Guia básico do que pensar e fazer antes de criar um aplicativo.


Os smartphones estouraram, não é segredo nenhum. Quase todo mudo tem um no bolso e usa ele pra se comunicar com a família, para o trabalho, fazer pesquisas rápidas na internet, tirar foto, postar a foto na rede social predileta, mandar essa mesma foto pra os amigos, jogar enquanto espera na fila do fast-food, agendar compromissos, responder e-mail… OK, sei que estou aborrecendo você com essa lista de coisas que você já sabe que seu telefone faz, mas só queria chamar a sua atenção para um fato bem simples: tudo isso é possível graças aos aplicativos que você instalou nele. Agora… já imaginou como criar um desses? Já teve uma ideia para criar um aplicativo que possa se tornar tão popular quanto o Periscope ou o Instagram!? Hoje vou falar um pouco sobre como funciona o processo criativo e um pouco também do mão na massa da criação de um aplicativo nas equipes das quais fiz parte.

Tenha uma ideia!

O primeiro passo é definir qual a sua ideia. Se eu fosse me concentrar nesse tópico com certeza precisaria de um outro post ou quem sabe até um livro para lhe repassar todos os detalhes, mas aqui vou tentar lhe repassar o mais básico a respeito da captação de ideias.

Uma das formas mais simples e prática de captar ideias é a observação. Durante todo o seu dia fique atento ao mundo que está ao seu redor. Identifique problemas que as pessoas enfrentam no decorrer do dia. Eu por exemplo, quando noto algum problema, anoto num caderno que trago sempre comigo.

O processo de perceber um problema é simples, mas as vezes demora um pouco para você achar aquele problema que realmente lhe incomoda. Lembre-se de sempre estar procurando por problemas que incomodam a você. Isso é muito importante para que depois você consiga ter um gás extra para se dedicar muito/totalmente ao seu novo projeto. Depois de captada a ideia você deve propor uma solução para ela.

Existe uma possiblidade de sua ideia já ter uma solução. Na verdade vai ser difícil encontrar um problema em que alguém no mundo nunca tenha proposto uma solução para ela. Quando você se depara com esse tipo de solução terá a obrigação de decidir descartar o problema e procurar outro, ou então encontrar uma nova solução para o mesmo problema. A nova solução não necessariamente deve ser uma maneira inovadora de solucionar o problema. De fato, se você simplesmente cobrar menos para resolver um problema, então já está resolvendo-o de uma maneira diferente do seu concorrente.

Um brainstorming pode servir para a captação de problemas e também para a captação de soluções. Jute-se com a sua galera e comece a sugerir soluções para resolver aquele problema chato que anda lhe azucrinando. Aqui vale tudo! Claro que não pode fugir muito do assunto ou então propor soluções só por propor, mas também a sua liberdade criativa não pode ser sufocada. Tenha espaço para falar, e também dê espaço para os seus colegas falarem.

Valide a ideia.

Do que adianta ter uma ideia que você considere boa se ninguém mais no planeta a considera? Esse é um dos primeiros momentos onde você tem que sair do escritório/trabalho e ir de encontro com as pessoas. Isso mesmo. Saia da frente desse computador!

Validar uma ideia é saber que as pessoas sentem interesse em um produto como o seu. Validar uma ideia é transformar sua ideia original em uma nova ideia, uma que as pessoas estejam dispostas a usar/pagar. Validar uma ideia também é saber qual o problema que você está tentando resolver.

Você tem que pegar feedback, opiniões e achismos. Tem que ouvir as pessoas e entender o que elas estão falando. E existem muitas formas de pegar esse feedback, eu utilizo uma em específico, que é criar um protótipo do aplicativo que eu quero fazer, colocar no iPhone e sair por aí abordando os potenciais clientes.

Como criar um protótipo do meu aplicativo?

Existem vários sites para criação de protótipos de aplicativos. Um dos que mais uso é o POP (prototype on paper). A ideia central da ferramenta é que você desenhe o seu aplicativo numa folha, scaneei e suba para o sistema. Lá você monta o fluxo das telas, acrescenta ações, coloca ícone e etc. Não vou entrar em detalhes sobre as funções por que é tudo muito simples, a interface é muito amigável.

