O matadouro
Relato de um cotidiano sem propósito

Naquela conexão entre as estações Paulista e Consolação (sobretudo quando está abarrotada), eu acho inevitável não comparar os humanos aos animais rumo ao matadouro.
Alguns caminham semi-mortos, ansiosos por um cochilo na esteira rolante (não se importando com a pressa alheia).
Durante nossa vida (escolar), nossa “engorda” é voltada justamente para abastecer o mercado de trabalho (local de abate dos sonhos).
O abate é a instabilidade empregatícia, o assédio moral, a gradativa perda da saúde (especialmente a psicológica), esse ciclo de “ganhar dinheiro para pagar as contas”.
Começo a entender o motivo pelo qual cada vez mais pessoas me perguntam se eu já encontrei o sentido da vida (antes eu pensava “Qual droga essa pessoa usa?”). Elas estão desorientadas, apenas.
Mal sabem elas que eu também faço parte do rebanho que as acompanha rumo ao matadouro.

