Vida é um filme B vestido de blockbuster

De uns tempos pra cá, fazer filmes no espaço passou a ser uma grande estratégia da indústria de cinema. Desde que Gravidade ganhou o Oscar de Melhor Filme, em 2014, tivemos ainda Interstelar, A Chegada e Passageiros. Alguns bons, outros totalmente descartáveis e alguns que que se encontram neste meio termo, como é o caso do mais recente, Vida.

Seis astronautas estão em uma estação espacial estudando e coletando informações de amostras do solo de Marte. Durante as pesquisas, um ser unicelular é despertado e reconhecido como a primeira forma de vida fora da Terra, gerando uma comoção mundial. No entanto, essa criatura passa a se desenvolver demais e acaba se tornando uma verdadeira ameaça aos tripulantes.

Vida não pretende ser inovador em sentido algum, mas começa promissor, com um ótimo plano sequência, que se estende a uma introdução bem feita, que apresenta todos os personagens e algumas de suas funções, que podem ser importantes no decorrer da trama.

No início, o filme parece querer ser uma ficção científica com um quê de suspense. O diretor Daniel Espinosa coloca uma certa tensão, mas usa os artifícios e todos os elementos de uma ficção, inclusive saindo um pouco da nave para explorar a repercussão da descoberta no Planeta Terra, onde uma criança da o nome de Calvin ao ser desconhecido.

No entanto, a partir da primeira virada de roteiro, o filme larga mão dessas informações e foca em no terror claustrofóbico e agonizante de dentro da nave. As referências aos clássicos do gênero como Alien e até mesmo Gravidade são bem executadas, mas o problema é exatamente esse, pois não há um fator novo, e tudo ali parece que já foi visto nos outros filmes, o que o torna completamente previsível.

Depois de migrar para o terror, o grau de tensão dita o ritmo do filme e faz com que o espectador fique apreensivo com essa caçada de gato e rato entre os tripulantes e a criatura. Mas depois de um certo tempo há um cansaço na trama, onde não há muito o que fazer além de cumprir tabela e correr logo para o desfecho, que pode até causar surpresa, mas não há nada de espetacular, apesar do filme querer te fazer acreditar nisso.

Se ainda há uma faísca de ficção durante a trama, essa é o conceito que leva o nome do filme. A briga ali é para sobreviver e essa execução do roteiro é bem trabalhada. Não há uma maldade em nenhum dos lados, mas uma tentativa instintiva de sobrevivência de ambos. Os efeitos são muito bem feitos e a feição do monstro é assustadora.

O elenco, por sua vez, é uma das vertentes que faz com que o filme fique interessante. Com astros de peso como Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds e Rebeca Ferguson, o filme não perde em nada nesse aspecto e conta com algumas surpresas, como Hiroyuki Sanada e Ariyon Bakare, dois tripulantes teoricamente secundários, mas que ganham destaque durante o filme.

Por fim, Vida bebe direto da fonte de clássicos como Alien, O Oitavo Passageiro e se torna um filme B com uma máscara de blockbuster. Lembra daqueles filmes que passavam de madrugada no SBT ou aquela área espacial da locadora? É exatamente ali que Vida estaria se fosse feito há uns 15 anos atrás. Mesmo que não saiba bem onde quer chegar ou não traga nada novo, ele cumpre muito bem sua missão de causar tensão e incômodo com uma dinâmica de thriller espacial. Sabendo disso tudo, a experiência pode ser bem satisfatória.