Phoebe Tonkin, como “Teresa”

[N.A.S.T.] Capítulo 27: um livro aberto

Quanto menos ele puder te ler, melhor.


No capítulo anterior (para ler, clique em Capítulo 26: fatos inconvenientes):

Num determinado momento do passado, Teresa havia sido abordada por Thomas, por ocasião de um plano de vingança dele contra Maurício, num baile funk. Ele foi atrás dela, e conseguiu ser agredido pela mesma: Teresa derrubou-o de um parapeito em plena festa. Não era muito alto.
Mas Thomas foi atrás dela e a encurralou no banheiro. Lá, jogou dinheiro em Teresa e esta cedeu aos joguinhos de sedução nada ortodoxos de Thomas, o que foi uma surpresa. Os dois foram parar no motel e, lá, Teresa negou que fosse uma prostituta, coisa da qual Thomas havia lhe acusado assim que chegou no morro em que rolava o funk. Mas Teresa deu-se conta de que estava a lidar com uma pessoa um tanto perigosa.
No momento atual da história, Stella está a esperar Thomas em frente ao cinema para assistir a um filme a que o namorado e ela haviam combinado de assistir. Mas conforme Thomas demorava a chegar, mais Stella ficava ansiosa sobre a execução do plano que tinha em mente havia alguns dias: toda vez que Stella ia se encontrar com Thomas, levava um gravador consigo.

Para ler todos os capítulos anteriores, clique aqui.


Aviso de gatilho: esse capítulo pode ter conteúdos de violência contra a mulher. Não leia, se você já passou por isso e/ou tem receio de isso lhe causar algum tipo de gatilho. Foi um capítulo difícil de escrever.

Capítulo 27: um livro aberto

[No momento atual da história]

O telefone de Stella toca. Foi o nome de Liz que apareceu na tela touch screen do celular de Stella quando esta o tirou da mini-bolsa que portava.

“Oi?”, disse Stella.

“Hey, Stell. Como estão as coisas?”, falou Liz do outro lado da linha. Liz estava num tom forçadamente simpático, claro, para sondar se Thomas de repente estaria por perto para se perguntar sobre a ligação e sobre quem estava a entrar em contato com Stella.

E, sim, Liz sabia do plano: gravar alguma revelação de Thomas. E a execução do mesmo (do plano) já perdurava cerca de duas semanas.

“Ele não está aqui, Liz. E tá demorando a chegar. Tô começando a ficar preocupada com ele”.

Liz bufou do outro lado da linha.

“Não se preocupe com um potencial assassino: eles sabem se virar”, devolveu Liz, em tom irônico, mas de lamento.

“Ok, não podemos demorar muito falando. Eu e você. Ele já devia ter chegado; ele não é de atrasar: um maníaco de perfeição”.

Um suspiro do outro lado da linha, ao que Liz devolveu:

“E Teresa?”.

“Bem, até onde eu saiba, ela tem ficado em casa. Sabe se lá Deus como. Ou melhor, até sei: advogados”.

Nessa hora, Stella olhou para um lado e outro da rua em que ficava aquele cinema, que era num prédio exclusivo para o tal estabelecimento. Já poderiam ser 20h, quando Stella havia marcado com Thomas às 19h30. Todas as pessoas da sessão do filme a que Stella e Thomas iriam assistir já haviam adentrado na sala em que haveria a exibição.

“Nós temos que ir na polícia, Stell. Tô começando a pensar que você tá fraquejando”, revelou Liz, amuada.

“Não é isso, Liz”, respondeu Stella, sôfrega em cada termo. “Eu tenho minhas desconfianças, mas… É difícil pensar que uma pessoa que tem tudo, tão certinho, tenha feito algo tão terrível. É foda, mas eu consigo duvidar mais de Teresa do que do Thomas.”

Nisso, o veículo de Thomas aproxima-se, lentamente, até a calçada. Ele abaixa o vidro do carro e dá um aceno de cabeça para a namorada:

“Oi! Vou estacionar!”.