Para quem quer uma coisa um pouquinho mais profissional, pode substituir o desenho em uma folha de caderno por um design feito no Adobe Illustrator, por exemplo. Aí o protótipo fica quase igual a um aplicativo.

Com quantas pessoas devo falar para validar a minha ideia?

Não existe um manual que determine que se você falar com um número X de pessoas a sua ideia se torna uma ideia potencial. Vai de cada um. Eu por exemplo, não considero que a ideia esteja validada antes de falar com 100 pessoas sobre ela. E tem que ser 100 pessoas que eu conversei cara a cara. Eu preciso ver a reação delas quando eu mostro um produto. Eu preciso saber se o sentimento é real.

Vai pra rua! Isso se chama execução.

No meu projeto mais recente, para validar nossa ideia, saímos por aí perguntando para todas as mulheres que encontramos na rua, faculdades e eventos sobre o que elas pensavam sobre o que a gente havia imaginado.

Quando eu digo todo evento, foi quase todo evento relacionado com o nosso público alvo! Um dia estávamos no código quando uma amiga compartilhou uma foto com informações de um evento que iria acontecer dali a duas horas. Não pensamos duas vezes. Paramos o que estávamos fazendo, e nos aprontamos para o evento.

Outro dia combinamos de ir até uma das maiores Universidades de Fortaleza para conversar com as jovens e perguntar o que elas acham do aplicativo, qual o sistema operacional elas usavam no telefone e tentávamos também entender os hábitos de compras na internet que elas possuíam.

Nos encontros com as pessoas, a gente apresentava um pouco da ideia do aplicativo. Mostrava um protótipo para elas, elas usavam e perguntavam sobre funcionalidades. Algumas davam pitacos de design, diziam o que gostavam e o que não gostavam na interface. Todos os feedbacks foram anotados. Eles foram cruciais para definir o caminho que o aplicativo deveria seguir.

Durante o processo de validação, pergunte se a pessoa quer receber notícias sobre o aplicativo. Se ela quiser, pegue o e-mail dela para enviar updates ou avisar quando o app estiver disponível para download.

Não tenho tempo para sair por aí conversando com as pessoas, ou simplesmente sou tímido.

Perca a vergonha! Mas enquanto isso não acontece, outra forma de validar uma ideia é criar um formulário e enviar para várias pessoas por e-mail, redes sociais e etc. Você também pode enviar um protótipo junto com esse formulário. Eu, pessoalmente, não gosto da abordagem, acho ela meio fria. Recomendo que você encontre seus clientes pessoalmente.

Escolha a melhor plataforma — para o seu tipo de negócio.

Hoje em dia no mercado existem algumas plataformas mobile para as quais o seu produto/aplicativo pode ser desenvolvido. As três mais populares são o Android da Google, iOS da Apple e o Windows Phone da Microsoft. Essas três plataformas juntas abrangem cerca de 99% do mercado de sistemas operacionais para smartphones. Quando você for começar a desenvolver o seu aplicativo, se não tiver recurso suficiente para investir numa equipe de TI extensa, terá de escolher a melhor plataforma para o seu negócio, ao menos inicialmente. Note que eu não disse a plataforma mais popular, mas sim, a melhor plataforma para o seu negócio!

Android vs. iOS vs. Windows Phone

Vou utilizar um exemplo meio bobo para ilustrar isso. Imagine que você está desenvolvendo um aplicativo para venda de jóias, por exemplo. Suponha que essas jóias são de um preço considerado elevado, digamos um R$ 5.000,00. O perfil de pessoa que se interessaria por esse aplicativo deve ser de alguém rico, com uma renda fixa, com emprego estável ou dono de um negócio. Geralmente quem tem um iPhone é por possuir uns R$3.000,00 e pouco para gastar em um telefone. Será se não seria mais fácil atingir o seu público alvo indo por esse caminho do que investindo tempo no desenvolvimento de um aplicativo Android, que abrange mais a classe popular?

