Professor Designer de Currículos


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Imagine como seria frequentar uma escola diferente, que não somente te ensinaria a aprender, mas aprender a aprender. Que servisse realmente como um guia e te preparasse para o mundo no lugar de tão somente preparar para o vestibular — Quando muito, pois escolas públicas são hoje penitenciárias preventivas com seus muros e métodos inquisitivos — . Tudo diferente: sala de aula, grade, matérias e professor!

Já estão surgindo modelos de ensino e aprendizagem inovadores mundo à fora, e também novos tipos de professores, como os Professores Designers de Currículo. Estes desenvolvem currículos e projetos interdisciplinares, integrando tecnologia, para que seja possível desenvolver também habilidades em seus alunos que são imprescindíveis aos profissionais e cidadãos de hoje.

Com a opção de ministrar aulas além de projetá-las, esses professores designers visualizam a possibilidade de criar portais interativos para reunirem suas videoaulas ou ainda estimular os estudantes para que criem seus próprios blogs, onde poderão aprender colaborativamente com seus colegas, tutores ou até mesmo sozinhos.

Mas porque tecnologia?

A tecnologia tem papel em nossa vida desde o invento das primeiras ferramentas, depois a escrita, o papel, o lápis. Todos esses são recursos tecnológicos que de tão importantes para o dia-a-dia sequer são vistos como tal. Pensemos na internet sequer saiu da adolescência em seus 20 anos, e já se mostra tão importante aos negócios e aprendizados e diversão e estabelecendo-se como essencial para o mundo como se formou hoje. Extrapolando mais a relação, pensemos em uma pessoa incapaz de usar corretamente um bloco de papel e um lápis, e saberemos a importância de estar à par das evoluções e revoluções tecnológicas.

Mas nem tudo é tecnologia

Na escola norte-americana High Tech High, os docentes se reúnem diariamente para discutir como um específico conteúdo poderá se tornar um projeto que envolva ao mesmo tempo sua disciplina e as dos demais docentes. Tendo como um de seus pilares o professor como designer, a instituição empodera e dá responsabilidade ao professor de ser o guia de sua classe.

Com aulas mais duradouras e integração de disciplinas condizentes (como Matemática e Física, História e Filosofia), o aluno adquire uma visão geral sobre humanidades ou exatas, fazendo-os pensar mais criticamente sobre o assunto e desenvolvendo também suas habilidades cognitivas.

Não há como utilizar do jargão “pensar fora da caixa” se a escola insiste em sair de uma caixa de papel e ir para uma caixa digital, representados pelo power point ou tablet.

À esquerda, cena do filme Wall-E sobre um mundo de pessoas mais acostumadas à olhar para telas do que para rostos. À direita, escola Curitibana anunciada como escola do futuro devido a substituição de apostilas por tablets (Com o basicamente o mesmo conteúdo que a apostila). É preciso cuidado.

Como afirma Brian Waniewski, diretor de gestão do Institute of Play, esses professores serão os responsáveis por redesenhar a experiência do aprendizado, “o futuro da aprendizagem é o nosso futuro. O verdadeiro desafio de quem está desenhando um processo de aprendizado é preparar os alunos para um mundo que não podemos ainda imaginar como vai ser”.

A tecnologia ainda não foi capaz ainda de revolucionar a educação de maneira abrangente e suas melhoras muitas vezes consistem em polir a situação atual, isso porque anterior à tecnologia é preciso uma mudança de mentalidade. Há o uso da tecnologia, mas de modo à reproduzir aquilo que já existe numa outra roupagem, tendo como exemplo as vídeo-aulas do Youtube, onde poucas são as que não são apenas um professor em frente uma lousa reproduzindo aquele formato confortável de sempre.

Isso vem do fato da tecnologia estar sendo usada apenas como ferramenta de transporte de conhecimento e com intuito de modernizar o ambiente no lugar de transforma-lo. Qualquer tecnologia é passível de ser usada em sala de aula, desde um filme até a proposta de novos usos ao celular. É preciso, claro, pensar o papel da tecnologia na escola, pois há conhecimentos intangíveis à qualquer estudo “livresco”, sendo o grande fator que impulsiona a existência de escolas e professores é o contato pessoal com grandes mentes. Na ânsia de serem modernas no lugar de inovadoras, escolas transportam o material do impresso para a lousa digital sem perceber que o formato é secundário, e o que realmente precisa evoluir é o conteúdo e abordagens.

Se hoje o professor não é mais o detentor do conhecimento, não lhe cabe mais responder perguntas, mas sim fazê-las. O professor é o filtro entre a o dado [1] e informação [2]. Em um meio virtual cada vez mais hedonista, e que privilegia o contato apenas com nossos interesses , o papel do professor é alterar o raio de alcance do estudante e o levando à sair de situações de conforto.

[1]Em teoria da Informação, são os caracteres ou instruções básicas.
[2]Sendo informação aquilo que o dado comunica depois de tratado.

Futuro ou presente? É preciso fazer escolhas.

A escola do Século IXX e a escola do Século XXI. É preciso modelar nosso próprio futuro.

O Ministério do Trabalho dos EUA estima que 65% das crianças em idades escolar hoje, terão em sua maturidade profissões que não existem. Portanto, mesmo o ensino técnico que normalmente é visto como um estudo instrumental já não é mais capaz para ensinar hoje o que será necessário amanhã.

Há no Brasil experiências inovadoras em educação, em particular no ensino superior da Universidade Federal do ABC (UFABC) com seu bacharelado interdisciplinar em Ciência e Tecnologias e o Bacharelado em Ciências e Humanidades, onde foi lançado o projeto piloto que hoje aparece mesmo que timidamente em outras instituições mais tradicionais como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foco da visão internacional, a UFABC participa de convênios internacionais e tem como grande objetivo a criação de profissões do futuro, e desenvolvimento científico com a ampla participação da sociedade. Outro oásis de inovação é o curso de Ciências Moleculares da USP, que com ingresso diferenciado, é destinado à formação interdisciplinar de seus estudantes.

Ambos cursos têm gerenciamento quase que completo do próprio estudante, cabendo ao professor a orientação do currículo e estudos que se seguem, de modo que definem-se por seus conteúdos, adquirindo características que que artesanais.


Do Giz ao Tablet: por que a tecnologia não revolucionou a educação


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