Como a inflação e a Taxa Selic influenciam o valor do seu aluguel?

Longe de serem números vagos, os índices econômicos podem afetar até seu jeito de negociar o aluguel com o proprietário. Entenda como usá-los a seu favor.

Quando falamos em inflação, logo a relacionamos a preços do supermercado ou, em uma esfera mais ampla, a termos complicados da economia. No entanto, quem vive de aluguel deve prestar bastante atenção a esse tema. A verdade é que o preço da moradia está intimamente relacionado aos índices econômicos, inclusive a famosa Taxa Selic.

Explicaremos de um jeito fácil a seguir, confira!

Inflação x aluguel

Você já ouviu falar no Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M)? Ele costuma sair mensalmente nos noticiários — com a apuração feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) — e acompanham diferentes preços. Quando você ouvir falar sobre ele de novo, preste atenção: esse índice costuma ser um dos critérios para fazer o reajuste anual dos contratos de aluguel.

Para fazer um paralelo, assim como o IGP-M baliza os reajustes de aluguéis, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) atua em relação ao atacado e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) faz o mesmo no varejo.

Os aluguéis são reajustados de acordo com o IGP-M apurado no acumulado do ano anterior. Ou seja, se o índice teve alta, a tendência é que o valor do aluguel suba no ano seguinte, e vice-versa.

É por isso que na hora de renegociar o aluguel, você não pode ignorar esse índice. Se o preço que você paga estiver muito distante daquilo que o IGP-M aponta, você pode encontrar um espaço maior para barganhar. Por isso, vale a pena ficar de olho na evolução desse índice.

Taxa Selic afeta o valor do aluguel?

A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), encerrada em 19 de setembro, decidiu pela permanência da Taxa Selic em 6,5% — depois de um grande ciclo de quedas na taxa básica de juros. Apesar deste momento econômico, as aplicações de renda fixa continuam atrativas, já que os juros reais permanecem relativamente altos.

Assim, vamos supor que o IGP-M suba — o que, teoricamente, significaria uma desvantagem para o bolso, visto que impulsionaria os preços dos aluguéis –, mas a taxa Selic continue em queda. Por um lado, você poderia ter dificuldades em barganhar um aluguel mais baixo. Porém, seria pouco provável que o proprietário do imóvel rompesse o contrato para vendê-lo e aplicar o dinheiro adquirido em um investimento de renda fixa.

Como você pode ver, na hora de renegociar o aluguel, ficar de olho nos índices econômicos pode ser de grande valia — apesar de não ser tão simples chegar a um denominador comum. Na hora da barganha, considere a conjuntura econômica e o contexto em que você e o proprietário estão, como oferta e demanda no bairro, entraves burocráticos que impeçam a venda do imóvel pelo proprietário etc. Quando uma informação é bem utilizada, ela vale muito!