O museu é pop
Alguns espaços do Brasil e de fora estão apostando na interação para atrair visitantes — e tem dado certo

Semana passada eu finalmente fui à Pinacoteca. Desde que soube que o espaço estava com o projeto A Voz da Arte em parceria com a IBM, fiquei empolgadíssima e aproveitei minhas férias para conhecê-lo.
A proposta é inovadora: eles aplicaram em algumas obras o Watson, sistema de computação cognitiva, para que os visitantes tivessem um passeio mais interativo. Graças à tecnologia, é possível fazer perguntas ou pedir para as obras 'contarem' alguma curiosidade sobre o quadro, o artista, ou até mesmo sobre a época em que foram feitas. Basta pegar na entrada o fone de ouvido com microfone e um iPhone que tem a interface instalada e ela vai te guiando dentro do museu. Esse texto, publicado por Fabrício Barth, da IBM, explica um pouquinho como tudo funciona.
Achei sensacional. Vale a pena para quem estiver em São Paulo até 5 de agosto, último dia da mostra. Foi muito bacana ver crianças curtindo o passeio e achando graça em fazer perguntas para um quadro. Isso só mostra como a união entre museus e tecnologia têm um super potencial.
Coincidentemente, na última quinta-feira, acabei caindo em um artigo no LinkedIn que falava mais ou menos sobre isso. O link é esse aqui: O movimento maker como forma de potencializar os museus.
A autora, Gabriela Agustini, é co-fundadora do Olabi, espaço maker no Rio de Janeiro, e comenta no texto como novas iniciativas podem aproximar a audiência e contribuir para a difusão da cultura.
Ela cita alguns exemplos, como o do Metropolitan Museum of Art (Met), de Nova York, que no início do ano disponibilizou cerca de 375 mil obras digitais para que o público reutilizasse como quisesse, e do Rijksmuseum, na Holanda, que também liberou o acervo e ainda criou um prêmio para produtos criados a partir dele — ideia sensacional, aliás.
Há uns três anos, lembro que fiquei bem empolgada com o #EmptyMet, projeto do fotógrafo americano Dave Krugman junto com a equipe de marketing do Met.
A proposta era deixar fotógrafos e influenciadores, principalmente do Instagram, explorarem o espaço fora dos horários de visita. A ação rendeu imagens incríveis e inusitadas postadas com a hashtag #emptymet e fez com que o perfil do museu passasse de 4 mil seguidores para quase 200 mil em pouquíssimo tempo–e, claro, também atraísse mais visitantes. Inspirados no projeto, outros museus espalhados pelo mundo entraram na onda, caso do Museu de Vancouver e do Tate Modern, de Londres.

Por aqui, esse projeto, exatamente, não pegou, mas de uns tempos para cá outras iniciativas têm colocado os museus na programação dos brasileiros. A arte está ficando, de certa forma, cada vez mais pop.
Segundo o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), em 2015 os espaços receberam 675.140 visitantes a mais do que em 2014. Todo ano também acontece a Semana dos Museus, data em que várias instituições promovem atividades especiais para comemorar o Dia Internacional de Museus, comemorado em 18 de maio. No ano passado, o evento gerou um aumento de 79% no número de visitantes.
Em 2014, quando a exposição Obsessão Infinita da artista Yayoi Kusama passou pelo Brasil, o que mais tinha era gente indo visitá-la para depois postar nas redes sociais uma foto na sala das bolinhas.

A arquitetura moderna do Museu do Amanhã, no Rio, também entrou para a lista dos principais programas turísticos da cidade. Ah, e sem falar no Inhotim, em Minas Gerais, que desde o ano passado é palco até de festival de música.
Se as coisas continuarem assim, tudo indica que, um dia, quem sabe, aquela ideia de que brasileiro só vai a museu quando viaja para fora do país vai virar coisa do passado. Tomara.