Stella ainda se encontrava com o telefone no ouvido.

“Ok!”, devolveu Stell, e Thomas percebeu que ela desligou o celular instantaneamente quando o viu. Poderia ser só ela tentando entrar em contato com Thomas, pois ele havia se atrasado, não é mesmo? — assim também pensou ele, inclusive.

Então, Thomas sobe na calçada que dava para o estacionamento do lado do cinema. Enquanto pega um tíquete para poder deixar o seu carro de luxo parado naquele lugar, Thomas observava atentamente a figura em vestido floral que o encarava do outro lado da calçada.

Os olhos dela estavam ternos, precisos, mas ansiosos. Essa ansiedade de Stella, por motivo desconhecido a Thomas, foi algo que o passou a incomodar nos últimos dias.

Para Thomas estar se formando em Direito, é que ele era um bom leitor de livros, mas, sobretudo, de pessoas.


[Naquele mesmo momento, em outro canto da cidade]

“Ela está num constante estado de negação”, concluiu Rob. Suas tranças coloridas estavam jogadas ao lado do corpo, enquanto se sentava, nua, ao sofá da sala de seu apartamento.

Liz estava só de calcinha e uma blusa regata, enquanto bebericava uma xícara de chá de camomila com leite. Liz, ainda, detinha um olhar extremamente concentrado para um ponto fixo à sua frente, mas não muito específico.

Liz estava a encarar o nada basicamente, quando concluiu:

“Ela não vai fazer. Acho que ela teve muitas chances para isso”.

E Rob respondera:

“Ou, ela só está com medo de que aconteça algo parecido com o que aconteceu com Vê.”

Liz parou de beber seu chá, para encarar Rob muito bem, e disse:

“Você consegue confiar mais na hipótese de que foi a Teresa a culpada disso tudo? Dessa merda toda?”.

Rob mordeu o lábio levemente e olhou para baixo. Liz, então, deu-se conta de que ali havia coisa.

“Diga o que sabe. Você sabe de alguma coisa que eu não sei” — não foi uma pergunta, mas uma afirmação de Liz.

Rob aproxima-se, no sofá, de Liz e passa uma das pernas para um lado da cintura desta, de modo a ficar quase montada. Começa a beijar Liz vagarosamente.

“Você tem que me falar sobre isso. Temos que pegar aquele”, e Liz concluiu com um xingamento, referindo-se, por óbvio, a Thomas.

Rob suspira. Depois, diz:

“É sobre algo que eu vi uma vez, mas eu não tenho certeza”.

Liz deu um sorriso de boneco de palha:

“No atual momento, certeza é algo bem superestimado, minha cara”.

Rob se demorou mais um pouco, beijando Liz e acariciando os cabelos loiros da mesma, ao que Liz pegou firme na cintura de sua namorada e entoou:

“Eu vou saber uma hora. Cê sabe que eu vou saber”.

Rob afastou um pouco a fronte da de Liz e murmurou:

“Tenho medo do que você pode fazer, caso saiba. Você foi falar para Teresa aquela vez e olha o que aconteceu com a Verônica. Eu não quero magoar…”.

“Stella”, complementou Liz, apostando. Ao que Rob assentiu com a cabeça.

Nessa hora, Liz ficou bem séria:

“Isso é sobre Teresa? Sobre Thomas?”.

“Os dois”.


[Vinte minutos antes de Thomas chegar ao cinema]

“Acabar com essa vadia seria uma ideia muito burra”, cogitou Thomas. Mas ela estava ali, amarrada em seu porta-malas.

Ele parou o carro em um lugar ermo da cidade. Um lugar que, aquela hora da noite, por ser perto de estrada, não teria muitos transeuntes.

Thomas subiu o acostamento, com cuidado, e embrenhou-se no matagal. Lá, abriu o porta-malas e arrancou Teresa dele, jogando-a no chão.

