Phoebe Tonkin como “Teresa”

[N.A.S.T.] Capítulo 25: o perigo de se saber demais

Quem procura, acha.


No capítulo anterior (para ler, clique em capítulo 24: nunca tivemos amigos):
Odete, mãe de Teresa, faz a filha ficar chateada com uma discussão. Teresa sai de casa, muito louca e irada. Segue para a casa de Thomas.
Lá, Thomas está na iminência de sair para um encontro com Stella, quando é surpreendido por uma pancada na cabeça. Do chão, é encarado por sua agressora: Teresa, que segurava uma pedra a uma das mãos.

Para ler todos os capítulos anteriores, clique aqui.


Capítulo 25: o perigo de se saber demais

[No tempo atual da história, na frente da casa de Thomas]

“Você é uma vadia!”, devolveu ele, levantando-se do chão num salto, ainda meio zonzo. Teresa o encarava com um dos punhos semicerrados e a pedra a uma das mãos ainda.

Thomas toca no topo da cabeça com os dedos finos, aquela mão de gente rica, “que nunca pegou pesado”, como diria uma tia sua. O líquido vermelho pulsante saía-lhe da derme do couro cabeludo.

“Agora que você vai se ferrar mesmo”, devolveu ele, contendo-se para não estapear aquela garota que acabara de lhe agredir. Thomas sabia o que poderia acontecer se ele devolvesse na mesma moeda.

Teresa permanecia resiliente. E disse:

“Você não vai se safar dessa, seu lazarento! A Stella já tá desconfiada de você, com certeza. Pensa que ela é boba?”.

E Teresa sabia o ponto fraco dele, como vocês todos já sabem também. Afinal, todo vilão, assim como todo herói, tem seu calcanhar de Aquiles.

“Ela está do meu lado”, continuou ele, embora houvesse um quê de incerteza ali. “Ela me ama, está do meu lado”.

“Continue assim e uma hora você se convence. Eu vou contar tudo que você já fez.”

Nessa hora, Thomas deixou-se quedar um tanto aflito por uns lapsos de segundo. Teresa, de fato, sabia de coisa demais.


[Num determinado momento do passado]

Num determinado dia entre o “Stella e Thomas estão num término” e o “Stella e Thomas voltaram”, Thomas tinha visto que sua ex estava de casinho com o tal do Maurício.

Nada confirmado, é claro. Mas Stella e Maurício eram vistos constantemente juntos na faculdade. Pelo menos, aos olhos de Thomas, algo estava rolando entre aqueles dois.

As tentativas já tinham sido muitas para fazer Stella voltar. Tinha alguma coisa nela que prendia Thomas.

Ao mesmo tempo, Maurício estava tomando algo que era de Thomas. Então, nada mais justo que ele, o próprio Thomas, fazer o mesmo, que tal?


[Um pouco depois daquele momento]

Thomas estava atormentando — aquela sensação de desconforto a cada dia que passava com aquele peso crescendo dentro de si, o ciúmes dentro dele lhe corroendo por inteiro.

E a cada resposta evasiva de Maurício, de quem Thomas tentou se aproximar nos últimos dias não estavam surtindo lá tanto efeito. Estava na hora de tomar uma atitude mais substancial: iria seduzir Teresa.

Bem, sobre Teresa, ele tinha um problema com a amiga de sua ex-namorada: estupendamente bonita; e tinha um jeito menos ingênuo — aliás, era bem safadinha.

E uma menina “fácil”, sobretudo. Alguns shots de Tequila e ela seria de Thomas. Todo mundo tem seu nível de embriaguez e sujeira em que se consegue extrapolar qualquer impedimento moral, pensou ele. Ela toparia, certeza.

Thomas investigou o Facebook de Teresa. Tinha o perfil dela adicionado por ocasião do relacionamento dele de outrora com Stella.

Foi dar uma olhada nos eventos em que Teresa havia confirmado presença naquele final de semana. Quando deu por si, Thomas estava seguindo para um baile funk na zona menos prestigiada da cidade. Teresa se metia em cada canto!

Ao chegar lá em seu carro de luxo, Thomas estava certo de que tinha se enfiado num buraco de lugar: muitas pessoas visivelmente de classe social menos favorecida, por causa dos trajes que vestiam e o modo como encaravam aquele rapaz branco e feições muito belas e almofadinhas adentrando no recinto.

