Eduardo Baptista e Rogério Ceni, treinadores no primeiro Choque-Rei do ano

Os primeiros guilhotinados

Em clássicos no Allianz Parque, o São Paulo tem média de um técnico a cada seis meses. Palmeiras troca na mesma frequência

Gabriel Paes
Aug 25, 2017 · 4 min read

Muricy Ramalho ainda treinador, Rogério no gol, Pato e Ganso no ataque tricolor. Todos esses personagens estiveram presentes no primeiro Choque-Rei na casa do rival Palmeiras, no dia 25 de março de 2015. De lá pra cá, o time do Morumbi jogou mais três vezes no estádio com treinadores diferentes e times modificados, evidenciando a falta de planejamento na década atual.

Muricy

O tricampeão brasileiro foi o primeiro técnico do São Paulo a pisar no novo estádio alviverde. O time foi a campo no 4–2–3–1, marca do “arroz-com-feijão” que ele pôs em prática desde sua volta em 2013 para salvar o time do inédito rebaixamento. Dessa vez, no entanto, foi pouco efetivo e perdeu por 3 a 0, em jogo marcado pelo antológico gol de cobertura de Robinho no experiente Ceni. Muricy, que tinha contrato até o fim de 2015, acabou entrando em acordo com a diretoria e selou sua última passagem pelo clube. Atualmente, é comentarista do SporTV.

Osorio

O colombiano foi contratado logo após a saída de Muricy, com a missão de levar o time do São Paulo à Libertadores. Ao final do campeonato, o time alcançou seu maior objetivo, mas o gringo não evitou percalços: 4 a 0 para o Palmeiras, ainda na 9ª rodada. O time tricolor na época fazia campanha similar a do alviverde na temporada atual e oscilava bastante. Osorio ficou no clube até Outubro, quando saiu para comandar a seleção do México, em projeto para a Copa-2018. Para seu lugar, ainda veio Doriva, que ficou por pouco tempo e deu lugar a Milton Cruz no comando da equipe.

Ricardo Gomes

O carioca assinou para a sequência do Campeonato Brasileiro em 2016 após a saída de Bauza, convocado para treinar nossos hermanos argentinos (também durou pouco por lá). Foi o treinador que mais teve dificuldade em acertar o esquema do time, mas conseguiu, no clássico, fazer o jogo mais parelho com o rival até aqui: derrota por 2 a 1, após virada em gols de bola parada. Saiu do time no mesmo ano, em mais uma trapalhada da diretoria.

Rogério Ceni

O ídolo tricolor foi chamado no começo do ano para conduzir o time à reestruturação: trouxe novos jogadores, alguns conhecidos da torcida e outras apostas, além da tentativa de apresentar um futebol bem jogado, com saída de bola e um esquema com três zagueiros — em alta no futebol europeu. Não obteve sucesso em sua primeira aventura como treinador e perdeu para o contestado time de Eduardo Baptista, por 3 a 0, ainda no campeonato Paulista.

Dorival

Foto: Estadão Conteúdo

É o técnico que mais vezes pisou no Allianz Parque, em 2 jogos pelo próprio Palmeiras, 4 pelo Santos e com uma curiosidade: nunca saiu do campo vitorioso. Agora, pelo São Paulo, terá mais uma vez a chance de quebrar o tabu e tirar o time da zona de rebaixamento, naquele que pode ser — para os dois clubes — o divisor de águas da temporada.


O outro lado também é bagunçado: o Palmeiras teve Oswaldo e Marcelo de Oliveira, além de Cuca (que vai para seu segundo Choque-Rei em casa) e Eduardo Baptista, “tapa-buraco” no começo do ano. A ansiedade e a pressão que o clube tem sentido para executar o planejamento, nos últimos anos, tem sido enorme.

Depois de três eliminações em que o time jogou muito mal, a torcida está próxima do limite e já pediu a saída de Cuca (confira aqui). No entanto, o presidente Mauricio Galiotte, em gravação do programa Bola da Vez, da ESPN, afirmou estar seguro:

Foto: Divulgação

“Eu confio no trabalho do Cuca, foi campeão oito vezes nos últimos oito anos. Sou bastante ponderado nas minhas decisões, mas não abro mão do comando. O presidente do Palmeiras tem de estar preparado para sofrer pressão. Caso ocorra o que você está dizendo (uma derrota no Choque-Rei), Mattos será mantido e Cuca será mantido. O trabalho terá continuidade.”

As duas equipes se enfrentam no domingo, no Allianz Parque, para tentar em campo, acertar o que as diretorias não conseguem fora dele. A pressão é gigante por todos os lados e ambos precisam da vitória.

O Palmeiras, para salvar o ano e carimbar seu passaporte para mais uma Libertadores.

O São Paulo, para evitar o primeiro rebaixamento do clube e quebrar o tabu de não vencer o rival em sua casa, que chega a quase dez anos na soma com o Parque Antártica.


O Contra-Ataque

O futebol é uma manifestação cultural.

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Gabriel Paes

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Cultivo especial aversão ao homem-de-bem, à família tradicional e ao Brasil que deu certo.

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O futebol é uma manifestação cultural.

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