Amor, a nova doença crônica

Não sei quando o amor passou a ser o vilão da história, só sei que virou. Quem ama é visto como o mau sujeito da trama, que deve ser evitado, aquele ao qual todos atravessam a rua para não cruzar. Amar passou a ser doença contagiosa, ninguém se aproxima, porque “vai que pega, né?”, melhor não arriscar.

A frieza, a distância, o descarte prematuro de pessoas e sentimentos são a nova onda. “Sofri tanto que agora me tornei uma pessoa fria”. Essa frase é repetida com tamanho orgulho que não sei se sinto pena ou medo do sujeito. Mas porque pena? Porque não se entregar, se privar e não viver apenas por pensar que talvez possa sofrer não é viver a vida com liberdade. Liberdade é se permitir e dentro disso cabe felicidade, dor e muitos outros sentimentos que só se conhece metendo a cara. A vida é uma só para se privar por medo. Por isso sim, tenho pena. Pena demais.

Mas e o medo? Ora, basta olharmos o mundo do jeito que está. Nunca se viu tanto sangue nas manchetes, tanto mal, ódio, desconsideração e falta de empatia com qualquer ser. E sabem o que isso significa? Pura e simples falta de amor. Quem discordar que me perdoe, mas também já deve ter perdido a capacidade de amar.

O amor ficou limitado há poucos, que correm o risco de sofrerem a vida toda com essa nova doença crônica. Ela não tem cura e surge sempre como uma pontada no peito e em alguns momentos parece que vai matar. Mas eu juro, juro mesmo, que de amor não se morre. De amor se vive e de amor que se constrói as coisas boas desse mundo. Não tenha medo de se infectar. Não deixe que o amor exista só nas canções que você gosta de cantarolar no chuveiro. Permita-se viver tudo isso e quem sabe daqui há algum tempo você será o compositor, não só da sua própria canção de amor, mas da canção da sua vida.

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