Maria do Carmo Miranda da Cunha, 1909–1995

Elas são degrades

Elas são degrades

As representações de variações gradativas

Faz qualquer um se perder

Por sua amplitude em viver.

São as sequências contínuas de tons,

Mulheres aquareladas

Recheadas de dons

Totalmente esculpidas e não simplesmente nascidas

Foram pela história esperadas, vividas.

Elas são fortes e as vezes não iguais

Seus corpos florescem todos os dias em todas as meninas

Sendo totalmente esculturais

São todas degradês

Não importa se é loira, mulata

Negra, amarela ou parda

Todas são e o fato está nessa singularidade

de simplesmente ser.

São elas degradês

Dandaras, Tarsilas ,Marias, Martas,

Leolindas, Carmens, Lottas, Anitas,

Penhas, Zuzus, Chicas, Nísias,

Shirleys, Leilas, Robertas,

Elzas, Fernandas e Zildas

Desabrocham todos os dias dentro das meninas.

Nomes que carregam histórias

Mulheres que carregam por dentro todas as deusas

O que as iguala é serem degradês e brasileiras.