Internet: dá pra viver produzindo conteúdo?

A pergunta título deste texto é uma que as pessoas muitas vezes se fazem. Será realmente possível sobreviver através de conteúdo postado na internet?

As chamadas “Profissões do futuro” ou “Profissões da nova geração” estão cada vez mais em alta, e com mais pessoas se interessando por elas a cada dia. youtubers, podcasters, gestores de mídias sociais, e até influenciadores digitais: esses são alguns dos exemplos que são tão comuns nos dias de hoje. Há alguns anos atrás você ouvir de alguém que sua profissão é ser “gestor de mídias sociais”, seria inacreditável e até engraçado. Mas eles existem. O que fazem? Simples, administram as redes sociais de alguma loja, empresa ou até de alguém famoso.

No Youtube, vemos exemplos como a Kéfera e seu canal 5inco minutos que já conta com mais de 10 milhões de inscritos, ou o Whindersson Nunes que já tem mais de 21 milhões de pessoas o acompanhando. O que os dois tem em comum além do mesmo trabalho, é que eles fazem algo além do Canal no Youtube para sobreviver. Kéfera está lançando, agora em 2017, o seu terceiro livro, e o filme em que foi protagonista — É Fada — levou mais de 1 milhão de espectadores ao cinema. Whindersson viaja o Brasil e o mundo com seu show de stand up comedy.

Com esses exemplos acho que já dá para quebrar um pouco o tabu de que quem trabalha na internet “trabalha pouco”. Geralmente essas pessoas acabam criando uma fonte de renda ALÉM da principal. Como exemplo, temos também o Jovem Nerd, maior site de cultura pop do país juntamente com o Omelete. O primeiro tem uma loja online em que vende camisetas e outras coisas voltadas para o público nerd, enquanto o segundo oferece uma box: você faz a assinatura e recebe produtos “misteriosos” em casa.

Mas será que é fácil para todos conseguir viver com o conteúdo postado nas redes?

Para falar sobre esse assunto tão cativante, eu convidei o Jurandir Filho, criador de um dos maiores sites de cinema do Brasil, o Cinema com Rapadura, e do maior podcast sobre cinema, o RapaduraCast. Acompanhe:

Há quanto tempo você trabalha na internet? Trabalho desde 1999 com internet, quando criei meu primeiro site de games, aos 17 anos. Foi minha primeira experiência profissional, pois tive que fazer um CNPJ para poder registrar um endereço “.com.br”. Hoje só precisa de um RG, são outros tempos. Mas foi em 2004 que comecei a trabalhar com o que seria minha carreira profissional: o Cinema Com Rapadura. Comecei com um projeto de faculdade e hoje é um dos maiores veículos sobre cinema do Brasil.

Você está satisfeito com o retorno que tem? Hoje, após 13 anos, posso dizer que sim. Eu passei quase 5 anos trabalhando no site sem ganhar nenhum tostão. Muito por causa da minha falta de experiência com a parte comercial. Até que decidi estudar e me atualizar. Assim pude enxergar internet como algo possível de se ter retorno financeiro. Desde 2009 que o CNPJ do Rapadura existe e desde então vivo exclusivamente dele e de outros trabalhos online (como o 99Vidas, que tem podcast e jogo lançado).

Na sua opinião, quais são as maiores dificuldades desse trabalho? A maior dificuldade é o tempo, pois o retorno financeiro para quem trabalha online só vem após muito tempo de dedicação. Como nem todo mundo está disposto a passar 2, 3, 4 anos trabalhando sem ter retorno, acaba sendo fácil desistir. É necessário disciplina, dedicação, e perseverança para trabalhar com internet. Não quero desestimular os sonhos alheios, mas chegar na internet achando que vai conseguir viver dela, é desejo quase impossível de se realizar a curto prazo.

O que você acha que poderia ser feito para melhorar? Já existem plataformas que ajudam você a começar trabalhar online. Wordpress para sites/blogs, Youtube para canais, criar um CNPJ está cada vez menos complicado. Para trabalhar online, é necessário empenho de todos, inclusive da família (que muitas vezes são os primeiros a questionar se “isso leva a algum lugar”). Aquela frase “contra tudo e contra todos” se aplica bem para quem trabalha online. Tem que ter inteligência para saber a área de atuação e tentar fazer melhor/diferente. Só assim para se destacar.

Por outro lado temos o Erik Avilez, que produz conteúdo há 3 anos e meio para a internet e é um dos criadores do site de cultura pop PontoJão e do podcast PontoCast. Ele diz que gostaria de trabalhar apenas na internet, porém, no momento, isso não é possível, e assim ele também mantém um emprego. Ao ser perguntado sobre o que poderia fazer de diferente para viver apenas do trabalho na internet, ele responde que ter mais capital para investir em equipamentos e divulgação o ajudaria muito.

O que podemos concluir é…

Não é tão fácil como algumas pessoas imaginam. Leva tempo, dedicação, noites mal dormidas, e muito trabalho, mas sim, é possível! Com tantas histórias de sucesso que vemos por aí, fica difícil não acreditar. Deve ser por isso que na pesquisa em que fiz no Twitter, a maioria dos participantes acha que sim, é possível. Estamos em outros tempos, outra geração, com outras formas de mostrar nossa criatividade e nosso talento.

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