Uma outra situação seria você querendo desenvolver uma rede social. Seu intuito é atingir o maior número de pessoas possíveis, sem importar classe social, instrução acadêmica e etc. Nesse caso, seria altamente recomendado você criar seu aplicativo em uma plataforma Android, já que hoje em dia o Android domina cerca de 82.8% do mercado, segundo dados de 2015.

Qual a versão certa do sistema operacional?

Outro fato muito importante a ser analisado, ainda no tema de sistema operacional, é para qual versão dele desenvolver. O problema é mais preocupante no Android, onde boa parte dos usuários ainda possuem uma versão velha do sistema operacional. Na verdade, o único celular que realmente atualiza no momento em que a Google libera a nova versão do sistema é o Nexus, que é da própria Google. As outras fabricantes geralmente demoram mais, pois ainda irão fazer testes e alterar o Android. Essa matéria está sendo escrito em setembro de 2015, e neste momento, segundo dados da Google, a versão mais utilizada do sistema é a KitKat, que foi lançada em 2013, com 39.2% dos usuários .Enquanto isso, o Android Lollipop, a versão mais recente do sistema, que foi lançada a mais ou menos um ano, chegou em apenas 21% dos aparelhos. Note que as duas versões juntas não chegam nem a 61% de todos os celulares que utilizam o sistema.

Print screen do site oficial do Android, com informações sobre as versões do sistema operacional.

Enquanto os usuários de Android demoram a receber uma versão nova do sistema, no mundo da maçã a realidade é bem diferente. A versão mais nova do sistema da Apple é o iOS 9, que foi lançado em 16 de setembro de 2015. Apenas três dias depois do lançamento, no dia 19 de setembro, o sistema já rodava em cerca de 51% dos aparelhos, segundo dados da própria Apple.

Print screen do site oficial da Apple, com informações sobre as versões mais utilizadas do iOS.

Vendo superficialmente, esse assunto pode parecer bobagem, mas não é. Imagina que quase nunca você poderá utilizar todas as novidades do Android, afinal, se você fizer isso estará deixando uma fatia enorme do seu mercado consumidor de lado por um bom tempo, pois eles não possuem a nova versão do sistema e, dependendo do celular, irão demorar um bom tempo até possuí-la.

Quero desenvolver para todas de uma vez só!

Uma outra opção para o desenvolvimento é criar um aplicativo híbrido. Deixa eu explicar o que isso significa na prática. Existem alguns programas que permitem que você crie um aplicativo no ambiente deles e exporte-o para outras plataformas (iOS, Android, Windows Phone…). O nome híbrido foi dado por que eles são uma junção de páginas HTML com aplicativos mobile de fato, pois eles podem utilizar os recursos do aparelho, como câmera, giroscópio, entre outros.

Eu nunca utilizei nenhuma ferramenta dessas, sempre procuro focar em uma plataforma de fato. No entanto desenvolvedores experientes já disseram para mim que é uma boa desenvolver aplicativos nesse tipo de plataforma. Da mesma forma, desenvolvedores experientes me disseram que era uma péssima ideia. Fica à sua escolha investir tempo e recurso nesse tipo de tecnologia. Deixarei duas ferramentas que me foram apresentadas e recomendadas, para que você procure saber mais sobre elas. A primeira é o Apache Cordova, e a segunda é o Ionic. Se você já desenvolve com alguma dessas tecnologias, por favor, deixa o seu comentário sobre como está sendo a experiência. Se conhece alguém que desenvolve, por favor, marca ela aqui ou compartilha essa matéria.

Valide a ideia e o sistema operacional.

Se você tem dúvidas a respeito de qual o sistema operacional mais utilizado pelo seu público alvo, considere colocar essa como uma das questões chaves que devem ser apresentadas às pessoas que irão validar a sua ideia. Pergunte a elas qual o sistema atual, se elas já utilizaram algum outro, qual a razão de elas o terem abandonado, e por aí vai…

Re-Desenhe o seu aplicativo.

