Nome sujo: entenda os riscos de emprestar o nome a terceiros

Emprestar seu cartão de crédito parece inofensivo, mas pode até levar seu nome à lista de maus pagadores! Saiba como ponderar se deve ou não fazer isso.

A história é comum. Um familiar ou amigo pede para usar seu cartão de crédito, ou mesmo para que você tome um empréstimo em seu próprio nome para essa pessoa. Esse hábito é tão comum quanto nocivo: emprestar o nome foi responsável por 17% dos casos de inadimplência no Brasil, segundo levantamento feito pelo Serviço ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

A pesquisa — feita com 800 consumidores inadimplentes ou que estiveram inadimplentes nos últimos 12 meses nas 27 capitais — considerou nesta estatística pessoas já com o nome sujo e que emprestaram seus documentos ou cartões para que outra pessoa fizesse compras a prazo.

O levantamento mostrou que os motivos são diversos. Por exemplo, para 51% dos entrevistados, a intenção era boa: ajudar o amigo ou familiar. Já 13% relataram vergonha de negar o pedido, enquanto outros 11% afirmaram receio de magoar quem pediu o nome emprestado.

Riscos de emprestar o nome

Emprestar o cartão de crédito pode parecer algo inofensivo, mas lembre-se: ele está no seu nome. A intenção pode ser das melhores — afinal, o calote não costuma ser o primeiro pensamento diante do pedido –, mas nem sempre pode-se contar com a boa vontade de quem pediu.

Para que se tenha ideia, em 28% dos casos, havia sido combinado um valor, mas a pessoa gastou mais do que o acordado. Em outros 23%, os entrevistados concederam seus nomes sem nem saber o valor que o outro gastaria.

“Se a pessoa não pagar o que te deve, quem deverá arcar com a despesa será você. Em último caso, se você não conseguir, é o seu nome que acabará na lista de inadimplentes”, alerta Fynn Kreuz, sócio do Numbrs, aplicativo europeu especializado em gestão financeira pessoal.

E todo cuidado é pouco: em 25% dos casos, a pessoa desapareceu após usar nome emprestado sem arcar com os valores e em 30% foi preciso se responsabilizar sozinho pelo pagamento das compras feitas por terceiros. Somente em 11% dos casos a dívida foi inteiramente quitada por quem pediu o nome emprestado e, em média, a dívida supera R$ 1,5 mil.

A hora de dizer não

Apesar do constrangimento em negar ajuda, já dizia o ditado: “Dinheiro não aceita desaforo.” Não é à toa que, segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados não voltariam a emprestar seus nomes. Por isso, antes de ceder ao pedido, é preciso ponderar os seguintes fatores:

● Por que essa pessoa está te pedindo o cartão ou nome emprestados?

● Qual é o histórico de pagador dessa pessoa: bom ou ruim?

● Essa pessoa já tem o nome sujo?

● Como está a sua situação financeira?

● Vale a pena correr o risco de emprestar seu nome e acabar tendo que arcar com a dívida de terceiros, mesmo sob o risco de ficar inadimplente?

Considere estes itens e seja sábio em sua escolha!