Quantos de nós estamos preparados pra sobreviver em uma situação extrema?

Eduardo Valiante

Publicado na edição #NEZMAG06

A o longo de nossa existência enquanto humanidade nós aprendemos a ignorar a ordem natural do universo: somos parte desta grande máquina mas não sabemos mais escutar o que nos dizem o céu, o sol, a mata e os animais sobre nós mesmos. sequer fomos estimulados a escutar nossos próprios corpos com seus avisos claros de ‘perigo’. tem sido assim desde a nossa infância.

somos dependentes de necessidades que nós mesmos criamos dentro dessa frágil bolha construída a partir do ego, da ambição e da busca de poder. reparem, praticamente tudo o que há em nosso moderno sistema social tem como ponto de partida e de chegada o comércio, o capital, o território, a propriedade. mesmo que não enxerguemos claramente isso, se fizermos uma breve equação, voltando lá atrás, vamos perceber que é essa a raiz de tudo o que hoje colocamos como importante em nossas vidas.

há algo de errado com nossas prioridades. como estamos tratando das nossas necessidades mais básicas?

cercamos as nossas casas e propriedades com muros enormes e câmeras de vigilância, temos sido estimulados a temer os nossos irmãos e a colocar uma arma de fogo na cintura como única saída para deter a violência do mundo. o medo está na moda e é um grande negócio.

enquanto isso, compramos nossa comida processada, gastamos nossos salários em roupa sintética, contratamos empregados para nossas tarefas mais corriqueiras e recorremos a aparelhos eletrônicos que nos mostram o trajeto de um ponto ao outro. 
assim, vamos lentamente nos afastando justamente da nossa comida e do que vestimos, pois não sabemos de onde elas vêm ou como foram feitas. nos afastamos justamente daquela oportunidade natural que temos todos os dias de resolver nossas pequenas tarefas básicas ou de decorar um simples endereço.

(o que não nos é ensinado na escola: em essência continuamos sendo o espírito eterno, o bicho homem — aquela maior manifestação divina na terra. cai pra dentro, preste atenção.)

e se chegasse a terceira guerra mundial?
e se uma bomba atômica atingisse a nossa cidade hoje?

quantos de nós conseguiríamos reeguer nossos frágeis impérios e fundar novamente o que chamamos alguma vez de ‘nossas casas’? quantos de nós seríamos capazes de levantar um novo muro em barro, pedra e entulhos? 
quantos de nós saberíamos desenvolver um arcaico sistema de purificação da água? e quantos seríamos capazes de dormir em um chão frio e duro? quem poderia curar essa nossa dor no peito, essa angústia que nós já carregamos somada a terríveis ferimentos causados por armas nucleares?

como poderia eu e minhas dores crônicas na coluna subir em uma grande árvore para colher aquele último fruto salvador? 
o que sabemos sobre o poder curativo e nutricional das poucas espécies de planta que sobrariam ao nosso redor? onde estariam nossos remédios? 
qual é o máximo de nutrientes que poderíamos obter de dois simples legumes através do domínio em seu preparo?

existe um mundo a ser trabalhado em nós mesmos.

somos a adolescente mãe solteira do universo, agredida, abandonada, sem emprego, sem casa e sem dinheiro — aprendendoacuidardecriançafazercomidafazerbicoeaindaserfeliztudoaomesmotempo. 
viver é nossa única saída e aprender é nossa única chance. experimentar é nossa única chance.t
nosso planeta virado de ponta cabeça grita: se vira!

não há outra possibilidade. ou nós buscamos essa autonomia criativa ou seremos engolidos pelo que nós mesmos provocamos, mais cedo ou mais tarde. é hora de nos imaginarmos sozinhos com o 
mínimo de recursos e a urgência da fome. por mim, por você, pelas crianças.

‘não há quem viva no deserto e não mude’ [wilfred thesiger, ‘arabian sands’]

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Monossopa, um recurso.

“monossopas” ou “mono sopas” são sopas feitas com o mínimo de ingredientes (1 ou 2) e máxima funcionalidade. a ideia é que, com criatividade e o conhecimento do potencial dos ingredientes utilizados, extraia-se toda a qualidade e sabor do alimento através de um preparo muito simples.

SOPA DE INHAME COM AÇAFRÃO
Receita por: Evaldo Abineder
Ingredientes:
Inhame ou Cará; Açafrão ou Curcuma ; Sal a gosto
Procedimento:
Cozinhe o Inhame no vapor, no liquidificador colocar primeiro o inhame e cobrir com a água que ficou em baixo da panela de vapor, sal e processar, levar ao fogo, sem ferver (cria espuma se ferver) mexendo sempre. Fazer um refogado de alho com açafrão, misurar ao creme e colocar o sal. Com este mesmo procedimento indico outras sugestões de MONOSOPAS:
- Chuchu com louro (colocar uma folha na água, desprezar na hora de bater e colocar outra quando voltar ao fogo).
- Inhame com alecrim (colocar uma pitada na água, desprezar na hora de bater e colocar outra quando voltar ao fogo)
- Cenoura com ricota defumado ralado
- Beterraba com hortelã e cheiro verde

Criatividade com bom gosto!

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