Você tem quase 100 mil fãs no Facebook? Isso é QUASE inútil. Foi mal.

Eu fico com pena quando vejo algumas pessoas comemorando o tamanho da fanpage. "Gente, que legal, faltam apenas 99 pessoas pra minha página atingir 1000 fãs!". Poxa, 1000 fãs. Sabe o que isso significa? NADA.

É, NADA, NADINHA, PORRA NENHUMA. Perdoem meu francês mas, convenhamos, é chato ficar repetindo o óbvio pra gente que se esforça pra não entender o que é cristalino: o Facebook passou a conversa em vocês!

Quando começou a ganhar corpo no Brasil, em 2010, marcas saíram correndo pra comprar fãs, achando que estavam comprando audiência e visibilidade. E não, não é a mesma coisa. A visibilidade que queriam comprar era aquela coisa de "olha só, Meio&Mensagem, fala sobre mim, faz uma matéria dizendo que eu cheguei ao 1 milhão de fãs". É, tipo Guaraná Antártica ou político em véspera de campanha. Naquele tempo, primórdios, podia até fazer algum sentido do ponto de vista da audiência — mas nunca fez, pra mim, da visibilidade — afinal o Facebook entregava suas postagens pra até 25% de sua base de fãs. Ter 1 milhão significava entregar os posts pra quase 250 mil. Diria que era um bom investimento, afinal comprar fã era barato e você só pagava por ele uma única vez.

Foi uma coisa meio traficante de drogas, sabe? Experimenta aqui, fica viciado que eu vou roubar tua alma.

Mas parece que o jogo mudou. Quer dizer, parece nada, mudou mesmo.

Ficar nessa de "olha quando fã eu tenho" é participar de um campeonato de tamanho de piroca. Só que, como eu já disse, piroca mole.

É, amigo, seu e-penis pode até ser grande… mas não funfa.

Hoje o Facebook entrega pra 2% ou menos de tua base de fãs. Você gastou uma grana — sim, pode até não ter comprado fã mas gastou energia e tempo e isso é dinheiro, não? — pra colocar os fãs na página achando que isso iria lhe garantir a audiência e… pimba, Zuck muda as regras do jogo e deixa você na mão. Ou melhor, deixa com a mão. Com a mão na carteira. Desculpa, hoje estou péssimo… mas é verdade.

Sua audiência garantida não serve de nada (até porque não é garantida).

O tempo e energia que gasta tentando conquistar mais fãs — que mal servem de badge "eu sou legal e muita gente gosta de mim" — devia gastar tentando ganhar dinheiro pra usar esse dinheiro pra promover seu conteúdo.

Alcance orgânico, amigo, virou publicitário comunista telentoso… dizem que existe mas você não conhece não consegue achar — OPA, plantou a treta dupla!

Se você não sente-se enganado com esse movimento, bom, você tem o perfil exato pra corno cuscuz, aquele que sabe do chifre mas abafa tudo. Ah, vai, é pra ficar puto. Gastamos dinheiro, energia e tempo porque o Facebook dizia que era o que devia ser feito e no meio do jogo muda a regra e você que se vire. Você que explique que toda aquela grana gasta com compra de fãs foi pro lixo. Que precisa de dinheiro pra impactar pessoas que você pagou pra poder ter a garantia que impactaria.

E tem jeito?

Não, não se você não quer sair de sua zona de conforto. Se não quer muito trabalho apenas pague ao Facebook e seja feliz.

Mas se não é isso que quer comece a pensar em MOBILIZAÇÃO.

Sim, comece a pensar em maneiras de valorizar de fato os advogados de marca, criar e alimentar canais para falar com eles, apresentar conteúdo exclusivo, trabalhar de forma colaborativa e garantir algo muito importante: usar a relevância e a rede deles em benefício de sua marca.

Uma coisa curiosa é ver marcas com 1 milhão de fãs mas com posts que só tem 250 compartilhamentos. É isso, é confiar no orgânico. O pior é que pra garantir esses compartilhamentos muitas vezes precisam fazer o rabo balançar o cachorro, ou seja, fugir do planejamento da marca, ignorar o branding e fazer conteúdo desconectado da verdade da marca mas que tem maior potencial de "compartilhamento". Ah, vá…

Agora imagine você tenho 5 mil pessoas em um canal, pessoas que realmente se importem com a marca e que sintam-se importantes no processo, com a missão de compartilhar todo conteúdo legal que a sua página poste, que sejam estimuladas a isso. Ah, mas isso custa dinheiro, vou ter que ter um canal próprio com esse objetivo, conteúdo próprio, PR, SRM e tudo mais. Sim, verdade, mas se você não consegue enxergar que isso vale o custo benefício é melhor esquecer tudo que leu e voltar a comprar fã.

Mas não diga que não avisei.

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