Conseguir amordaçá-la foi um trabalho complicado. Primeiro que Thomas precisou ser silencioso, afinal, tampar a boca de uma mulher que está a tentar morder sua mão e chutar o seu saco, ao mesmo tempo, no meio do jardim da mansão de Thomas não é bem uma tarefa das mais fáceis. Mas o rapaz tinha seu porte atlético e um certo preparo físico para isso.

Thomas pensou em matar Teresa, mas nunca a estupraria. Isso, sem dúvida, soava para ele como o crime mais imperdoável da face da Terra (se é que algum crime possa ser perdoável). “Mas machucar um pouquinho não teria lá tantas consequências drásticas”, pensou ele. Sem falar que Teresa até podia gostar e fechar o bico sobre tudo que ameaçava contar.

Qualquer pessoa normal não teria como pensar sobre isso sem ter um desconforto e um embrulho no estômago. Mas olha que coisa, Thomas era uma pessoa normal. E ele só não estava pensando, como executando aquilo tudo.

No nosso íntimo da mente, todos nós já executamos uma série de crimes. Mas Thomas deu azo a alguns deles, como vocês já devem imaginar.

Sim, Thomas era uma pessoa normal. Não no sentido do passado, mas que, de fato, ele era. Só tinha uma mente cruel, o que pode soar como doentio para uma grande maioria.

Ele, então, não era nenhum doente, antes que alguém diga isso para poder isentá-lo de qualquer culpa. Ele era ruim mesmo. Mas parecia ser bom.

E ele estava ali, pronto, para pegar uma toalha molhada e golpear a barriga de Teresa até vê-la chorar de dor.

E, incessantes minutos depois, ela chorou. Sua fronte ficou vermelha e, por alguns momentos, parecia lhe faltar o ar.

É que Teresa não estava ali, só, a agonizar sua própria dor. Uma vida pulsava em seu ventre e se sentia dolorida com ela. E Thomas nem imaginava isso.

[CONTINUA…]


! MUDANÇA DE HORÁRIO !
Queridos leitores que acompanham essa novela, em razão de alguns horários meus estarem muito atribulados, estou alterando o horário de publicação dessa novela para aos domingos, às 15h, ok? Acho que, com isso, estarei melhorando a qualidade dos meus escritos, ainda mais nessa reta final da novela.
Um abraço a todos que estão acompanhando essa N.A.S.T.!

Como surgiu a N.A.S.T. — Eu nunca tive amigos?

A você que chegou até aqui pela primeira vez: sei que esse não costuma ser o estilo de texto que se vê nessa plataforma de blog’s, o Medium. Mas a verdade é que eu estava com vontade de escrever algo parecido como uma novela. A história começou como “N.A.S.T.”, que são iniciais para “Novela Ainda Sem Título”. Mas agora tem um título, veja só! (risos).
[Dei o nome de “Eu nunca tive amigos” e você pode ler a sinopse aqui.]
Sempre achei que deveria voltar a escrever enredos longos, mas toda vez que eu encarava a tela do Word, começava a me dar uma preguiça instantânea. O chato de começar a escrever um livro por si só é que você não tem muita troca com outras pessoas, pelo menos, não inicialmente. Outra: você não sabe bem por onde deve ir; se os personagens estão bem construídos; essas coisas. E isso, convenhamos, favorece MUITO a procrastinação.
Como vou estar falando, aqui, com uma grande quantidade de escritores (e leitores!) maravilhosos, vou me deixar aberta para desconstruir uma das maiores vaidades de qualquer escritor: pedindo para que as pessoas, se assim quiserem, deixem seu comentário após a leitura dos meus capítulos e isso me faça pensar sobre o rumo que a história está tomando.
É isso: quero fazer uma história baseada no feedback. Loucura? Talvez. Mas aproveita que está aqui e, segue os perfis aí de baixo, não custa nada, né? Se achou legal essa história, deixe seu “coraçãozinho”, apertando o ícone ❤ abaixo! Ah, e informação importante: todo capítulo novo, agora, aos domingos, às 15h — hora de Brasília. Abraço!
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