Figurino: vários mundos em uma só novela

Por Marie Salles, Figurinista

Hoje tenho certeza que ganhei um presente quando o Vinícius me chamou para fazer este projeto.

Comecei a ler a sinopse e me deparei com índios, escravos, piratas, reis e rainhas, seus universos incríveis e todas as possibilidades de criação. Contar um pouco da história do Brasil e poder se aventurar com esses personagens, poder recriar um mundo novo, é incrível.

Foto: Raquel Cunha / Globo

De repente, me vi em outra época. Lendo livros sobre a vinda da família real para o Brasil, a chegada da princesa Leopoldina e como eram os costumes dos brasileiros e portugueses. Conversei com historiadores especializados em família real, D. Leopoldina — uma mulher muito interessante — e índios.

Vi filmes que retratavam a época da novela, muitos livros e o Pinterest, uma ferramenta que eu gosto muito. Foi muito estudo.

Alinhar cada referência a um personagem é um dos processos que mais gosto de fazer, estudar o personagem, sua personalidade e suas nuances. Ficar pensando neles e achar as referências certas para colocar na prancha é muito prazeroso. É claro que tudo isto tem um conceito dado pelo Vinícius. No processo de criação dos personagens, toda semana avaliávamos juntos cada referência para chegarmos a uma linha para cada personagem .

Desenhos de Beto Campos

Depois das pranchas prontas, conceituadas e aprovadas, chegou a hora de começar produzir, montar os personagens. E vou contar uma coisa: Não faço sozinha. Tenho uma equipe desde a fase de conceituação. Ao todo são cinco assistentes, 25 costureiras, oito alfaiates e oito aderecistas.

Acredito em várias cabeças pensando juntas, e que figurino é feito por várias mãos.

Fomos a brechós e feiras de antiguidades em busca de tecidos, toalhas de mesa, rendas antigas, bijouterias, relógios e acessórios em geral. O próximo passo foi desenhar as roupas dos personagens e colocar na costura.

Desenhos de Beto Campos

Em paralelo a este processo, começamos a desenvolver no adereço os chapéus, sombrinhas, as dragonas de metal dos uniformes e as insígnias reais. As joias, réplicas das da família real e da princesa Leopoldina, foram desenvolvidas por uma joalheira.

Um lugar que visitamos muito no momento de montar o guarda-roupa é o acervo. Lá encontramos roupas de outras produções, que reformadas ou remontadas, podem servir para o nosso projeto.

Foto: Raquel Cunha / Globo

Quando as roupas saem da costura, elas vão para o ateliê de bordado, onde cada núcleo tem um tipo, que pode ser linha, pedras, canutilhos, bordado a máquina, etc. e cada personagem tem a sua cor. Os figurinos dos austríacos, encabeçados pela Leopoldina, como o biólogo e o médico, poderão ser percebidos nas cores marrom, verde, vinho.

Foto: Maurício Fidalgo / Globo

Os tons claros serão apresentados pela protagonista Anna Millman (Isabelle Drummond), a professora inglesa, que perdeu o pai e acompanha Leopoldina na viagem ao Brasil.

Ela é um pouco sombria, mas usará muito branco. Pensei muito em vickings, em quem colonizou a Inglaterra. Fui lá atrás. O figurino dela é composto por tiaras, detalhes no cabelo, luva, sempre vermelho com branco. Tudo meio transparente, translúcido, tem muita coisa a ver com o antepassado, cabelo preto e roupa branca. Já Leopoldina é bem romântica, rosada.

A última etapa é o adereço. É onde as roupas são tingidas e envelhecidas para dar um ar de uso e realidade. Com o guarda-roupa pronto, é hora de iniciar as “provas de roupas” com o elenco. É um momento muito importante porque a troca de percepções e conversas com os atores é o que faz com que o personagem comece a ganhar forma. É neste dia também que começamos o teste de caracterização. É importantíssimo ver a roupa com a caracterização, estes dois departamentos andam juntos.

Foto: João Miguel Júnior / Globo

Agora sim vem o frio na barriga: mostrar para o Vinícius. É a hora de fazer as últimas considerações por que já estamos prestes a começar a gravar. Neste dia, temos a última prova com a direção e é a primeira vez que vemos os personagens prontos, definidos cada um com seu jeito, sua personalidade. E isto me traz muita felicidade.

Chorei ao ver o clipe da novela, ver que conseguimos tornar real personagens reais e da ficção de uma forma tão Poética e sincera.

Com estreia prevista para 22 de março, ‘Novo Mundo’ é escrita por Thereza Falcão e Alessandro Marson, com direção artística de Vinícius Coimbra.

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