O goleador esquecido

18 de Maio de 2000, Atlético de Madrid 2–1 Mallorca. O sérvio Veljko Paunović abre o placar aos 5 minutos de jogo. Samuel Eto’o empata para o Mallorca e Santiago Solari fecha o placar para o Atleti as 31 do primeiro tempo. A vitória não impediria o rebaixamento do Atlético de Madrid para a segunda divisão espanhola, que terminou aquela temporada na décima nona posição. Além do descenso, o time teria outro baque: a saída de uma das suas estrelas, o holandês Jimmy Floyd Hasselbaink. Uma cláusula no contrato de quatro anos do jogador que veio do Leeds United previa a liberação em caso de rebaixamento, e foi o que aconteceu.

Em sua estadia em Madri, Hasselbaink jogou 47 vezes e marcou 35 gols. Seu destino em Maio de 2000: Londres, Inglaterra. Mais precisamente, um ainda não tão rico Chelsea. O holandês foi o recorde de contratação do clube na época, sendo comprado por 15 milhões de libras. Ele voltava para a Premier League após pouco mais de um ano.

Apesar de ainda não ter o apoio financeiro de Roman Abramovic, que viria a comprar o clube de Ken Bates em 2003, o Chelsea da temporada 1999–00 chegou até a Copa da UEFA, ficando na quinta posição na Premier League, atrás de Manchester United, Arsenal, Leeds United (ex-clube de Hasselbaink) e Liverpool. A chegada do goleador iria agregar mais ainda ao time que tinha craques como Marcel Desailly, Didier Deschamps, Gianfranco Zola e até um George Weah em fim de carreira.

Na primeira temporada de Hasselbaink pelos Blues, 23 gols e o título de artilheiro da Premier League. O jogador teve atuações memoráveis, como quando marcou 4 gols na goleada do time contra o Coventry County. O time acabou na sexta colocação. Em Setembro de 2000, sai Gianluca Vialli, entra o ex-técnico de Hasselbaink no Atlético de Madrid, Claudio Ranieri. A decisão foi contestada por muitos jogadores, incluindo o holandês.

Na temporada seguinte, Hasselbaink marcou os mesmos 23 gols. Mas perdeu a artilharia para Thierry Henry, e empatou com um mortal Ruud van Nistelrooy, ambos no auge de suas carreiras. O jogador foi mais decisivo, fazendo um hat-trick contra os rivais do Tottenham e fazendo uma parceria dentro e fora de campo com o islandês Eiður Guðjohnsen — a parceria rendeu 52 tentos para o Chelsea naquela temporada.

Em 2002, dois baques para Hasselbaink: a Holanda não se classificaria para a Copa do Mundo daquele ano e o jogador teria de passar por uma cirurgia na perna direita para aliviar o bloqueio de uma artéria que impedia uma boa circulação na perna.

Na temporada 2002–03, Hasselbaink perderia muito tempo de jogo, devido o novo sistema de rotação do técnico Claudio Ranieri. Além disso, o italiano formava o time ao redor do seu compatriota, Gianfranco Zola. Hasselbaink acabou jogando 44 vezes naquele ano, mas marcando apenas 15 vezes.

Jimmy quase parou no Barcelona naquela temporada. O time catalão negociou com os londrinos no meio da temporada, durante a janela de transferência de Janeiro. O técnico do Barça, Louis Van Gaal, era admirador de Hasselbaink e ofereceu 7.5 milhões de libras por ele. A ideia era usar o holandês com o seu companheiro de seleção Patrick Kluivert no ataque do time do Camp Nou.

A negociação terminou devido o status do técnico holandês no Barcelona. O clube divulgava que havia um embargo de transferências, mas o que indicava-se era que os catalães não queriam contratar jogadores indicados por Van Gaal, já que ele seria demitido em breve — o que realmente aconteceu.

Em sua última temporada pelo Chelsea, Hasselbaink chegou longe. Era 2003–04, ano dos Invencíveis de Arsene Wenger. O Arsenal dominou a temporada sendo campeão com 90 pontos e invicto. O Chelsea chegou em segundo, mas foi longe na Liga dos Campeões da Europa, chegando até a semi-final e perdendo para os vice-campeões, Mônaco por 5–3 no placar agregado. Hasselbaink jogou ambos os jogos e lutou até o fim para a classificação do Chelsea, na competição o jogador marcou 2 gols em 8 jogos, finalizando a temporada com 44 jogos e 18 gols.

Com 32 anos, chegava ao fim a carreira de Hasselbaink pelo Chelsea. O goleador deixou Stamford Bridge após quatro temporadas, 177 jogos e 88 gols. A competição por um lugar no ataque dos Blues já não era a mesma, naquele mesmo ano, ele já contava com a companhia de Hernán Crespo e Adrian Mutu no ataque. No meio de 2004, o Chelsea traria o que viria a ser um dos maiores jogadores da sua história, Didier Drogba, um jovem marfinense que vinha do Olympique de Marseille e tinha um potencial incrível.

Hasselbaink passou duas temporadas no Middlesbrough, tendo relativo sucesso. Ele ainda jogaria no Charlton Athletic e Cardiff City antes de se aposentar em 2008. O jogador fez parte de uma geração pré-Abramovic no Chelsea, e acabou sendo esquecido pelos jogadores, afinal, anos depois do sucesso dele pelos Blues, o time contrataria grandes estrelas para o seu ataque e teria sucessos inesquecíveis, mas é sempre bom relembrar os grandes ídolos como Jimmy Floyd Hasselbaink.

Desde 2013, Hasselbaink é treinador. Ele começou sua carreira fora das quatro linhas pelo Royal Antwerp, passando pelo Burton Albion, onde conquistou a quarta divisão da Inglaterra na temporada 2014–15. Seu último time foi o Queens Park Rangers, onde ficou de Dezembro de 2015 até Novembro de 2016, fazendo uma pífia campanha na segunda divisão.