O visitante
(Um conto +18)
Já passava das onze e meia da noite quando saí do banho e fui ao meu quarto para vestir o pijama, deitar e ler um livro antes de dormir. De repente, meu telefone toca — o que é raro, visto que todo mundo sabe que não gosto de ligações telefônicas. “Como assim? Ele me ligando? Que estranho…”

“Oi. Desculpe ter vindo aqui sem que você tenha me convidado mas, estou aqui na frente da sua casa.”
“Hahahahaha que engraçadinho…”
“É verdade. Depois de ontem, eu precisava ver você.”
Tentei lembrar o que havia acontecido no dia anterior, além da correria no trabalho, da volta às aulas… mesmo incrédula (porque ele mora do outro lado da cidade), vesti um roupão e saí.
Lá fora, diante do portão, lá estava ele.
Fazia tempo que não nos víamos, afinal, moramos distantes um do outro e nossa rotina é bastante atribulada (trabalho e estudos nos toma muito tempo). Vez ou outra nos falávamos por mensagens e só.
“Não acredito que você veio!”, eu disse.
“Nem eu acredito, mas eu precisava vir.”
Eu o convidei para entrar e, assim que fechei a porta de casa, ele pegou minha mão. Me puxou em sua direção e me abraçou. Um abraço forte, como se quisesse quebrar meus ossos.
Senti sua respiração ofegante e, depois de tanto tempo, revivi a mesma sensação de acolhimento que seus abraços me traziam durante nosso último encontro.
Sua mão (imensa, comparada à minha) tocou meu rosto e nos beijamos. A princípio, delicadamente, enquanto sua outra mão encarregou-se de desamarrar meu roupão, revelando a ele o meu corpo nu.
Quando nos demos conta, estávamos em minha cama. Ele, ainda vestido, me beijava agora de modo lascivo. Seus lábios puseram-se a deslizar pelo meu pescoço e suas mãos, massageavam meus seios.
Eu ainda não havia me dado conta de que era real, de que ele realmente havia atravessado a cidade para estar ali, em minha cama — onde, em outras ocasiões ele já havia deixado seu perfume.
Então eu lembrei do que havia acontecido no dia anterior. Eu havia lhe enviado uma foto minha (nada explícito, é bom que se diga), que provavelmente tenha, de alguma forma, despertado sua imaginação.
Quando me dei conta, seus beijos percorriam cada centímetro do meu corpo, me fazendo sentir arrepios. Ele sentia meu sabor e parecia querer mais, porque não parava — apesar dos meus gemidos e do meu corpo se contorcendo.
Foi quando sua boca novamente encontrou a minha e nos beijamos, de um modo meio desesperado, como se o mundo estivesse acabando. Nesse momento, eu o senti, inteiro em mim. Como se fôssemos um só, em sincronia.
Agora, era eu quem o abraçava apertado, enquanto arranhava sua costas e sentia suas mordidas. Parecíamos dois selvagens; éramos puro instinto, até o ápice. Nós dois, juntos, até a exaustão.
Depois disso, ele me aninhou em seu abraço, como se fosse um anjo da guarda a velar meu sono. Me beijou ternamente e adormeceu comigo.

