Você está se esforçando demais?

A insistência é sempre um caminho contrário à nossa felicidade

Tea Girl, por Lana Zorina

Tudo aquilo de que gostamos e nos faz bem merece a nossa dedicação e não o nosso esforço. A diferença entre um e outro é que a dedicação envolve a doação de tempo e energia em torno de determinada circunstância / tarefa / pessoa, de maneira que nos sentimos gratificados o bastante a ponto de oferecer ainda mais destes componentes naquela direção.

Já o esforço indica doação extra de energia, causando desgaste e sofrimento. Nesse caso, a maior vontade deveria ser a de recuar. Mas por que nem sempre conseguimos? Isso acontece porque no lugar de nos atentarmos à sensação de bem ou mal estar, nos prendemos a uma ideia fixa de que aquilo funciona.

Muitas vezes, essa ideia serve mais ao nosso ego do que ao nosso verdadeiro eu. Talvez uma forma de nos mantermos no controle da situação no lugar de nos deixarmos levar pela realidade dos fatos. As sensações negativas surgem como sinal de alerta, mas simplesmente ignoramos tudo aquilo que sabiamente nosso corpo, intuição e emoções nos indicam. Contraditoriamente nos esforçamos ainda mais.

Não entendemos que todo o esforço pressupõe apego. Seja por aquilo que já funcionou no passado e gostaríamos que voltasse a ser como antes ou a uma concepção que temos das coisas.

No livro “As 7 Leis do Sucesso”, Deepak Chopra explica claramente sobre “A Lei do Mínimo Esforço”:

“Esta lei se fundamenta no fato de que a inteligência da natureza funciona com tranqüila facilidade e sem nenhuma ansiedade. Este é o princípio da mínima ação, da não resistência. É, portanto, o princípio da harmonia e do amor. Quando aprendemos esta lição da natureza, conseguimos realizar facilmente nossos desejos. (…)

No Veda — conjunto de textos sagrados que constituem o fundamento da tradição religiosa e filosófica da Índia — esse princípio é conhecido como o princípio da economia de esforço, ou do “faça menos e realize mais”. Você atinge um estado em que não faz nada e realiza tudo. Isso significa que basta existir a mais leve ideia para que a manifestação dessa ideia aconteça sem nenhum esforço. O que é comumente chamado de “milagre” é, na verdade, uma expressão da lei do mínimo esforço.”

Como saber se estou me esforçando?

Desconforto. Essa é a palavra que resume o fato de você estar se esforçando. Ainda assim, nem sempre entendemos com clareza o que isso significa. Especialmente quando reconhecemos a vida como um fardo pesado a se carregar mais do que uma jornada indicando caminhos por onde devemos fluir.

No entanto, existem alguns sinais para se atentar diante deste tipo de situação:

  1. Você carrega uma sensação de culpa e insuficiência constante;

2. Você se sente dominado por suas emoções como estresse, ansiedade, tédio, tristeza, raiva e angústia. Não as entende como direcionamento, mas apenas tenta suprimi-las;

3. Você não enxerga a sua responsabilidade de insistência e passa a cobrar aos outros por estar se sentindo infeliz ali;

4. Você não consegue recuar (ao menos por um tempo) para entender se não era melhor abrir mão do que continuar tentando;

5. Você tem extrema dificuldade de lidar com a sensação de incerteza, porque não sabe pelo o que irá “substituir” seu momento atual. Prefere sofrer ao lidar com o vazio da dúvida.

“Somos assim: sonhamos o voo mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.”
Os irmãos Karamazov, Fiódor Dostoiévski.

Na dúvida, solte

E espere um tempo. Quando você solta algo que não faz mais sentido e está te fazendo mal, mas que ocupa um espaço importante em sua vida devido ao apego, é óbvio que você não sentirá alívio imediato. Muito pelo contrário, poderá sentir uma dor ainda mais intensa em misto à confusão sobre ter ou não feito a escolha certa.

Principalmente quando não há nada (ou ninguém) que substitua aquele espaço.

Porém, essa dor será intensa e rápida, diferente do sofrimento lento e prolongado da situação anterior. Muitas vezes, ela é necessária para te libertar de toda aquela tensão acumulada. É difícil identificar, mas o sofrimento não é sequer por aquilo que você “perdeu” e sim pelo tempo que você escolheu passar sofrendo. Dói porque é difícil admitir e reconhecer que entramos numa batalha perdida, já que nada deveria ser uma batalha de qualquer maneira.

Dependendo do tempo e intensidade da situação, a dor sentida após abrir mão é apenas o golpe final de piedade. E sim, apenas aqueles que tiverem a coragem de enfrentar essa passagem de suposta morte para o renascimento, poderão desfrutar da recompensa do desistir trazida pela paz de espírito.

Inclusive, algumas coisas que soltamos (de verdade) voltam, em um formato melhor do que o esperado. Ou ainda, abrem espaço para o novo que você realmente merece, acima de qualquer expectativa.

Na dúvida, se você sente que está sempre se esforçando pelo o que quer que seja… solte. E pague pra ver.