Desenhar um aplicativo é um processo que vai se repetir. O primeiro momento em que essa fase acontece é quando você está criando o seu protótipo (aquele que será usado para validação). O segundo momento é quando você recebeu o feedback que veio junto com a validação. No pior caso sua ideia mudou muito (ou completamente) e agora você precisa redesenhar todo o aplicativo. No melhor caso você precisa alterar apenas alguns textos de botões ou algum ícone.

Tenha atenção! Essa é uma das partes mais importantes do processo, afinal o design é a primeira impressão. Os usuários do seu aplicativo querem um design sofisticado e que os inspirem a continuarem usando sua solução. Eles querem algo que seja simples e ao mesmo tempo altamente funcional.

O Google usa uma metodologia bem simples de se fazer design. Eles criam layouts e pedem para usuários utilizarem eles e darem um feedback. Para você ter uma noção, até as cores passam por esse tipo de processo. E funciona, afinal a simplicidade e sofisticação do design do Google é elogiada por todo mundo.

Inspirado no Google e também por destino, nesse projeto mais recente, que comentei lá no passo anterior, a gente levou dois protótipos para as pessoas testarem/validarem. Elas usavam um e o outro, e no final decidiam. As funcionalidades eram exatamente as mesmas, mas as cores e disposições de elementos mudam um pouco. Ao final, quando elas escolhiam um dos layouts, a gente perguntava a razão dela ter escolhido aquele em específico, aí a gente conseguia captar mais feedback ainda.

Existem inúmeras ferramentas para criar um design. O que eu gostaria de deixar bem grifado é que o mais importante no processo criativo de um design não são as ferramentas, mas a sua inspiração e criatividade. Veja o que os seus concorrentes estão fazendo. Baixe alguns aplicativos e inspire-se neles. Também peça opinião no meio do processo. Quebre muito a cabeça. Combine algumas cores, não transforme em um circo, mas também não deixe o layout morto. A não ser que seja necessário que as cores estejam mortas para outras coisas se destacarem no seu design. Tudo é muito relativo.

Para não deixar você de mãos abanando, eu vou dizer as ferramentas que uso. Geralmente, em design de aplicativos móveis, eu uso as ferramentas da Adobe, como o Adobe Fireworks, Adobe Illustrator e também o Adobe Photoshop. O Fireworks foi descontinuado, então se você quer começar a aprender uma, aprenda qualquer outra menos ele.

Mas, antes de levar para essas ferramentas eu acho muito importante que você rabisque numa folha de caderno mais ou menos como será a tela. Isso vai tornar o seu trabalho mais produtivo, no sentido de que você já sabe quais os itens que devem conter na tela, então você não será pego de surpresa. Além disso, você não precisa ser nenhum desenhista ou designer para conseguir criar um protótipo numa folha de papel.

Essa é um rascunho de um dos fluxos do meu aplicativo mais recente.

Uma das grandes vantagens de criar o design antes de implementar ele no código é que você terá uma noção bem mais completa de como será o fluxo do seu código. Uma tela desenhada pode servir como um documento de requisitos (Ok, nem sempre. Tome cuidado com isso :D).

Esse artigo faz parte de um projeto chamado Criando Uma Startup. Vou explicar como ele surgiu e como funciona.

Estou criando uma startup, e eu achei que seria muito interessante ir dividindo com as pessoas o conhecimento que eu for obtendo nessa caminhada. Então criei uma página no Facebook, onde compartilho dicas que me foram repassadas em palestras, livros e também textos como esse que você acabou de ler. Gostou do projeto? Você pode me ajudar! A ideia principal é gerar discurssões nos tópicos que forem abordados. Se você está criando uma startup agora ou já vive nesse mundo do empreendedorismo a algum tempo ou é um simpatizante, pode dar sua opinião sobre as dicas, falar um pouco da sua experiência e compartilhar com os seus amigos. O link para a página do Facebook é esse aqui: Criando Uma Startup

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Separei alguns links para você aprender mais sobre os dados apresentados aqui.

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