Tempo.

Salvador Dalí, A persistência da Memória.

Trilha sonora para leitura:

Acho que sempre tive uma certa obsessão com a medição do tempo.

Me lembro de ter ganho meu primeiro relógio de pulso aos 6 anos e até hoje não consigo sair de casa sem um. Depois, com o passar dos anos, veio o gosto por calendários e agendas. E mesmo hoje, quando existem tantos aplicativos para nos dar lembretes ou guardar informações, é na agenda de papel que anoto tudo.

Tudo isso me faz pensar que eu sempre quis monitorar o tempo. Ou ter controle sobre ele. Hoje eu sei que isso não é possível.

É ele quem manda. Na verdade sempre foi.

O “problema’’ é que ele parece estar andando rápido demais.

Eu não sei se isso é reflexo da nossa era de comunicação imediata — em que basta alguém não responder na hora para deixar-nos impacientes — ou se desaprendemos a esperar qualquer coisa.

Lembra de quando mandávamos cartas e ninguém reclamava do quanto isso demorava? Aliás, a espera era até uma sensação gostosa…

Enfim, já que não conseguimos parar o tempo, existe alguma coisa que possamos fazer?

Eu penso muito nisso. É tópico recorrente no meu hall de preocupações diárias. Mas, no fundo, eu sei que é “tempo perdido’’ (olha a incoerência…). Essa briga eu já perdi.

Tenho tentado entendê-lo, fazer melhor uso dele. Mas sinto que ele me escapa, que ele me cobra e que eu envelheço…

Já faz algum tempo que tenho tentado (e até conseguido) desacelerar um pouco. Tenho conseguido achar prazer num tédio de domingo por exemplo. Tenho me permitido “não fazer nada’’. Por mais que isso seja relaxante (e acredito que necessário) para nossa mente e corpo, não quer dizer que depois aquela vozinha do mal não fique ecoando na minha cabeça dizendo “você ficou à toa, podia ter feito taaaaanta coisa…’’

É, talvez a minha relação com o tempo será a de uma batalha eterna tentando entender como melhor aproveitá-lo.

Ou talvez eu tenha que seguir a máxima do CARPE DIEM.

Como diz o poeta Mário Quintana:Quando se vê, já são seis horas…Quando se vê passaram 50 anos’’

O tempo urge! E urgente é minha vontade de viver.

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