Jessica Alba — mais nova — como “Vêronica”.

[N.A.S.T.] Capítulo 14: atriz em cena

Dizem que a vida é uma peça de teatro. Para se dar bem, você tem que aprender a interpretar. O outro e você mesmo.


No capítulo anterior (para ler, clique em Capítulo 13: leis da vida):

Num determinado dia do passado, Stella estava indo encontrar Thomas, quando eles ainda eram separados, após um pedido apelativo dele — com direito a buquê de rosas e tudo, num shopping próximo à casa dela. Foi quando Stella se esbarrou no quarteirão com o próprio Thomas e os dois não se aguentaram: tiveram que se beijar e, basicamente, voltaram um para o outro.
Um pouco antes do momento presente da história, Liz e Rob haviam ido visitar a amiga, Teresa, pois esta estava ausente das aulas da faculdade. Depois de visitarem a amiga, Rob e Liz estão no carro conversando quando percebem uma “faísca” entre si: elas duas se gostam, mas nunca tiveram coragem de dizer uma para a outra.
No momento presente da história, Stella vai ao enterro de Maurício, onde encontra Thomas e, também, vê Liz, Teresa, Rob e um cara que acompanhava a última.
Depois do enterro, todos esses vão à uma sorveteria próxima do cemitério. Lá, Liz aproveita que Rob se levanta para ir ao banheiro e vai atrás dela, ao que parece, para tirar umas coisas a limpo.

Para ler os capítulos anteriores, clique aqui.


CAPÍTULO 14: atriz em cena

[Naquela noite da festa do “Estranho da Cafeteria” — pra quem não lembra, vide Capítulo 8: está tudo bem]

Rob entrou no elevador e Teresa empurrou um pouco o corpo deambulante de Maurício — o suficiente para ele desequilibrar e cair no chão da ante-sala.

O elevador está quase se fechando, quando Maurício solta, ainda em solo: “você nunca explicou o que aconteceu!”. E as duas meninas se vão.

Maurício, ainda muito tonto, escora-se numa mesa anexa à parede da saleta para se erguer do chão e esfrega as palmas das mãos no rosto.

O mundo parece estar duplicado para ele: duas mesas; duas salas. Estava tudo girando. Uma sede o acomete. Maurício precisava de água. E como se o seu pensamento tivesse se materializado em questão de instantes, um copo d’água repousa em uma das mesinhas que ele via.

Uma mão feminina foi quem abandonou o copo ali para, depois, pegar no queixo de Maurício. Era Verônica que estava à sua frente.

“Olha só o que ela faz com você…”, diz Vê.

Maurício consegue encarar a moça à sua frente por alguns momentos antes de apagar.


[Ainda naquela noite, duas horas depois]

Um médico se aproxima de Verônica na sala da recepção. A menina ainda está em seus trajes de festa.

“Você que é a irmã do nosso paciente, Maurício Monteiro?”, questionou o homem vestido de jaleco branco.

“Sou, sim”, respondeu Vê.

É claro que Verônica não era a irmã de Maurício. Mas ela resolveu falar que era para poder ficar perto dele, no hospital, sem nenhum funcionário dali questionar o nível de intimidade que ela possuía com Maurício. Ela pensou até em dizer que era namorada dele, mas desanuviou a ideia tão logo isso lhe subiu à mente. Verônica jamais iria se rebaixar dessa forma.

“Ele está bem desorientado. Certamente, misturou algumas coisas… Sabe se ele toma algum remédio… Droga ou algo assim?”, redarguiu o médico, com a neutralidade profissional que lhe é inerente.

Verônica fez um semblante aturdido. Em seguida, replicou:

“Olha, ele estava numa festa… Quer dizer, ele e eu estávamos na festa, mas eu não vi nada disso rolar lá. Por quê essa pergunta, Doutor?”.

“Parece que algo além do álcool mexeu com ele. A gente viu que a pressão dele disparou alguns momentos”.


[Alguns meses depois. Após o enterro de Maurício. Na sorveteria.]

Rob levantou-se da mesa onde o pessoal estava tomando sorvete. Foi até o banheiro. Encarou-se por alguns minutos no espelho e começou a lavar as mãos. Nisso, Liz chega perto dela e pergunta:

“Quem é o novato?”.

