A companhia de Neruda

Poesia é algo que sempre me traz um certo aconchego. É como um refúgio em meio a rotina e ao caos do cotidiano, meu “oásis sensorial”. Também funciona como um complemento à fluidez dos sentimentos que vez por outra incidem. É, em síntese, um deleite aos sentidos, um transbordamento de emoções, a vazão para algo que está além, que transcende.

Chegando de uma tarde na praia, ainda energizado pela experiência de vivenciar o entardecer sob a água morna e tranquila do mar de João Pessoa, com as imagens do horizonte lilás e alaranjado irradiando suas luzes como cenário de fundo, eis que eu mergulho em águas mais densas e turvas, no mar da poesia de Pablo Neruda.

Seu livro Cem Sonetos de Amor tem sido uma companhia constante das madrugadas insones, onde eu busco na verve romântica da poética do ícone chileno um acalanto e uma elevação dos sentimentos sobre amor, paixão, desejo, comunhão.

Fluir o amor romântico através dos sonetos desse livro é como um alimento à alma, dá vazão aos anseios mais reclusos e acessa recônditos inexplorados numa vivência rotineira. Eu preciso acessar essas veredas para que minha humanidade seja permeada da pulsão e da beleza desse romantismo, para sentir que ainda há validade em sonhar com o amor palpável e belo — ainda que no plano dos sentimentos idealizados.