A liberdade do não

Quando recebi o tema dessa segunda quinzena do Centro, só pude pensar em uma coisa sobre a qual escrever: liberdade de escolha.

Sim, de escolha.

Da escolha de não querer ter filhos e de como isso, em pleno 2017, ainda choca as pessoas.

Depois dos 30 anos, depois de casada, você começa a se sentir pressionada a se encaixar no padrão. Surgem as perguntas: “quando vocês terão filhos?’’, ‘’quantos querem ter?’’…

E quando eu dou minha resposta…

‘’Você vai se arrepender disso um dia’’;

‘’Você seria uma ótima mãe’’;

‘’Mas você não gosta de criança?’’;

‘’Mulher TEM que ter filhos, senão fica seca por dentro…’’

Fora isso, ainda tem a cara de espanto das pessoas na sua frente dizendo aquilo tudo e lhe tachando como alguém egoísta.

O que elas não levam em consideração é que isso é uma escolha consciente. E que essa escolha é direito meu e preciso ser respeitada por isso.

Somos, desde a infância, já programadas pelas brincadeiras de boneca, pelos desenhos, romances e novelas, para sermos, no futuro, cuidadoras de alguém. Aprendemos desde cedo a ser zelosas, bondosas, afetuosas… Todas essas, características perfeitas de uma futura mãe.

Mas será que isso é um destino biológico? Nós, mulheres, temos todas as características biológicas para gerar uma vida. Mas por que isso tem que ser o destino de todas?

Afinal, somos nós que abrimos mão da nossa individualidade como pessoas, que saímos dos nossos cargos e empregos (conseguidos a duras penas) para mudar radicalmente de vida. E, para mim, é perfeitamente normal que eu queira seguir com a vida de agora, que eu possa fazer planos para a minha carreira, para o meu tempo livre, e que neles estejam inclusos apenas eu e meu esposo.

Mas, ao questionar tudo isso, somos vistas como egoístas. Já está na hora de pararmos de confundir autoconhecimento com egoísmo.

No fim, é apenas outra opção de vida, assim como quem opta por ter filhos. Nós, mulheres, podemos nos sentir realizadas com ou sem eles.

Devemos ter a liberdade da nossa escolha. E também de falar dela sem tantos julgamentos.

“Não há vida sem arrependimentos. Toda escolha importante tem suas vantagens e desvantagens, queira as pessoas admitam isso ou não ou até mesmo reconheçam o fato: não ser mãe traz a liberdade radical e duradoura que é essencial para minha felicidade. Eu nunca conhecerei a intimidade ou o impacto que ser uma mãe tem sobre um filho. Perdas, incluindo a perda de possibilidades futuras, são inevitáveis na vida; ninguém consegue ter tudo.” (Beyond Motherhood [Além da Maternidade], de Jeanne Safer)

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