O Dia Em Que Me Venderam Um C*

Gustavo Braga
Aug 8, 2017 · 3 min read

Ele disse que morava logo ali…

Vendas acontecem toda hora. Seja pra dar licença pra alguém passar, como fechar um negócio imobiliário milionário.

Além de produtos e serviços em troca de dinheiro, é uma ideia em troca de uma ação.

Um dia desses, um rapaz me ofereceu um produto peculiar.

Deixa eu te contar a história, e depois te digo se eu comprei e as técnicas de persuasão que ele usou.

Aviso: Se tu é sensível a linguagem chula, não continua lendo. Não vai mais ter asterisquinho.

A Venda

Meu cabelo tinha ficado massa.

Saindo da barbearia, eu fui comprar uma cêra e pomada pro cabelo, que o barbeiro recomendou. A loja ficava perto do terminal de integração, onde eu pegaria o ônibus pra voltar pra casa.

Ela quase atropelou a gente.

Enquanto eu atravessava a faixa de uma avenida, uma mulher passou de raspão com o carro por nós.

É. Eu não tava mais sozinho. Quando cheguei no começo da faixa, lá estava um senhor baixo, branco, de cabelo branco cortado tipo índio, regata rosa, bermuda e óculos.

“Esse mulher deve ser muito mal comida” — disse ele.

Eu sou um cara tímido, então fui concordando pra não ignorar…

Daí ele puxou outra conversa:

— Já comeu uma boceta?

— Já…

— Boceta é até legal no começo, mas depois ela vai ficando frouxa e não tem mais graça…

— Realmente…

— Agora um cú, não. Ele fica apertado sempre, então é bem mais gostoso.

— Cara, eu nem sei te dizer, porque nunca provei.

— Quer experimentar? — Eu moro bem ali

— hahah Não, amigão. Valeu.

— Ainda te dou uma chupada antes…

(insistiu um pouco mais…)

— Eu moro bem ali, a duas ruas

— Não, amigão. Deixa pra próxima.

— Onde tu mora?

— Cohatrac

— No Cohatrac tem muito comedor de cú bom…

— É mesmo?

Fui me despedindo e atravessando outra avenida, pra chegar até a loja e disse:

— Na hora, cara. Falou.

— Tá bom. Qualquer coisa moro bem ali.

E foi isso aí

HahahahahahhaahhahahahahahahahahaahahhahahahahahahahaHahahahahahhaahhahahahahahahahahaahahhahahahahahahahaHahahahahahhaahhahahahaha.

Parágrafo de risadas, porque é uma história massa.

Agora deixa eu te contar as técnicas que ele usou em mim e porque eu não comprei.

A Técnica

  • Conexão

— Já comeu boceta?

A primeira coisa que ele fez foi identificar uma verdade minha, gerando conexão.

— Buceta é até legal no começo, mas depois ela vai ficando frouxa e não tem mais graça…

Depois disso ele destruiu essa verdade, me fazendo concordar, mesmo que por timidez, que o que eu conhecia não era tão bom assim. Nesse momento eu era, em teoria, um papel em branco. Tudo o que eu conhecia sobre prazer sexual não existia mais.

— Agora um cú, não. Ele fica apertado sempre, então é bem mais gostoso.

Então, ele inseriu uma nova verdade, melhor do que a que eu já conhecia.

  • Call-to-action+ simplicidade

— Quer experimentar? — Eu moro bem ali

Assim que eu disse que eu nunca tinha experimentado, ele viu a “necessidade” e chamou pra ação. Além disso, usou o gatilho da simplicidade pra mostrar que eu não precisava fazer muito esforço pra “efetuar a compra”.

  • Bônus

— Ainda te dou uma chupada antes…

Percebendo que eu ainda tinha objeções a tomar a ação, ele ofereceu um bônus pra aumentar o valor percebido do produto (ou seria serviço?).

  • Prova social e pertencimento

— No Cohatrac tem muito comedor de cú bom…

Vendo que eu ainda tinha objeções, ele me disse que muita gente já tinha tomado essa ação, o que é a prova social, e que as pessoas do meu bairro eram especialmente boas nisso, me fazendo sentir uma sensação de pertencimento a esse grupo.

Por Que Eu Não Comprei

Objeções.

Esses são os motivos pelos quais a gente não toma uma ação.

A objeção de “nunca comi um cú e não é com um macho velho que vou fazer isso” era muito forte pra ele quebrar.

Então eu não tomei a ação.

Então é isso aí. Nós somos persuadidos a fazer várias coisas todos os dias, desde coisas comuns a esdrúxulas como essa haha.

Qual o produto mais peculiar que já te ofereceram?

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Gustavo Braga

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Copywriter, Translator, Entrepreneur, Curious

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