Vida de Instagram - A Síndrome da Vida Perfeita

Quem nunca, ao rolar o feed do Instagram, foi baqueado por uma sensação estranha, achando que sua vida era um saco e que as outras pessoas curtiam muito mais as delas? E atire a primeira pedra aquele que jamais deu uma editada na vida real para poder postar nas redes sociais com garantia de likes.

A vida perfeitamente feliz não é mais aquela de comercial de margarina, mas a de quem acorda com o cabelo bonito, vai para academia com seu personal, conhece os melhores restaurantes, escolhe o melhor look para a reunião do dia e viaja para destinos paradisíacos. Ah, claro, e posta tudo isso. Porque se não fizer check-in, não vale.

As redes sociais têm o poder de escancarar os estereótipos mais absurdos da vida perfeita. Existem cada vez mais padrões e, geralmente, acreditamos que só seremos socialmente aceitos se os seguirmos. Confesso que já fiquei preocupada, depois de passarem uns 30 minutos e eu receber menos de 10 likes em um post. Será que a foto não está boa? Será que eu escrevi besteira? Será que as pessoas não gostam de mim?

Exageros à parte, as redes nos fazem querer seguir um modelo. Necessitamos da aprovação do outro através de likes e comentários que elevam nossa autoestima. Queremos a validação daquilo que nem temos certeza em nós mesmos. Sofremos de uma carência afetiva, que tentamos suprir digitalmente.

Atualmente, figurinhas frequentes nas nossas timelines são os digital influencers. Para o marketing, é uma excelente ferramenta de divulgação de produtos e serviços, pois celebridades (nativas ou não da internet) e autoridades em determinados assuntos dão seu aval para marcas, ajudando com que elas falem com um grande número de pessoas ao mesmo tempo. Como toda publicidade, as ações precisam ser positivas, bonitas e fazerem o possível para afastar os problemas cotidianos. O que não podemos é achar que as 24 horas do dia desses influenciadores são maravilhosas e que eles não batalham como todo mundo. Talvez nossa vida seja melhor que a deles (talvez não financeiramente, porém, dinheiro não é tudo, né?).

Existem casos, como da blogueira australiana Essena O’Neill, que ganhou destaque mundial ao desistir de mostrar a vida perfeita em seu perfil. Ela precisou dar um basta para ter o direito de viver a vida real.

Momento reflexão

Olhando por outro viés, qual o propósito de postar infelicidades nas redes? O mundo já está tão cheio de tragédias e problemas, que não vejo motivos para disseminarmos tristeza e gritar aos ventos que as coisas não andam bem. É tão bom ver o sucesso de quem queremos bem, se inspirar nas alegrias, dar um sorriso ao ver uma paisagem bonita, sentir vontade de conhecer novos lugares. Ter mais motivação. Acreditar que as coisas podem dar certo pra nós também.

Tudo é uma questão de bom senso. Sempre. Tem quem prefira encenar a felicidade, a realmente buscar a sua — que eu garanto: não está na web. Está aí dentro de você, caro leitor. Ninguém precisa passar Photoshop na foto para ser feliz ou fazer check-in em um lugar que nunca esteve antes para ter amigos.

Parafraseando Abraham Lincoln, “ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas deixar de ser vítima dos problemas e se tornar o autor da própria história”. Faça as postagens que sentir vontade, mas viva a sua verdadeira vida.

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