Nem que seja uma coisa, nem que seja normal

As crianças do Mario Jeannis nunca tinham ido à praia. Ouviram falar, muitos contaram da beleza e da água caribenha, límpida e mais azul do que o próprio céu. Todos sempre quiseram ir, mas nunca tiveram a oportunidade. No dia em que amigos da família contrataram uma van para levar todos à praia, muitos quase não podiam se conter.
Assim que chegaram, teve um que simplesmente saiu correndo em direção à água. Não sabia nadar, mas isso não importava. Entendo esse guri que simplesmente se jogou. Parece que o mar simplesmente chama, né? Tem algo de hipnotizante ali, que nos faz cometer loucuras, como surfar ondas gigantes ou nadar até onde não dá pé.
Talvez o dia na praia da família de Mario Jeannis tenha sido um dia normal. Claro, foi a primeira vez das crianças, mas toda criança tem sua primeira vez no mar. Tirando o guri que quase se afogou e de todos terem se divertido o tempo todo, só parando para retomar o fôlego, olhar o horizonte de dois azuis se encontrando e voltar a rir com a família, esse foi um dia normal.
Mas às vezes isso é tudo o que aquelas crianças precisavam, sabe? Um dia que nós chamamos de normal, mas que para elas foi único — e, talvez, literalmente o único de suas vidas.
Sempre pensamos que não podemos fazer muita coisa, mas alguma coisa podemos fazer. Nem que seja uma, nem que seja “normal”.
foto: Ruben Celeti