Glorioso

“Orgulho que nem todos podem ter”

Por Dora Scobar


A semana toda era um sufoco, exceto pelas quartas-feiras. Era toda quarta quando nos encontrávamos, e vezes aos domingos. Contava os dias para vê-lo. A cada encontro bradava meu amor por ele, só assim o nó na minha garganta parecia desfazer-se um pouco. Cantava porque precisava que soubessem que o amava. Um privilégio, afinal, nem todos poderiam tê-lo. Nascer, viver e morrer; ficava claro para mim, era tudo por amor. Por mais complicado que fosse normalmente, com ele era simples. Era como preto no branco. Por minha paixão alvinegra eu cruzaria mares e subiria serras. Batalharia por ele se fosse necessário, mas dificilmente seria. Não era do tipo de sentimento que iniciava guerras; e sim, as parava. Soldados, cabos, majores e tenentes: venham ver que lindo meu amor. Meu primeiro e eterno amor que transcende o espaço e o tempo. Os anos podem até passar, mas ao lado dele me sinto sempre jovem, um verdadeiro menino. Por fim, minha vontade era de cantar para o mundo inteiro, mas por ser tão humilde diante do maior amor do mundo, guardarei minha carta em uma caixinha. E a caixinha guardarei no alçapão.


O CONTRA-ATAQUE apresenta: “Orgulho que nem todos podem ter”, uma coluna do Santos.