O Dia Em Que Me Venderam Um C*

Ele disse que morava logo ali…
Vendas acontecem toda hora. Seja pra dar licença pra alguém passar, como fechar um negócio imobiliário milionário.
Além de produtos e serviços em troca de dinheiro, é uma ideia em troca de uma ação.
Um dia desses, um rapaz me ofereceu um produto peculiar.
Deixa eu te contar a história, e depois te digo se eu comprei e as técnicas de persuasão que ele usou.
Aviso: Se tu é sensível a linguagem chula, não continua lendo. Não vai mais ter asterisquinho.
A Venda
Meu cabelo tinha ficado massa.
Saindo da barbearia, eu fui comprar uma cêra e pomada pro cabelo, que o barbeiro recomendou. A loja ficava perto do terminal de integração, onde eu pegaria o ônibus pra voltar pra casa.
Ela quase atropelou a gente.
Enquanto eu atravessava a faixa de uma avenida, uma mulher passou de raspão com o carro por nós.
É. Eu não tava mais sozinho. Quando cheguei no começo da faixa, lá estava um senhor baixo, branco, de cabelo branco cortado tipo índio, regata rosa, bermuda e óculos.
“Esse mulher deve ser muito mal comida” — disse ele.
Eu sou um cara tímido, então fui concordando pra não ignorar…
Daí ele puxou outra conversa:
— Já comeu uma boceta?
— Já…
— Boceta é até legal no começo, mas depois ela vai ficando frouxa e não tem mais graça…
— Realmente…
— Agora um cú, não. Ele fica apertado sempre, então é bem mais gostoso.
— Cara, eu nem sei te dizer, porque nunca provei.
— Quer experimentar? — Eu moro bem ali
— hahah Não, amigão. Valeu.
— Ainda te dou uma chupada antes…
(insistiu um pouco mais…)
— Eu moro bem ali, a duas ruas
— Não, amigão. Deixa pra próxima.
— Onde tu mora?
— Cohatrac
— No Cohatrac tem muito comedor de cú bom…
— É mesmo?
Fui me despedindo e atravessando outra avenida, pra chegar até a loja e disse:
— Na hora, cara. Falou.
— Tá bom. Qualquer coisa moro bem ali.
E foi isso aí
HahahahahahhaahhahahahahahahahahaahahhahahahahahahahaHahahahahahhaahhahahahahahahahahaahahhahahahahahahahaHahahahahahhaahhahahahaha.
Parágrafo de risadas, porque é uma história massa.
Agora deixa eu te contar as técnicas que ele usou em mim e porque eu não comprei.
A Técnica
- Conexão
— Já comeu boceta?
A primeira coisa que ele fez foi identificar uma verdade minha, gerando conexão.
— Buceta é até legal no começo, mas depois ela vai ficando frouxa e não tem mais graça…
Depois disso ele destruiu essa verdade, me fazendo concordar, mesmo que por timidez, que o que eu conhecia não era tão bom assim. Nesse momento eu era, em teoria, um papel em branco. Tudo o que eu conhecia sobre prazer sexual não existia mais.
— Agora um cú, não. Ele fica apertado sempre, então é bem mais gostoso.
Então, ele inseriu uma nova verdade, melhor do que a que eu já conhecia.
- Call-to-action+ simplicidade
— Quer experimentar? — Eu moro bem ali
Assim que eu disse que eu nunca tinha experimentado, ele viu a “necessidade” e chamou pra ação. Além disso, usou o gatilho da simplicidade pra mostrar que eu não precisava fazer muito esforço pra “efetuar a compra”.
- Bônus
— Ainda te dou uma chupada antes…
Percebendo que eu ainda tinha objeções a tomar a ação, ele ofereceu um bônus pra aumentar o valor percebido do produto (ou seria serviço?).
- Prova social e pertencimento
— No Cohatrac tem muito comedor de cú bom…
Vendo que eu ainda tinha objeções, ele me disse que muita gente já tinha tomado essa ação, o que é a prova social, e que as pessoas do meu bairro eram especialmente boas nisso, me fazendo sentir uma sensação de pertencimento a esse grupo.
Por Que Eu Não Comprei
Objeções.
Esses são os motivos pelos quais a gente não toma uma ação.
A objeção de “nunca comi um cú e não é com um macho velho que vou fazer isso” era muito forte pra ele quebrar.
Então eu não tomei a ação.
Então é isso aí. Nós somos persuadidos a fazer várias coisas todos os dias, desde coisas comuns a esdrúxulas como essa haha.
Qual o produto mais peculiar que já te ofereceram?
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