No capítulo anterior (para ler, clique em capítulo 01: a doida dos signos): Stella e Rob são amigas que se encontram em uma festa. Lá, juntam-se a outra amiga, Liz. Liz deixa Teresa (ou Tess, naquela noite), também pertencente ao grupo, dançando com um cara aleatório e encontra-se com as duas primeiras. Lá, também se aproxima delas Verônica, ou só Vê. Liz explica que Tess rejeitou Bill, o barman.
“Eu. Estou. Com. Dor. De. Cabeça”, admoestou Liz para Rob, que acabava de fazer um barulho alto com os pratos deixados à pia da cozinha do apartamento em que estavam. Stella dormia em um colchonete jogado ao chão da sala de TV, enquanto que Vê estava sentada no sofá e mexia em seu smartphone com um ar entediado.
“Já são quase dez horas, Liz”, defendeu-se Rob.
“Dez horas… De um domingo”, falou pausadamente Liz, mas deixando escapar um ar chateado.
“Ela é a dona da casa”, intrometeu-se Vê, olhando para Liz e referindo-se a Rob. Sim, Rob era a dona do apartamento em que as amigas descansavam após aquela noite de balada.
“Você bem disse: ela é; não você”, revidou Liz para Vê. Essa, então, levantou-se do sofá e foi em direção à cozinha:
“Estou com fome, Rob”, concluiu e começou a fazer barulhos de pratos onde podia com o pretexto de utilizar a louça para comer algo.
“Palhaça”, murmurou Liz.
À essa altura, Stella estava começando a despertar-se diante da discussão e encarou o rosto consternado de Liz. Sorriu docilmente para a amiga e perguntou-lhe:
“O que já lhe chateou a essa hora da manhã, flor do dia?”.
“Verônica sendo insuportável como sempre”, replicou Liz, que ligou a televisão da sala, ora desligada, agora que todas as garotas ali estavam acordadas. Passava um programa de notícias.
Rob veio com sua xícara de café matinal e leite desnatado para perto de Liz e Stella, deixando Vê comendo só na cozinha. Rob, então, sugere em tom preocupado:
“Acho que já está na hora de ligar… Sabe, para saber se está tudo bem”.
Liz é a primeira a responder secamente:
“Ela já é bem grandinha, Rob”.
Passou-se um momento de silêncio enquanto encaravam a televisão.
“Estou preocupada com a Teresa”, complementou Rob, “eu considero-a como uma irmã, sabe… Uma irmã caçula”.
Stella ainda estava meio grogue para esboçar alguma opinião e só acompanhava a conversa entre as duas, Liz e Rob, olhando para o semblante de cada uma enquanto as mesmas debatiam sobre Teresa.
“Qual era o nome do cara? Victor?”, observou Rob, encarando Liz.
“Sinceramente, não lembro”.
Não que não fosse do feitio de Teresa acabar passando a noite com algum rapaz que conhecesse numa festa. Mas Rob tinha esse hábito de se preocupar muito com coisas e pessoas, mesmo que estivesse tudo sob controle ou sob uma normalidade acomodável.
Stella, então, faz uma cara de susto repentina e pega o braço de Liz, onde descansava um relógio de pulso.
“Dez e meia? Nossa, como vocês não me avisam!”.
Stella começa, então, a procurar por seus objetos pessoais e a tacá-los dentro de uma bolsa. Liz e Rob observam Stella com ar questionador.
“Thomas. Tenho que encontrar o Thomas”, justificou Stella, mais para si do que para quem a observava, ao que as outras duas amigas ali fizeram uma expressão de “ah, é mesmo”.
Stella quase tropeça em seu salto alto fino enquanto locomove-se pelo cômodo à procura de seus pertences, mas fica pronta para se despedir das amigas.
“Não vai comer nada?”, interpela-lhe Rob.
“Não dá. Era para estar na casa dele às oito. Nossa…”, resmunga Stella, encarando o celular, “Mil mensagens de whatsapp”.
Stella vai ao banheiro do apartamento para ver se está num aspecto apresentável para encontrar o rapaz em questão.
“Ele sabe que você saiu com a gente, Stella?”, questionou Liz, ali perto.
“Sabe, claro que sabe…”, respondeu Stella, “mas tenho que ter responsabilidade, né?”.
Nesse momento, quatro batidas seguidas e conhecidas à porta.
“Falando em responsabilidade”, comentou Vê, em tom debochado, enquanto acomodava-se no sofá da sala onde estavam as outras.
