“Vamos acabar com o coitadismo”

Jair Messias Bolsonaro /Reprodução

Eu não sou fã de falar sobre racismo, é um dos assuntos que não gosto de tocar e acredito que todo o negro não goste de bater nessa tecla. Não por ignorância e achar que ele não existe, muito longe disso, odeio tocar nesse assunto exatamente para evitar ao que fui obrigado a ler. Infelizmente você também foi ao chegar aqui através deste título. Mas acaba sendo incrível como tem gente que consegue despertar sentimentos dentro de nós e as vezes, por pior que seja esse sentimento, nos leva a reflexão que alguns assuntos devem ser comentados e debatidos.

Então irei deixar em letras grandes e negritas para que seja compreendido com maior facilidade:

NEGRO NÃO SE ACHA COITADO

Assim como todos os outros que foram incluídos nessa fala triste e desfocada.

Muito pelo contrário. Nós temos muito orgulho de toda nossa origem e apesar de todas as dificuldades que são a nós atribuídas pela nossa pele, nunca nos julgamos coitados ou entregamos a situação, por mais complicada e ofensiva que ela seja e aqui não é apenas o garoto negro metido a blogueirinho que está falando, mas sim toda uma comunidade de pessoas que cresceram como eu, com as dificuldades que eu tive e ainda tenho.

Quando vejo um comentário tão sem nexo como esse, eu analiso que é fácil julgar o próximo quando se vive dentro da sua bolha da moralidade, aquela que lhe permite olhar ao outro e não só julgar, mas também acreditar fielmente que todos somos iguais. Acontece que dentro da sua bolha todos crescemos com a mesma oportunidade e somos tratados da mesma forma, não sendo obrigado a reconhecer as diferenças das pessoas e suas individualidades.

Ao meu ver quando você acredita que as outras pessoas se fazem de coitadas, simplesmente você atribui ao fantasioso todos os pormenores que cercam a existência dela, colocando em tom de chacota todas as vezes que ela foi parada pela polícia sem motivo aparente, todos os olhares de desaprovação por se envolver com mulheres brancas, todas as situações de desconforto ao adentrar em alguns ambientes e por aí vai.

É fácil você acreditar que as ações que tentam nos equiparar pregam o preconceito, pois dentro da bolha não existem pessoas diferentes a sua, todos possuem a mesma formação, oportunidades e opções. Aonde ações que demonstram as nossas diferenças não são necessárias, pois não somos julgados por elas.

Não me julgo coitado, mas não sou cego ao ponto de não ver como sou discriminado pela sociedade em pequenas ações, como é mais fácil a ela colocar um véu da inocência de se julgar evoluída ao não ver as diferenças, quando suas ações são completamente diferentes e sempre, na menor oportunidade, essas diferenças são sempre jogadas na cara.

Ação é algo mais importante do que sentimento, não adianta expor uma situação como ilusória se ela continua a acontecer, não adianta abraçar o diferente e fazer politicagem se na primeira oportunidade suas ações não condizem com sua aparência, não é o que você diz ser e sim o que você faz que define você.

Esta é a hora de parar de julgar as pessoas por “coitadismo” e pensar sobre o que você tem feito para mudar o sistema? Você tem lutado a favor de uma sociedade mais dinâmica e menos segregadora ou tem se escondido atrás da máscara de igualdade ilusória? Infelizmente nesse mundo só existem duas pessoas: (1) as pessoas que são a favor do sistema e (2) aquelas que lutam contra as desigualdades e diferenças. E não imagine nem por um segundo que seu comodismo lhe atribui ao segundo grupo.