Falando dele, um relógio da Apple criou um problema de intimidade para a tecnologia pessoal. “O que acontece quando isso sai da tela do computador e se torna parte de nossos corpos?” diz Daan Roosegaarde, que dirige o homônimo estúdio de design na Holanda. “De fato, que tipo de novo protocolo ou rituais nós teremos, se as coisas como essas se tornarem parte do nosso novo padrão?”

Roosegaarde é o criador do conceitual vestido Intimacy 2.0, que virou notícia em Fevereiro por iniciar uma transformação para transparência quando o clima fica quente e incomodante. Ele quer desenhar uma linha entre tecnologia “interativa” — o que nos mantém colados nas telas — e um tipo de vestuário mais passivo que reflete seu estado mental mudando suas cores e formas.

O vestido, que não foi comercializado ainda, é uma visão um pouco refrescante em um futuro não-nerd de computação vestível, totalmente diferente do Google Glass ou o mind-melding da Singularity.

O vestido Intimacy 2.0 é ativado pela proximidade e sensores de frequência cardíaca, respectivamente, e seu estado naturalmente opaco que se transforma em vários níveis de transparência quando uma pequena corrente elétrica percorre a “e-folha”. Geralmente, quando vestuários envolvem eletrônicos, é do tipo “beep boop” com LEDs piscantes e uma bateria de 9v. “Nós sempre fomos fascinados por essa noção de segunda pele, de fazer coisas do tipo que te façam sentir vivo” diz Roosegaarde. “Um dia nós decidimos realmente aplicar isso na moda, onde essa noção já é presente, mas queríamos fugir do LED, das coisas RGB”.

Como computação vestível deveria funcionar

Ao invés de acessórios ou distração, Roosegaarde está pensando em computadores vestíveis como extensões dos mecanismos corporais como ficar corado ou transpirar. “Alguns elementos do seu corpo, embora seja seu corpo, estão fora de seu controle como ser humano”, ele diz. “Quando você para de respirar, você irá desmaiar, mas depois de um tempo, seu corpo se recupera novamente, por assim dizer. Eu gosto desses tipos de mecanismo, que estão por dentro de você”.

Roosegaarde diz que esse tipo de comportamento responsivo já é comum na web, e trazer isso às roupas é uma extensão natural. “Essa noção de transparência, nós já vivemos nesse mundo. De certa forma, nós só o fizemos bastante visível. Mas para mim já é um reflexo de nossa realidade.”, ele diz.

“Eu amaria ter alguma coisa que só reagiria de certa forma quando certa pessoa está lá, e então quando outras pessoas, ela estaria simplesmente neutra. Da mesma forma, quando você fala com seu namorado, você tem uma conversa diferente do que teria comigo. Ambas são em Inglês, ambos somos homens, mas você contaria histórias diferentes. De alguma forma, eu amaria ter coisas que têm um tipo de história, por assim dizer. Ou fazer noções pró-ativas. Talvez até combinadas. Como na Amazon, quando você compra um livro ‘Olá, talvez você goste deste e deste livro também porque seus amigos os compraram.’. E se sua roupa começasse a fazer sugestões de alguma forma? Talvez seja bastante irritante, talvez bastante interessante. Deixe-nos descobrir”

Design responsivo IRL

“Há uma diferença entre responsivo e interativo. Responsivo é quando eu lhe dou um impulso, e você se afasta. Interativo é quando você bate de volta e nós começamos um novo diálogo, por assim dizer. É o mesmo com seu ouvido, quando você fala comigo, nós temos uma conversa, mas quando nós vamos à discoteca, há tento barulho, nossos ouvidos começam a se calibrar. Tornam-se, quase para se defender, menos sensitivos. Da mesma maneira, nosso software faz isso também. Com todas as nossas peças, como Dune e outros designs, se há certa ação que acontece frequentemente, elas começam a tornar-se “imune” e filtram aquilo, fazendo com que o participante comece a tentar alguma coisa diferente. As pessoas julgam mal isso às vezes, dizendo ‘Isso não funciona mais’ e nós dizendo ‘Não, não, não. Não é feito pra mudar dessa forma’. Eu acho que é importante mantê-lo aberto às influências das pessoas.”

A partir de uma perspectiva de sistemas, o vestuário deveria ser a camada de display, ele diz. “Como em todo sistema, você tem um input, um processador e um output. O processamento é o microchip e o firmware, o comportamento e humores, nós programamos; o input pode ser basicamente qualquer coisa, claro. Isto é conectado ao coração, ou o indicador do olho. O output é a própria folha”, ele diz.

A folha em si apresentou-se a ele um dia enquanto estava visitando um laboratório de papel eletrônico, na Alemanha. “Sempre houve algum material em um canto com alguma poeira nele. Eu perguntei a eles ‘O que é isso?’ Eles disseram ‘Ah, isso não é muito interessante. Nós estamos trabalhando em telas ou displays flexíveis e a única coisa que este material faz é mudar de branco para transparente.’. Imediatamente teve meu fascínio, claro. O material na verdade é um tipo de papel eletrônico aprimorado que, em um nível microscópico, pode mudar de cor quando nós levemente o ligamos.”

Roosegaarde levou a e-folha para seu próprio estúdio em Rotterdam e definiu seu time de designers, arquitetos, desenvolvedores de softwares e “jovens-magos” eletrônicos para trabalhar. Eles gastaram os 10 meses seguintes tornando o material à prova de raios UV, mais flexível, e o aparelhando com um sistema de microchip incorporado que poderia ser desencadeado por vários sensores. Então ele o trouxe a 2 jovens designers de moda holandeses — Maartje Dijkstra e Anouk Wipprecht — para desenhar os dois primeiros vestidos protótipos vestíveis, Intimacy White e Intimacy Black.

“Nós estamos trabalhando em um terno para homens, que torna-se transparente quando eles mentem”, diz Roosegaarde. “Ele é especialmente para o mundo bancário. Permite que nós vejamos como o futuro parece, como daqui dois anos.”

Via Fast Co.LABS

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Julio Fontes

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