Meninas pra lá, meninos pra cá

A rivalidade (antes restrita ao Xou da Xuxa) migrou para o mundo dos adultos

Antes de qualquer coisa, eu quero deixar bem claro que nesse texto, eu não vou problematizar (mais ainda) questões sérias como violência contra a mulher (seja na forma de assédio, estupro ou atentado contra a vida), misoginia, misandria, patriarcado, privilégios afins… nada disso. Até porque, as pessoas já se ocupam muito disso em outras mídias sociais e eu não vou fazer daqui um espaço para esses debates.

Eu apenas gostaria de mencionar algumas coisas que me incomodam quando o assunto é o convívio entre homens e mulheres, numa sociedade que já cresceu vendo “meninos contra meninas” nas gincanas de programas televisivos.

Parece que a ruptura com os chamados “padrões de gênero” ao mesmo tempo tem ditado comportamentos e, curiosamente, impondo outros padrões. 
O que eu mais vejo nos textos elaborados pela comunidade universitária, em textos não acadêmicos, é o uso das letras “x” ou “e” em algumas palavras (“amigxs”, “todes”, por exemplo), como demonstração de “empatia” através da escrita. Se num desses textos eu usar “amigos(as)” ou “todos(as)”, eu corro o risco de ser mal vista? Sim. Mas por quê?
Não faço a mínima idéia mas, eu não consigo adotar uma nova regra ortográfica não-oficial só para parecer “empática”. 
O que as pessoas precisam entender é que, não usar essa m… de “x” ou “e” no lugar das letras “o” ou “a” não vai tornar mais legal quem escreveu o texto.

Não existe “coisa (atividade) de homem” e “coisa (atividade) de mulher”. 
Se você, rapaz, reclama que sua mãe não passou direito a sua camisa de trabalho, aprenda a ligar a porcaria do ferro e a passar (e dobrar) suas próprias roupas. Deve existir algum tutorial no YouTube sobre como fazer isso.
E se você, moçoila, fala que “não existe ‘coisa de homem’ e ‘coisa de mulher’”, parabéns por trocar sozinha o botijão de gás e a resistência do chuveiro! 
E para ambos, um recado: vocês podem sim, matar barata voadora (e também podem gritar, fazer escândalo e sair correndo para fora de casa se sentirem medo).

É muito tosco quando um grupo de homens se reúne (seja onde for) para falar mal das mulheres (usando adjetivos não tão cordiais) ou avaliá-las (por atributos físicos ou desempenho sexual). Meu caro, sinto informá-lo mas, seu falo não cresce se você for esse tipo de pessoa. 
Não faça isso, principalmente em locais públicos, onde qualquer pessoa possa ouvir. Parece coisa de chimpanzé tentando provar capacidade de liderança no meio do bando. Parece coisa de homem mal-resolvido, traumatizado por desprezo ou traição.

Igualmente tosco é quando mulheres gastam seu tempo (entre si) falando mal dos homens (usando adjetivos não tão cordiais), num efeito manada (uma faz, as outras fazem também). 
Meses atrás, eu passei duas semanas num curso importante (relacionado a tecnologia) onde 15% do tempo foi desperdiçado com lamúrias (sobre como “os caras do meu trabalho me desprezam”, “não me chamaram para o churrasco da firma porque sou mulher”) ou com piadas sobre “macho escroto”, “ômi”. 
Se você sente raiva deles, para que perder tempo falando sobre eles? Para que desperdiçar energia falando mal deles? Fale sobre coisas que você julga mais interessantes. E “segue o jogo”.

O que tem me deixado confusa nesse processo social de negação dos “padrões de gênero” é que tanto homens quanto mulheres têm feito as mesmas coisas que criticavam uns nos outros. 
Vou deixar com vocês essa reflexão sobre as atitudes…

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