Fora da linha

Renan Serrano une moda e tecnologia na marca Trendt e cria spray capaz de substituir a lavagem de roupas

Por Luiza Terpins // Foto Vitor Pickersgill

[publicada na seção Decolagem da edição 184/julho da Revista da GOL]

Em março, o estilista Renan Serrano, 29 anos, embalou suas criações e voou para os Estados Unidos. Na mala, vários frascos do Biosoftness, spray que protege tecidos de bactérias e preserva o odor, reduzindo o número de lavagens. A viagem foi para participar do South by Southwest, um dos principais festivais de tecnologia e inovação do mundo, onde apresentou o produto criado em 2015. “Quero tornar a vida mais prática e ajudar o meio ambiente”, conta o paulistano formado em moda. Com a invenção (à venda a partir de R$ 65 no biosoftness.com), ele venceu o prêmio Ecoera 2016 na categoria Planeta e foi aprovado em primeiro lugar no mestrado em bioquímica da USP.

Esse não é o primeiro projeto de Renan voltado a um estilo de vida sustentável e funcional. Sua marca de roupas, a Trendt, fundada em 2011, já desfilou na Casa de Criadores e vestiu nomes como a artista Marina Abramović. Um dos diferenciais é usar malhas que controlam a temperatura corporal sem parecer roupa esportiva. Ele explica: “Vejo a moda como ferramenta, não apenas como design”. Recentemente, aprendeu com índios da Amazônia sobre fibras de árvores — e como transformá-las em tecido — e foi a Barcelona, na Espanha, fazer um curso de design e inovação. Também tem estudado programação e ciência dos dados. “Agora, estou desenvolvendo um projeto que envolve tecidos e IoT [internet das coisas], com o qual poderemos monitorar, por exemplo, se uma roupa está sendo provada, mas não vendida.”

A relação que o estilista tem com a tecnologia lhe rendeu convites para trabalhar com marcas como Adidas, Fila e, em maio deste ano, Olympikus. Para esta última, criou uma camiseta para o técnico Bernardinho com fios de uniformes usados nas principais vitórias da seleção brasileira de vôlei. “Costumo falar que sou um hacker da moda, sempre tentando mudar o sistema.”

Por que unir moda e tecnologia?

Uma das coisas que mais curto na tecnologia é o open source [conhecimento aberto], os projetos na internet que todos podem usar. Já a moda não tem isso e, mesmo assim, as pessoas copiam. Com meu trabalho, tento tirar essa ansiedade de comprar e vender o tempo todo. Ninguém precisa de muita coisa.

Como surgiu o Biosoftness?

Em 2015, viajei a Paris e voltei com bed bugs [percevejos de cama]. Senti necessidade de ter um produto natural que matasse insetos e bactérias e preservasse as roupas. Fiz pesquisas e, com a ajuda do meu sócio, João Jönk, chegamos ao spray, feito com óleos naturais.

Onde busca inspiração?

Gosto de viajar e observar a relação das pessoas com as roupas. Mesmo em São Paulo, vivo como turista: não tenho celular, só para usar internet, nem carro. Ando de patinete. Isso me traz novas ideias.