Você alguma vez teve a coragem de mostrar sua vulnerabilidade?

A gente passa os dias tentando mostrar-se forte, tentando provar aos outros como somos felizes, incríveis e bem-sucedidos. A gente alimenta feeds e se engana coletivamente: estamos todos lindos, jovens, ricos e muito, muito bem, obrigada!

A gente não diz nunca o quanto a vida tá difícil, o quanto o ciclo de desastres sociais e econômicos nos amedronta. A gente não diz que tem medo de falhar.

A gente sente mas não diz que a vida parece cada dia mais cara e que tem medo de amanhã não ser capaz de sustentá-la. A gente não diz que morre de medo de perder o emprego, ou que perdeu, ou que está há 1 ano sem trabalhar.

A gente esconde o quanto todas essas emoções que “compartilhamos” em rede têm bem mais nuances do que o frame pode mostrar: A gente não conta que discutiu com a namorada, que chorou até soluçar, que esqueceu algo importante, que tem medo de não chegar a qualquer lugar.

A gente nunca conta que às vezes se questiona o quanto tudo isso parece insano e que não somos capazes de nos adaptar, afinal, todos parecem absolutamente adaptados. Dizer que não consegue em um mundo de vencedores é suicídio social.

A gente nunca diz que tá mal, que teme não ser capaz de concluir a tese, o curso ou a faculdade. Não mostramos que sequer conseguimos pensar em voltar ao projeto dos sonhos, aquele que ficou na gaveta pelo simples medo de falhar.

A gente não pode dizer que tem medo. Somos todos empreendedores, os trabalhadores inventivos 2.0, somos tão criativos, mas temos calafrios de lembrar que a coleção de trabalhos “freelas” e as constantes reformas de leis não vão permitir que a gente possa se aposentar.

E se as minhas forças falharem? E se essa ansiedade que que não me deixa respirar direito me paralisar? E se eu pirar? Tá todo mundo pirando. O mal do século é a depressão, enquanto, paradoxalmente, desfilamos êxito.

Por que não começar a mostrar a nossa vulnerabilidade? O que somos de verdade. Por que não dizer àquela amiga que você vê triste que você também tá triste e que anda preocupada: "Tamu junto, mana. Tá difícil mesmo viver". Às vezes a gente fraqueja, precisa de um tempo, precisa se reconstruir.

A nossa geração transformou o sucesso em obrigação, e todos que lutam diariamente, que têm 1000 dias de luta para vir um diazinho de glória e olhe lá, parecemos destinados ao fracasso. Talvez se a gente admitisse que as coisas não vão tão bem assim seríamos mais sanos, teríamos mais senso de comunidade, de ajudar as pessoas ao redor, seja com uma ideia, com um incentivo, ou apenas mostrando que faz parte ser vulnerável.

Você alguma vez teve a coragem de mostrar sua vulnerabilidade?