Manifesto do Animal

Savagery Season 1 — Nathalie Letulle

Ao longo do desenvolvimento da nossa espécie, foi se concebendo uma fé sobre a importância da inteligência e da racionalidade, além da crença de que a partir delas iríamos chegar a mudanças positivas.

Essa farsa ainda permeia a cabeça da sociedade de maneira demagoga e quase absoluta. Somos levados a acreditar que podemos diagnosticar o futuro e a entender todas as possibilidades de reações, por apenas conhecermos as ações. Porém, a inteligência não é algo que a massa busque—tratando-se da massa no sentido numeral, não de classes sociais—, pois ela é extrínseca ao ser humano, logo, a racionalidade só é utilizada pela necessidade ocasionada pelo sistema e pela sociedade. Para conseguir sua forma de sustento e sobrevivência—seja esta uma especialidade para determinado emprego, a realização de uma faculdade para vantagem no mercado e etc.—, ou para relacionar-se com o próximo, só é necessário um pensamento simples e raso, uma farsa de inteligência, uma mera piada de ciência.

A inteligência que surge do pensamento crítico, a qual é mãe de todos os conhecimentos ligados à racionalidade humana, é adquirida por indivíduos que possuíram uma construção em sua personalidade para tal. Estes indivíduos, como eu e você, meu caro leitor, possuem total responsabilidade por toda a catástrofe mundial em que estamos. Pois é através do pensamento crítico, que tudo questiona, tudo busca entender e tudo busca melhorar, que o ser humano chegou ao seu estado atual: a total desgraça.

Para nossa crise pós-moderna onde o pensamento humano já não possui nenhuma perspectiva, só existe uma solução: deixemos de pensar! Devemos retomar todas as nossas raízes como animais, voltar a nos guiar pelo instinto, arrancar esses enganos que chamamos de sentimento e desabrochar como apenas mais uma espécie diante da natureza. Esta que é a nossa mãe e nós estamos cuspindo na sua cara há mais de 4 milênios. Está na hora de seu filho mais arrogante retornar à casa antes que acabe se suicidando!

É necessário deixar a civilização de lado. Berrar pelo instinto, rosnar contra a ciência, morder as instituições religiosas, mijar na propriedade privada e cagar sobre o Estado. É preciso, antes de tudo, voltar a ser animal!