Mesmo assim, Thomas seguiu, seguro, em direção àquele evento. Lá, Teresa estava numa espécie de seção VIP que inventaram agora para quando os ricos querem frequentar os bailes funks, mas sem querer “se misturar” muito — a segregação dentro da própria favela.

Thomas foi se misturando no meio daqueles riquinhos com necessidade de imersão na zona. Alguns não pareciam nem ser de família privilegiada, pois ostentavam uns relógios e cordãozões de ouro que, notoriamente, davam a impressão de uma classe emergente. Thomas queria sair dali, pois, provavelmente, tratavam-se de bicheiros e traficantes de drogas que eram consideravelmente ricos também. Pelo menos, mais ricos que 95% da população ali presente.

Não demorou muito, Teresa conseguiu avistar Thomas. Por alguns momentos, ela não entendeu muito bem o que aquele cara, o ex de Stella e que parecia ser extremamente quadrado, estava fazendo ali.

“Oi”, disse-lhe Thomas, uma das mãos no bolso da calça de marca e os olhos semicerrados num quê de sedução. A boca semiaberta num “o” minúsculo, como se estivesse pronto a beijar Teresa a qualquer momento.

Teresa não respondeu. Foi se enfiando num cantinho da tenda VIP — onde rolava um open bar só para os VIP’s, é claro!

Logo, Thomas percebeu que ela estava a se encaminhar ao banheiro: Teresa estava com um vestido de seda lilás e os cabelos presos num coque que lhe pendiam alguns fios de seus cabelos castanhos. A região descoberta do corpo da guria já suada por ocasião dos movimentos balouçantes do ritmo quente daquela festa.

Teresa ficou esperando na porta do banheiro, que nada mais era do que um dos containers a um canto da região VIP. Eis que uma moça com vestimentas sugestivas e maquiagem exótica sai dali do banheiro.

“Para quem vai oferecer o serviço hoje?”, indagou a tal mulher para Teresa.

Nesse momento, Teresa vira para trás: a cabeça um pouco torta por causa do álcool que havia ingerido. Avista Thomas e dá-se conta da merda que acabara de ocorrer.

A mente hiper calculista de Thomas acabava de concluir: Teresa era uma prostituta nas horas vagas.

[CONTINUA…]


! MUDANÇA DE HORÁRIO !
Queridos leitores que acompanham essa novela, em razão de alguns horários meus estarem muito atribulados, estou alterando o horário de publicação dessa novela para aos domingos, às 15h, ok? Acho que, com isso, estarei melhorando a qualidade dos meus escritos, ainda mais nessa reta final da novela.
Um abraço a todos que estão acompanhando essa N.A.S.T.!

Como surgiu a N.A.S.T. — Eu nunca tive amigos?

A você que chegou até aqui pela primeira vez: sei que esse não costuma ser o estilo de texto que se vê nessa plataforma de blog’s, o Medium. Mas a verdade é que eu estava com vontade de escrever algo parecido como uma novela. A história começou como “N.A.S.T.”, que são iniciais para “Novela Ainda Sem Título”. Mas agora tem um título, veja só! (risos).
[Dei o nome de “Eu nunca tive amigos” e você pode ler a sinopse aqui.]
Sempre achei que deveria voltar a escrever enredos longos, mas toda vez que eu encarava a tela do Word, começava a me dar uma preguiça instantânea. O chato de começar a escrever um livro por si só é que você não tem muita troca com outras pessoas, pelo menos, não inicialmente. Outra: você não sabe bem por onde deve ir; se os personagens estão bem construídos; essas coisas. E isso, convenhamos, favorece MUITO a procrastinação.
Como vou estar falando, aqui, com uma grande quantidade de escritores (e leitores!) maravilhosos, vou me deixar aberta para desconstruir uma das maiores vaidades de qualquer escritor: pedindo para que as pessoas, se assim quiserem, deixem seu comentário após a leitura dos meus capítulos e isso me faça pensar sobre o rumo que a história está tomando.
É isso: quero fazer uma história baseada no feedback. Loucura? Talvez. Mas aproveita que está aqui e, segue os perfis aí de baixo, não custa nada, né? Se achou legal essa história, deixe seu “coraçãozinho”, apertando o ícone ❤ abaixo! Ah, e informação importante: todo capítulo novo, agora, aos domingos, às 15h — hora de Brasília. Abraço!
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