O jogador de futebol tem vida fora de campo — e no São Paulo não é diferente.

O Contra-Ataque
Aug 8, 2017 · 4 min read

“Ó, Tricolor”

Por Luca Machado

Marcello Fim/Estadão Conteúdo

O futebol teve muitas mudanças, dentro e fora do campo. A intensidade do jogo aumentou, a tática mudou, o preparo físico foi incrementado, etc. Ao mesmo tempo, mundo afora, TUDO evoluiu. As possibilidades de divertimento aumentaram: tecnologia, festas, carros, quantidade de viagens possíveis. Com isso, é impossível cobrar de um jogador que ele dedique todo o seu tempo pensando apenas em futebol ou no clube que defende — mesmo que muitos sejam “obrigados” a fazer isso.

Após mais uma derrota do São Paulo no Campeonato Brasileiro e o término do turno na zona de rebaixamento, há uma chuva de críticas ao elenco, ao treinador e até à cor do cabelo de um dos jogadores — já que, pelo visto, Jr. Tavares não pode ter vida fora do clube. O lateral entrou no segundo tempo do jogo contra o Bahia e foi criticado por seu novo ‘look’, pois, como foi visto em vários tweets de são-paulinos, “não é hora de pintar o cabelo”. É preciso que alguns torcedores entendam que a maioria dos jogadores não pensam — e não precisam pensar — o tempo todo no time. A relação dos jogadores com a instituição é mais fragilizada do que era há 20 anos, em relação à paixão pelos clubes nos quais jogam. Apesar do aumento do profissionalismo envolvido, NÃO podemos exigir, tendo em vista toda a tecnologia, as festas e o dinheiro proporcionados aos atletas hoje em dia, que eles não queiram tomar uma cerveja, pintar seus cabelos ou postar uma foto sorrindo com os amigos — desde que não prejudique a qualidade do futebol do jogador. Além disso, todos sempre fizeram isso, mas hoje, com as redes sociais, tudo ‘vaza’ para os torcedores, inclusive, também, pela evolução da mídia.

No início do ano, surgiu um vídeo do meia Cueva festejando e bebendo uma cerveja. O time estava ganhando no Campeonato Paulista e não foi hostilizado pelos torcedores, ocorrendo justamente o contrário. Agora, com o time perdendo e o peruano em má fase, ele não pode nem vacilar com uma postagem no Instagram, pois daria mais um “argumento” aos críticos. Inclusive, o atual jogador do Palmeiras Michel Bastos, ex-São Paulo, já foi flagrado com uma cerveja e só foi criticado após sua má fase (clique aqui para ver a matéria). Vejo como hipocrisia criticar a vida pessoal dos jogadores apenas nos momentos adversos do clube, como a maioria faz. Temos que lembrar que eles são seres humanos.

Reprodução/Facebook

Claro, Júnior Tavares e Cueva não vêm jogando bem há algum tempo e devem ser criticados por isso. Ambos são jogadores profissionais e tem o dever de darem o seu máximo em campo. Entretanto, não podem ser cobrados pelo que fazem fora do ambiente profissional. O que realmente deve importar aos torcedores é a disposição e o rendimento dos jogadores dentro de campo. O restante é de aspecto particular dos atletas.

Há de se entender que a estrutura dos clubes foi criada para que todos, do camisa 1 ao 99, não tenham que se preocupar 100% com o clube. Fora das quatro linhas e dos centros de treinamento, não importa o que os jogadores façam. Eles podem pintar o cabelo — mesmo que fique feio e você não goste — , podem sair para se divertir com os amigos e viverem suas vidas pessoais. Ou você não pode sair de casa se a empresa na qual você trabalha está em um mau momento?

Ademais, vocês acham que ídolos do clube nos anos 1990, como Raí e Zetti, não bebiam uma cerveja? Vocês apenas não ficavam sabendo.

Um-dois

À torcida: continuem apoiando, cantando e comparecendo ao Morumbi. Não podemos deixar que a falta de público prejudique ainda mais o time. O preço do ingresso está justo e a presença ajuda.

Aos que acham que time grande não cai: fiquem quietos. Essa arrogância de que time grande, ou gigante, não cai é uma das maiores balelas do futebol brasileiro. O primeiro passo para sairmos dessa é admitir que o risco de cair é real.

Contas para sair dessa: 8 vitórias e 3 empates, 27 pontos para chegar ao ‘corte’ de 46. Será difícil, mas não impossível para o Clube da Fé.


O CONTRA-ATAQUE apresenta: “Ó, Tricolor!”, uma coluna do São Paulo Futebol Clube.

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o futebol é uma manifestação cultural

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O futebol é uma manifestação cultural.

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