“Qual o sentido disso tudo?”

Eis a pergunta que eu me faço desde que vim ao mundo

Ontem eu encerrei mais um ciclo da minha vida de estudante. 
Depois de receber do meu orientador a nota do meu trabalho de conclusão de curso, recebi também os parabéns da banca examinadora (“Muito bom o seu trabalho!”, “Parabéns!”, “Enfim, formada!”…).

Dei a notícia à minha família, aos poucos amigos próximos, à quem sabia que ontem seria a apresentação do meu trabalho e, que de alguma forma, torceu para que tudo corresse bem.

O curioso é que eu não consegui sentir nenhuma alegria nisso. É meu segundo diploma e, pela segunda vez na minha vida eu me pergunto: “Tá. E aí?”. Eu deveria estar contente? Não sei. Eu poderia estar? Talvez. Mas eu não consegui.

Não tive vida social nos últimos meses (meus raros momentos de lazer se resumiram a algumas idas ao estádio de futebol — que fica relativamente perto da minha casa — , ver o meu “time do coração”), meu sono foi afetado, não tive mais tempo para escrever (por prazer), o stress fez com que um vaso sanguíneo do meu globo ocular se rompesse (mas já resolvi isso)… resumindo: foi uma merda essa fase de término de curso.

Pela minha cabeça passou apenas a vontade de perguntar às pessoas que inocentemente (e com a melhor das intenções) me parabenizaram: “Parabéns pelo quê?”. No fundo, a minha vontade era de gritar até os vidros das janelas estourarem.

O que exatamente quer dizer ter um diploma? Menos gente com quem dividir a cela em caso de condenação por infringir a Lei? (Não que isso passe pela minha cabeça. Aliás, meu nome só aparece em boletins de ocorrência como testemunha ou vítima; nunca como ré).

Eu só preciso dormir…

Ontem eu cheguei em casa cansada (exausta, para dizer a verdade), com a sensação de um peso a menos nas minhas costas. Não senti alegria, não sorri, não senti nada além de exaustão. Tudo o que eu queria era um banho quente e dormir em paz. Apenas isso.

O título deste texto é exatamente a pergunta que estou me fazendo nesse exato momento. Eu me sinto vazia, e não sei se esse é o sentido da vida: vivê-la para se sentir cansada — e vazia.