Rob foi atender à porta e abriu-a sem verificar pelo olho-mágico por já saber de quem se tratava.
Da porta, despencou nos braços de Rob uma moça de cabelos negros-azulados e maquiagem borrada nos olhos, conquanto estes ainda fossem lindos e vívidos.
“Meninas…”, começou Teresa, “que noite foi essa!”. Deu uma risada alta.
“É o que queremos saber”, censurou-lhe Rob, ajudando a amiga cambaleante a acomodar-se numa cadeira justaposta ao sofá da sala de TV.
“Pega água pra ela”, pediu Rob a Liz, que o fez bufando:
“Ela está bem… Está bem”, falou baixinho, enquanto se dirigia à cozinha para pegar o copo d’água para Teresa.
“Eu tenho que ir, meninas… Não me dispensem detalhes”, observou Stella, um tanto divertindo-se sobre mais uma possível e incrível história que estaria por vir de Teresa.
Stella girou a maçaneta da porta principal do apartamento e saiu.
Liz trouxe o copo d’água para Teresa, que segurou-o e começou a falar:
“Vocês não vão acreditar… O cara é muito, glup, rico”.
Teresa parou de falar (e soluçar) para erguer a cabeça para trás e passar as mãos ao rosto para tornar-se mais desperta, quase despejando o copo d´água em si mesma se Rob não tivesse segurado o copo a tempo. Rob, então, ajudou Teresa a equilibrar-se na cadeira e devolveu-lhe o copo. Vê quase riu quando encarou Teresa e disse:
“Você tem uma sorte que vou te contar, hein”. Foi encarada por Liz e Rob com um ar recriminatório.
Teresa continuou sua história:
“O mais estranho é que fui a uma cartomante esses dias… E ela disse que… Ela disse que era provável que esse cara que eu conhecesse iria mudar a minha vida… Só não poderia ser o Bill”.
Rob, Liz e Vê apertaram os olhos pensando não terem ouvido direito.
“O que tem a ver o Bill com isso?”, exasperou-se Rob.
“Você deu um fora nele, Teresa…”, tentou lembrar Liz à amiga desorientada.
“Não, não…”, respondeu-lhe, “eu quis que ele pensasse assim. Mas acabou a noite, eu fui conversar com ele…”.
As amigas de Teresa pareciam não entender.
“Teresa, a gente te deixou com o playboy, não foi com o Bill…”, tentava lembrar Liz, “você nos disse ‘a gente vai se divertir hoje’ e pediu pra gente ir para casa. Era nosso código”.
Esse era o código. Quando uma das amigas daquele quinteto queriam privacidade para passar o resto da noite com alguém, era só dizer as palavras mágicas.
“Eu sei…”, devolveu Teresa, “mas esse playboy era gay. Você não viu o jeito que ele dançava? Ele deveria ser um gayboy”, concluiu a garota gargalhando abobalhadamente e quase se engasgando enquanto bebia o copo d’água.
“Então, você passou a noite com quem?”, perguntou-lhe Liz, ansiosa, mas já deduzindo a resposta.
“Bill, eu dei pro Bill”, concluiu Teresa, em tom sério, enquanto bebia uns goles de água. “Ele é rico”.
(CONTINUA…)
Nota
A você que chegou até aqui: primeiramente, muito obrigada. Sei que esse não costuma ser esse o estilo de texto que se vê nessa plataforma de blog’s, o Medium. Mas a verdade é que eu estava com vontade de escrever algo parecido como uma novela que, penso eu, posso perfeitamente adequar a ter seus capítulos escritos todas as noites de sexta-feira. Sempre achei que deveria voltar a escrever enredos longos, mas toda vez que eu encarava a tela do Word, começava a me dar uma preguiça instantânea. O chato de começar a escrever um livro no PC, é que você não tem muita troca com outras pessoas, pelo menos, não inicialmente. Você não sabe bem por onde deve ir, se os personagens estão bem construídos, essas coisas. E isso favorece MUITO a procrastinação. Como vou estar falando, aqui, com uma celeuma de escritores maravilhosos, vou me deixar aberta para desconstruir uma das maiores vaidades de qualquer escritor, ou seja, fazendo com que as pessoas, se assim quiserem, deixem seu pitaco após a leitura e isso me faça pensar sobre o rumo que a história está tomando. É isso. Aproveita que está aqui e, segue os perfis aí de baixo, custa nada, né? Se achou legal essa história, deixe seu “coraçãozinho”, apertando o ícone ❤ abaixo! Abraço!
