Você primeiro

Depois, todo o resto

Photo by Aziz Acharki on Unsplash

Sempre tive receio de me afirmar, de dizer em alto e bom som tudo o que no fundo — às vezes, bem no fundo — sei que sou. No meu mundo, alguém iria se levantar a qualquer instante, apontar o dedo na minha cara e dizer que nada daquilo é verdade, que sou uma “impostora” e afirmar todas as minhas inseguranças já existentes, se caso eu ousasse dizer alguma coisa positiva sobre mim mesma.

No fundo, a gente sabe. Sabe melhor do que ninguém do nosso potencial, das nossas qualidades e também aonde podemos melhorar. Passamos tanto tempo acreditando que o temos não é bom o suficiente, querendo ter aquele pacote pronto, o pacote do adulto bem sucedido.

Se você for mulher então, aí que as exigências ficam pesadas e de certa forma, até inatingíveis. Qualquer coisa ligeiramente diferente disso, já é um indicativo de que não somos bons o suficiente, portanto, nada de sair por aí contando suas coisas boas.

Vou colocar o que penso em termos químicos, para aproveitar o ano de cursinho para alguma coisa:

A energia de ativação necessária para te criticarem, ainda mais presencialmente, é muito maior do que a energia necessária para te elogiarem.

Ou seja, é muito mais fácil concordarem contigo do que te contrariarem. A probabilidade de você dizer uma coisa legal sobre você mesma e a pessoa do lado olhar e dizer: “Você não é isso não, tá louca!” é super baixa, para não dizer inexistente. E mesmo se — em um mundo hipotético — alguém resolvesse te colocar para baixo dizendo isso, você precisa saber a sua verdade, saber tudo que você é.

Não existe motivo para deixar terceiros abalarem algo que é só seu: a sua autoconfiança, autoestima, o seu valor próprio. É algo tão genuinamente seu, que mesmo que você tente delegar a tarefa de alimentar esses sentimentos, não vai funcionar… Só você tem o poder e autonomia para cuidar dessa parte sua.

O PACOTE DO ADULTO BEM-SUCEDIDO

Acredito que sempre existiram certos critérios, os quais devemos atingir para ter sucesso, felicidade, ser o orgulho da família.

Talvez ele exista com certas variações para cada um, mas aposto que todo mundo tem o que seria o seu pacote do sucesso.

Ele é constituído pelos valores que nossa família nos transmite, pelo o que consumimos na mídia, pelos conhecimentos que vamos agregando durante nossa trajetória e quando você começa a chegar em uma certa idade — que para mim é perto dos 25, mas para você pode ser lá pelos 32 — começa a se cobrar por não ter atingido o que deveria, ou por não estar pelo menos no caminho de atingir.

Mas, quem te disse que você precisa atingir, ser, possuir ou conquistar essas coisas para ser realmente feliz?

No meu pacote — que é bem comum — sempre esteve:

Ter um bom emprego, ter um desempenho acadêmico de destaque, conseguir ter finanças equilibradas, ter um relacionamento saudável, manter bons amigos, ser magra, saudável, praticar atividades físicas, me vestir bem, ir em festas, falar mais de dois idiomas, morar fora do país, dormir o suficiente, ser aquela pessoa que faz a diferença em tudo o que participo.

Talvez meu pacote não seja tão comum assim, mas o ponto que quero evidenciar é:

Para um ser humano é impossível ser 100% em todas essas coisas, até porque mesmo que eu me esforce — e olha que eu me esforço  existem fatores externos, que não estão sob o meu controle.

O ser humano erra, tem falhas, tem sentimentos e precisa de descanso. Mesmo que você ignore o fato de ser humano por um certo período, uma hora vai sentir esse peso.

Quando você dedica um tempo para refletir sobre essas questões e tudo o que sempre acreditou precisar, considerando a realidade, considerando que você não é uma máquina que acerta em tudo, você percebe que não quer ou até mesmo que não precisa de nem da metade do que está nesse pacote.

O QUE REALMENTE IMPORTA

Não tem jeito fácil, solução mágica ou resposta pronta. Você precisa pensar no que é importante para você. Questionar, refletir, para chegar no que é significativo para você. E mesmo assim, não é do dia para noite as respostas vão aparecer, o importante é não perder de vista o que realmente importa.

E se você ainda não percebeu, o que realmente importa é você!

A sua felicidade, as suas conquistas, mesmo que pareça coisa besta para olhos alheios, aprenda a ser sua fã número um. Só você conhece suas verdades, seu passado e seu coração, então o único juiz possível para suas ações é você mesma. E nada de querer ser a pessoa mais rigorosa consigo mesma, já disse, somos seres humanos, mantenha a qualidade, mas sempre dentro do possível, do atingível.

Pode parecer clichê, mas pequenas mudanças são o que constituem grandes hábitos e pequenas ações constituem grandes conquistas. Sabendo o que é importante para você a vida fica um pouquinho mais fácil, porque aí você precisa acertar só um pouquinho por dia!

E tenho certeza que você consegue acertar em alguma coisinha hoje!