“(…)Falo de ter ganhado, porque cada beijo dela era um presente para minha existência. O beijo dela me fez lembrar que o paraíso existia. E era ali”.


GÊNESIS

“Não! Essa história tem coisa demais pra ser contada apenas sobre o fim”.

Eu começaria essa série pelo final. Mas fui encorajado a ir desde o começo do relacionamento. Começo mesmo.

“Inicio aqui uma fantástica história, que realmente aconteceu, mas em forma de conto, aos meus olhos.”

O PRIMEIRO OLHAR:

(somente o meu, no caso)

No começo, antes de conhece-la, eu era amigo do irmão dela (ainda somos, claro). Então, ele me convidou para ir ao apartamento dele, para resolvermos alguma coisa de trabalhos ou algo do gênero. Não me lembro muito bem hoje do que se tratava. Só me lembro dela.

Subíamos as escadas do prédio, quando vejo uma menina conversando com o síndico. Ela estava de costas , mas me chamou bastante atenção se é que sou compreendido (risos).

— Olha, as meninas do seu prédio são sensacionais, hein! — Comentei com ele. — Não ferra, cara! É minha irmã! — Respondeu ele em tom de humor. — Ah, tá bom? Você feio desse jeito? Não é possível! — Brinquei com ele.

Após alguns minutos em reunião com ele, em seu quarto, uma menina de cabelos castanhos com restinho de loiro nas pontas, entra no quarto: Branquinha, com uma boquinha bem delineada, um nariz arrebitadinho e olhos redondinhos, perfeitamente desenhados.

Sim, a menina que falava com o síndico do prédio era realmente a irmã dele!

No momento fiquei totalmente constrangido! Afinal de contas, era a primeira vez que eu a via e tinha feito um comentário grosseiro. Ele, apenas me olhou e riu, como se falasse: “viu, babaca!”.
Só me restou comentar: — Ih! É sua irmã mesmo...
Rir foi a melhor coisa que conseguimos fazer e seguimos com a reunião…

Após, fomos comer alguma coisa e ela estava na sala com uma amiga. E o mais engraçado é que foi com essa amiga que o papo fluiu mais no dia. Mas também não me lembro muito do assunto tratado com a amiga (que sempre teve um papel fundamental).
Ela e eu trocamos muitos olhares durante o dia inteiro. Ela olhava e ria e eu olhava e ria. Parecíamos duas crianças. Mesmo que eu tivesse 21 e ela 14 anos.
Sim, quando eu a conheci ela tinha 14 anos.

Aliás, ela precisa de um nome, certo? Vou chama-la de Sophie. Não é o verdadeiro. Mas é francês também, e seria o nome da nossa filha.

O PRIMEIRO BEIJO:

(um beijo que aconteceu há 7 anos e ainda sinto cada parte dele)

Bem, pra entender algumas coisas, Sophie, seu irmão e eu, saíamos muito pra dançar zouk. Ele dava bailes, eu tocava e ela nos acompanhava pra dançar também.

Dançar com ela era a coisa mais gostosa do mundo. Era o momento que tínhamos para flertar sem ser percebidos, por ser uma dança bem sensual.
Mas, como ela é uma mulher muito linda, óbvio que outros se interessavam por ela. E um conhecido do irmão dela foi o primeiro.
Mandou (na época era o que tinha) um testamento no Orkut (essa era a forma de mandar mensagem privada) dizendo o quanto ela era linda e tal. Ela me mostrou a mensagem porque tínhamos criado uma espécie de amizade, chamava-a de bebê, falava pra todos que ela era linda e cuidava muito dela. De verdade.
Ou talvez pra criar um ciúme em mim. Conseguiu.

Rimos muito daquilo. Foi a piada do dia.

Bem, até que o irmão dela foi usar o notebook e ela tinha deixado o orkut aberto. Ele viu as mensagens e não gostou muito. Sentí que talvez nada fosse acontecer por ele ter se chateado com aquilo.
Me desanimou bastante…

Tínhamos uma festa em Copacabana, e ela quase não foi! Era numa terça-feira e a mãe não deixara; Por sorte ela foi! O irmão insistiu e ela se comprometeu com os horários da aula no dia seguinte. Amém!

Antes de eu assumir o som, eu geralmente saia pra comer alguma coisa. Então a chamei para ir comigo. Ela aceitou prontamente e com o sorriso mais lindo da face da terra! Que mulher….

Comemos, e na volta, toquei sobre o assunto da mensagem que o irmão dela tinha visto. Falei:

— Cara, imagina se sou eu que mando, hein! (em tom de piada, mas certamente uma indireta)

Ela responde:

— Olha, eu acho que se fosse você meu irmão não ia ligar não…

Foi a deixa!

Paramos, nos olhamos, e simplesmente nos beijamos. Sem força, sem pressa, sem pressão. Como se o mundo tivesse parado para nos dar esse momento tão esperado e que teria um futuro lindo.

O beijo dela foi o beijo mais gostoso que já tinha ganhado em toda a minha vida.
Falo de ter ganhado, porque cada beijo dela era um presente para minha existência. O beijo dela me fez lembrar que o paraíso existe. E era ali. Num beijo de dois taurinos, que no momento não estavam apaixonados, mas estavam dando um passo para uma vida repleta de amor.
O beijo tinha paz, tinha sensualidade, tinha tesão e até mesmo amor, que desconhecíamos. Foi um beijo para a vida toda. Um beijo que mudou nossas vidas.

Voltamos para festa, trocamos carinhos a noite toda, escondidos do irmão.
E assim foi dado início à nossa história.

Segue o jogo.