Você pagaria para escrever?

Minha primeira experiência com Marketing de Conteúdo

Aconteceu comigo por estes dias.

Passeando pelo Facebook, uma amiga postou um livro eletrônico sobre marketing de conteúdo. Interessei pelo tema, pois também sou especialista na área. Fui lá, cliquei e baixei o livro. Funciona assim: você tem um blog e não consegue escrever com frequência e nem tem métodos para atrair o público. A empresa de Belo Horizonte é a solução para os seus problemas. Liguei para sondá-los se dariam uma consultoria para formatar numa linguagem de internet todo o conteúdo que já pesquisei nestes meus 14 anos de profissão, pois sou pesquisador. Aí deu tela azul nos caras:

– Como você chegou até nós?

– Mas antes, atleticano ou cruzeirense? — perguntei.

– Atleticano, claro, uai! — Silêncio da minha parte.

– Uma amiga postou o seu livro na timeline do facebook dela. Interessei pelo tema, baixei, pois também sou formado em Marketing e tenho vários conteúdos para escrever.

– Como assim, que tipo de conteúdo?

– Sou pesquisador, historiador, escrevo sob encomenda livros sobre história de empresas. Tenho vários temas e quero formatar algumas historinhas para linguagem de internet. Uma forma de mostrar meu trabalho para as empresas.

– Você tem site?

– Tenho, mas não está no ar, finalizando. Será no esquema portfólio.

– Quem é o seu público?

– Empresas de porte grande e médio-grande, que podem investir numa publicação institucional, que possuam departamento de comunicação corporativa.

– Que tipo de texto você produz?

– Memória empresarial. Como uma empresa surgiu, cresceu e é boazinha — não resisti e comecei a ironizar. Você sabe, nenhuma empresa prejudica a sociedade, né!

– É, você tem razão.

– Mas o que você quer mesmo?

– Uma consultoria para produzir o meu conteúdo que é grande e variado numa linguagem de internet, de forma a atrair pessoas da área de comunicação empresarial a contratarem o meu serviço.

O consultor desviou do assunto. Senti que queria outra coisa.

– Você sabia que temos um time de escritores?

– Não, sério! Como funciona?

– Assim: eles escrevem um artigo por semana e agenciamos estes textos em blogs que pedem conteúdos afins: turismo, culinária, esportes, curiosidades, etc.

– Vocês têm temas empresariais?

– Como assim, temas empresariais?

– Algo que retrate a imagem da empresa, sua reputação, sustentabilidade, responsabilidade social, ambiental… tenho diversos “cases” para contar e sei que o público se interessa por isso. Poderia ser um “guest posting” — usei com o atleticano a terminologia do livro dos caras, é um escritor convidado, ou o famoso colunista.

– Hummm, boa temática, muito interessante (pausa). Mas, não temos não. Vou verificar com meu supervisor (pausa). Cara, preciso te dizer uma coisa: faço umas cinco “call” todos os dias e é a primeira vez que alguém aparece com uma demanda. Muito legal, mas não sei te responder agora.

– Beleza, sem problemas. Mas você não deixou claro: tem consultoria para o meu perfil?

– Cara, não sei. Assim, temos o nosso time de escritores. Se você quiser fazer parte, mandamos um tema, um roteiro, você escreve e aí vemos. Só que, se aceitar, enviamos um boleto de R$ 360.00 para você escrever para gente. Tudo bem?

Pensei com os meus botões: “demorô” para dar o preço da fatura.

Respondi para o atleticano:

– Vamos fazer assim: conversarei com a minha sócia, pois ela escreve comigo. Todos os textos serão assinados por nós dois, só escrevo nesta condição.

– Beleza, sem problemas.

– Você conversa com o seu pessoal e entra em contato comigo, certo?

– Certo. Farei isso.

Duas semanas depois compartilhei com a amiga o ocorrido, como os posts do facebook dela geram resultados. Ela achou um absurdo, rimos bastante e trocamos especulações sobre pagar para escrever, afinal, ela é mulher das comunicações.

Quanto ao resultado com o atleticano, estou tranquilamente aguardando a resposta… que dias mais tarde chegou e sem um solução específica para minha solicitação.

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