Descoberta

Finalmente descobri em um reflexo;
reflexo original, reflexo aquático mesmo,
que minha pele era de papel, meus olhos eram pureza,
e minha alma era um rio interminável de casualidade.
descobri, ao descobrir as pálpebras,
que teu espírito jorrava movimento,
e reinava ali a distância, a luz e a esperança,
mas luz maior descobri em estrelas e astros cadentes,
que me metralhavam sem piedade com sua giganteza,
e bordavam minha consciência com as mais belas flores,
senti-me tomado pela selvageria dos animais,
me reconstruí finalmente como uma metrópole iluminada,
o caos dos mares me inundou em eterno retorno,
me perfuraram as raízes de todas as árvores,
e como espinhas me surgiram infinitas montanhas e cordilheiras
e me expandi perfeitamente ao longo do ar,
respirei enfim o vácuo universal,
me abraçou a agonia da inexistência
e hoje tenho apenas vontade de finalizar,
mas infelizmente, já descobri as pálpebras.