Estudo mostra que metade dos usuários do cheque especial recorre ao limite todos os meses

Utilizar o cheque especial sem planejamento é prejudicial para o seu orçamento. Para que as dívidas não se acumulem, veja como se organizar.

É fácil confundir o valor extra que vem no extrato da conta bancária como sendo parte do seu salário. Entretanto, o cheque especial é uma das modalidades com os maiores juros do mercado financeiro e é um caminho mais curto para a inadimplência. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), 46% dos consumidores brasileiros recorrem à modalidade mensalmente.

Já para 20%, é comum utilizar o cheque especial a cada dois ou três meses. Outros 17% afirmam que recorreram à modalidade em algum momento dos últimos 12 meses — prática mais comum nas classes A e B (29%). Além disso, 30% dos entrevistados afirmaram que já ficaram com o nome sujo por não conseguirem pagar o valor utilizado.

No levantamento, realizado em março, em conjunto com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), foram entrevistados 910 consumidores, acima de 18 anos, de todas as classes sociais e ambos os gêneros, nas 27 capitais brasileiras. Os resultados mostram o quão preocupante é a realidade das finanças das famílias brasileiras e como o cheque especial pode facilmente se tornar o vilão do orçamento.

“Independentemente do valor, pegar crédito sem um planejamento prévio é um grande risco para o seu orçamento. Essa é uma decisão que deve ser tomada após uma análise criteriosa dos seus gastos atuais e da tentativa de reduzi-los. Para ter uma vida financeira equilibrada, é fundamental adequar o seu estilo de vida à sua renda e não gastar mais do que se recebe”, comenta Fynn Kreuz, sócio do Numbrs, aplicativo europeu especializado em gestão financeira pessoal.

Cuidado com os juros abusivos do cartão de crédito e do cheque especial

Os juros do cartão de crédito e do cheque especial registraram queda em junho e no primeiro semestre do ano — o primeiro alcançou o menor valor em quase quatro anos. Entretanto, continuam abusivamente altos. De acordo com o Banco Central do Brasil (BC), a taxa média do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas caiu de 303,6% ao ano, em maio, para 291,9% ao ano em junho.

Já o juro médio do cheque especial passou de 311,9% em maio, para 304,9% ao ano em junho, uma queda de sete pontos percentuais. Em relação ao primeiro semestre do ano, houve uma queda de 18,1 pontos percentuais — o cheque especial alcançou 323% ao ano no fim de 2017.

Opte sempre por modalidades de crédito com juros menores

Ninguém está livre de contratempos financeiros, principalmente em tempos de crise econômica. Ainda de acordo com a pesquisa do BC, 36% dos consumidores que utilizam o cheque especial afirmaram que até tentaram outras opções de crédito, mas não obtiveram sucesso. Entretanto, 53% não tentaram buscar por juros mais baixos em outras modalidades.

Rever gastos rotineiros pode te ajudar a manter o orçamento controlado. Ajustar alguns supérfluos é uma boa saída — diminuindo as saídas excessivas ou optando por programações gratuitas. No dia a dia, você também economiza ao não deixar todas as luzes de casa ligadas para poupar energia, por exemplo. Além disso, faça sempre aportes em sua reserva de emergência, e utilize-a apenas quando necessário.

Se, ainda assim, surgir um contratempo que a reserva não for capaz de quitar, faça de tudo para não utilizar o cheque especial ou cair no rotativo. Algumas opções que têm juros mais baixo são o crédito consignado, crédito pessoal oferecido por sites ou até mesmo o pedido de adiantamento do 13º salário ou da restituição do Imposto de Renda. O mais importante é manter o controle das suas contas, para que as dificuldades financeiras não se transformem em uma bola de neve.