer um ou vários ajustes no orçamento e para aqueles que realmente não tem condições de pagar.

Durante esse período eu tive que fazer várias escolhas em relação a minha vida financeira, inclusive atrasar meu tempo de formatura pegando uma única matéria no semestre, mas abrir mão da terapia foi algo que nunca passou pela minha cabeça. É um valor caro sim, mas eu valho cada centavo que já gastei com isso, eu não estou pagando para ser ouvido por alguém, para desabafar ou algo do tipo, tenho ótimos amigos que fariam isso de graça para mim. Faço terapia para superar problemas emocionais, amorosos, profissionais e de outros N tipos.

Quando eu comecei a terapia, eu não sabia dizer não, achava nobre me sacrificar pelos outros, guardava mágoa calado quando era ofendido, não demonstrava interesse por medo de ser rejeitado, abria mão de propostas de emprego por colocar o que era importante para meus chefes acima do que eu precisava, deixava de ir a lugares por evitação (morria de medo de mudanças, por não serem minha zona de conforto) e vários outros comportamentos que hoje sei que eram passivos e autodepreciativos. Deixar de ser esse Gabriel e poder melhorar única e exclusivamente por eu mesmo valeu cada centavo pago. Nunca vou esquecer o orgulho que tive ao dizer não pra algo que eu não queria fazer e não me sentir culpado por isso.

Por outro lado, existem pessoas que realmente não possuem condições financeiras para isso, o que NUNCA vai ser demérito, o seu salário ou condição de vida também não define seu valor como ser humano. Existe a opção de acompanhamento psicológico no serviço público também. Normalmente feito por estagiários da graduação em psicologia ou alguns profissionais da área que dedicam algumas horas além das que fazem em consultório.

Moro em uma cidade pequena do interior do RS, a minha realidade não reflete a das grandes cidades e capitais, onde a demanda por esse tipo de serviço é muito maior, mas aqui a qualidade deste tipo de serviço não deixa a desejar em relação da paga, por isso vale a pena buscar esse tipo de serviço deixando de lado o preconceito de que tudo que é público é pior, você sempre vale a tentativa ♥