Rob fecha a torneira da pia de onde caía água em profusão. O banheiro fica preenchido só pelo silêncio das duas amigas ali presentes.

“Que novato?”, repete Rob, meio sem graça.

“Você sabe… O carinha que tá aí com você. Parece um de nossos calouros…”.

Liz estava tentando ser a mais natural possível para perguntar essas coisas, tentando não deixar transparecer uma dose de mágoa, outra de rancor, em suas palavras.

“O nome dele é Gabriel”, respondeu Rob, ainda desconfortável com a situação. “Conheci ele naquela festa que eu fui com Teresa. A gente tem se falado desde então…”.

Liz lembrou de qual festa Rob estava falando: a festa do “Estranho da Cafeteria”, mais uma das peripécias de Teresa. Liz recusou-se a ir com elas na época. Mas Rob foi. Junto com Teresa.

E, ora, Rob é uma pessoa que chama a atenção. Não de um jeito escrachado como Teresa. Mas do jeito de Rob: as tranças afro que pendiam de sua cabeça faziam com que Liz fantasiasse como seria ver Rob nua, mas encoberta só com aquelas tranças.

Era uma situação esquisita: Liz nunca soube se Rob gosta ou já gostou de meninas. Nem Liz sabia direito isso sobre si. Mas a verdade é que as duas tinham uma conexão ímpar. Tão íntimas que eram, ficava meio difícil saber se, de fato, elas sentiam um interesse romântico entre si, ou se era apenas uma puta afinidade.

“…Ele é muito interessante. Faz Artes Cênicas, assim como Vê. Por sinal, cadê ela?”, complementou Rob, encarando a face absorta em pensamentos de Liz.

Liz saiu do “transe” e comentou:

“Realmente, muito estranho ela não estar por aqui. Ela foi a primeira a saber de nós todas”.


[Naquele mesmo dia. Numa loja de roupas do Centro de Alvorada]

“Que pena que você está nos deixando, menina!”, proferiu a gerente de Verônica, com um olhar lânguido.

Vê estava organizando uma última pilha de roupas numa estante da loja. Virou-se para a mulher que era sua interlocutora naquele momento e disse:

“Eu estou precisando me dedicar ao trabalho de atriz. É o que realmente quero fazer”.

A gerente pendeu a cabeça para um lado e suspirou. Verônica era uma de suas melhores funcionárias, pois conseguia vender roupas até para quem não gostava de roupas.

“Eu entendo, Verônica. A gente tem que ir atrás dos nossos sonhos mesmo”, respondeu a que coordenava. “Mas, precisando, as portas estarão sempre abertas pra você”.

Verônica retribuiu-lhe com um sorriso ameno. A gerente finalizou:

“Não esqueça de passar no RH para dar baixa na sua carteira”.

[CONTINUA…]


Como surgiu a N.A.S.T.?

A você que chegou até aqui pela primeira vez: sei que esse não costuma ser o estilo de texto que se vê nessa plataforma de blog’s, o Medium. Mas a verdade é que eu estava com vontade de escrever algo parecido como uma novela que, penso eu, posso adequar a ter seus capítulos escritos todas as noites de sexta-feira. Sempre achei que deveria voltar a escrever enredos longos, mas toda vez que eu encarava a tela do Word, começava a me dar uma preguiça instantânea. O chato de começar a escrever um livro no PC, é que você não tem muita troca com outras pessoas, pelo menos, não inicialmente. Você não sabe bem por onde deve ir, se os personagens estão bem construídos, essas coisas. E isso favorece MUITO a procrastinação. Como vou estar falando, aqui, com uma grande quantidade de escritores maravilhosos, vou me deixar aberta para desconstruir uma das maiores vaidades de qualquer escritor, ou seja, fazendo com que as pessoas, se assim quiserem, deixem seu comentário após a leitura e isso me faça pensar sobre o rumo que a história está tomando. É isso. Aproveita que está aqui e, segue os perfis aí de baixo, não custa nada, né? Se achou legal essa história, deixe seu “coraçãozinho”, apertando o ícone ❤ abaixo! Abraço!