A Tentativa

(…)

No último final de semana, entre as páginas de um livro, encontrei uma folha meio amarelada. Nela, um curto texto, redigido à caneta (numa caligrafia bastante caprichada):

“É tão difícil dizer com precisão qual foi a última vez em que amei alguém… não lembro quando foi a primeira vez em que achei que amei e, para ser bem sincera, nem sei se já amei verdadeiramente.
Tentei, algumas vezes, amar de um jeito que não fosse fraternal. Tentei amar o amor entre duas pessoas que intencionam compartilhar entre si aquilo que acham ser o seu melhor. Mas fracassei grandiosamente nessas tentativas. 
Até me entreguei às possibilidades de viver paixões intensas. Mas esbarrei na vida real, aquela que me faz desistir antes mesmo de ser abraçada pelo equívoco. 
Quer saber? Eu nem tentei amar. Por medo mesmo (de “levar um fora”, ser desprezada, sentir meu ego ferido, ser traída…). 
Não tentei por medo de me envolver além da conta e amar como nunca antes amei na minha vida. Não tentei por medo, de encontrar no amor aquilo que chamam de felicidade e não saber o que fazer com ela. 
Ou não tentei porque nunca tive chance… de tentar amar e ser amada ou de simplesmente, encontrar quem valesse a tentativa.”

Quanto à dor do texto, pareceu-me bastante familiar. Me fez pensar se tudo aquilo tem a ver comigo ou se era apenas um texto, entre as páginas de um livro. 
Reconheci a letra. Era minha.

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