5 coisas que eu aprendi com o NaNoWriMo em 2016 — Parte 1

Minha ideia era trazer esse post bem antes, mas por motivos de falta de organização (e compromissos inesperados) acabei deixando para depois. Mas ainda está valendo, então decidi compartilhar meu aprendizado com o NaNoWriMo (muito embora Divindade Artificial esteja parado ultimamente, mas isso é assunto para outro post).

O NaNoWriMo é para muitos um desafio. É uma ótima forma de dar um gás naquele seu projeto, mas também é uma ótima chance de ganhar um pouco de autoconhecimento devido à dinâmica de metas diárias e registro do processo. Em todas as edições de que participei (participo desde 2014), mesmo naquelas em que não ganhei, aprendi uma coisa ou outra sobre o meu processo de escrita.

Saiba mais sobre Interligado/Divindade Artificial.

É algo muito particular, é claro: cada escritor é uma pessoa única, então o que deu certo para mim pode não funcionar com você. Mesmo assim, acho interessante compartilhar o meu aprendizado, porque vai que você resolve testar e dá certo?

Então vamos ao meu aprendizado com o NaNoWriMo de 2016 (o primeiro que eu venci!):

1. A escrita dos primeiros capítulos serve para eu sentir a história

É algo que eu já vinha percebendo há um tempo, mas só nessa última edição do NaNoWriMo que eu entendi que é algo inevitável no meu processo criativo. Eu costumo fazer um planejamento capítulo a capítulo e fichas simples dos principais personagens antes de começar, mas muito do planejamento acaba mudando depois que eu escrevo os primeiros capítulos, porque eu vejo que determinado personagem não é bem assim, tal acontecimento não parece tão relevante, outro capítulo precisa ser adicionado lá no começo.

E durante essa primeira escrita é que eu descubro sobre o que eu quero falar nas entrelinhas — nem sempre é aquilo que eu planejei lá no esboço dos primeiros capítulos. No caso de Divindade Artificial, por exemplo, minha ideia era discutir a dicotomia tecnologia versus tradição. Mas, conforme eu avançava pelos capítulos, eu percebia que a história não era bem sobre isso, e tentar adicionar essa discussão à força não estava ajudando a história a se tornar melhor. Agora eu vejo que na realidade Divindade Artificial é sobre a forma como usamos a tecnologia e, antes disso, sobre crimes, inteligências artificiais e uma pessoa que é obrigada a seguir uma carreira que ela não ama (mas isso, também, é assunto para outro post).

2. Gráficos me motivam

Ver as barrinhas subindo no NaNoWriMo deu um gás a mais no meu ânimo para escrever, e muitas vezes acabei escrevendo em dias em que normalmente deixaria a coisa de lado só para ter o gostinho de bater a meta e ver a barrinha do dia maior que a do dia anterior. Estou estudando a possibilidade de adotar os gráficos para a vida.

3. Não dá para escrever todos os dias

Inclusive saiu um texto que toca nesse assunto no The Bookworm Scientist: um relato honesto sobre o mês mais louco do ano.

Confesso que sempre fui resistente a essa ideia, e acabava me irritando nos dias em que, por algum motivo ou outro, não dava para escrever, ou pelo menos eu não conseguia me dedicar tanto quanto queria. Mas, infelizmente, é algo de que, algumas vezes, não dá para escapar. É possível sim dizer não a certos compromissos (especialmente se eles não são do seu interesse), mas, algumas vezes, imprevistos acontecem, e sempre há aquele compromisso que vale muito a pena.

E, convenhamos: todo mundo precisa de uma pausa de vez em quando, mesmo quando se trata de algo que amamos. Dito isso…

4. É possível recompensar os dias que não renderam

Durante o mês de novembro, houve dias em que eu não consegui escrever, mas em outros cheguei a alcançar algo em torno de 4 mil palavras, e no final bati as 50 mil.

E você pode, ainda, planejar com antecedência quando você vai ou não escrever (mas eu recomendo que você tenha uma agenda organizada para poder ter um panorama dos seus compromissos). Por exemplo: ano passado, de quinta-feira, eu costumava ter aula de pilates das 20h às 21h. Depois de chegar, eu ainda tinha que comer alguma coisa, dar remédio para os gatos e tomar banho; dificilmente eu conseguia sentar para escrever antes das 23h, e eu tinha aula sexta de manhã, o que significa que eu tinha que levantar às 6h da manhã. Durante grande parte do tempo eu me frustrava com o pouco tempo que eu tinha para escrever na quinta, até que eu percebi que poderia programar aquele como o meu dia de folga da escrita e acabar com os sentimentos de culpa e/ou frustração.

Mais um exemplo: dia 12 de novembro aconteceram as NaNo palestras em São Paulo, um evento em que eu queria muito ir (e fui!). Esse é o tipo de compromisso para o qual eu digo sim (e valeu muito a pena), mas, como eu não moro em SP, cheguei tarde em casa, então eu dificilmente iria escrever. Porém, sabendo de antemão o que está na minha agenda, eu poderia ter redistribuído minhas metas de escrita ao longo da semana para recompensar esse dia em que não escrevi.

5. Ter metas semanais

O NaNoWriMo é uma meta mensal: 50 mil palavras em 1 mês. Mas também propõe metas diárias: 1667 palavras por dia.

A meta diária serve para deixar a coisa mais palatável. Pensar em 50 mil palavras assusta, mas 1667 palavras por dia parece algo realizável. Talvez alguns achem desafiador, talvez outros tirem de letra — cada um tem seu processo criativo.

Mas, como eu falei, tem dias em que não dá para escrever, seja porque você determinou que teria um dia de folga na semana, seja porque tem um compromisso legal ou do qual não dá para escapar. Aí não tem como cumprir a meta diária. Mas tudo bem, porque amanhã e depois (ou mesmo alguns dias antes, se for algo programado) você pode recompensar, e assim bater a meta semanal.

Ou seja, ter uma meta semanal te dá flexibilidade para rearranjar as metas diárias de acordo com o tempo que você tem disponível a cada dia. Afinal, você não virou escritor para ficar cumprindo horário, certo?

Mas, ainda assim, eu acho legal ter a meta diária. Por exemplo: se eu vejo que tudo conspirou a favor de eu ter as minhas 3h a 4h diárias de escrita, não vou parar de escrever enquanto não bater a meta do dia. Tem coisas de que realmente não dá para escapar, mas também não dá para procrastinar por procrastinar.


Como você já deve ter percebido, essa é só a parte 1 — em breve tem mais, e eu pretendo ainda falar sobre os meus problemas atuais com Divindade Artificial. Para não perder, basta me seguir aqui no Medium. Se gostou, não deixe de recomendar o texto para os seus seguidores.

Este texto foi originalmente publicado no blog Sonhos, Imaginação & Fantasia no dia 17/02/2017.


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