O PT é um saco de leite com dois furos

Como já diria Vicente Matheus : O difícil… não é fácil.

Foto:Reprodução/Facebook

A imprescindível crise política Brasileira, além muitos outros fatores que não cabem nesse texto (até cabem, mas ninguém leria), é resultado da política neo-desenvolvimentista do Partido dos Trabalhadores. Eu tenho uma analogia pra explicar o governo Lula-Dilma para meus amigos aqui em Hong Kong: o PT é como se fosse um saquinho de leite com dois furos de tamanhos distintos de cada lado.

Lembra quando a sua avó comprava aquele saquinho de leite no supermercado e, genialmente, fazia dois furos no saquinho: um grande, por onde sairia o leite e um pequeno do outro lado, em que entraria o ar para que o conteúdo da humilde embalagem não se saísse em grandes “goles”? O dinheiro público e a maquina pública em geral são o leite, o PT é a sua avó fazendo os dois buracos. O grande buraco serve aos mais ricos. Grandes licitações, concessões, PPP, taxa de juros estratosférica, umas alianças meio suspeitas e a continuidade do jogo que qualquer outro governo jogou com o capital financeiro.

Porém, a diferença da vovó PT é que ela teve a inteligência de fazer um furo menor. A diferença aqui é que nesse furo menor também sai um pouco de leite. Com Bolsa-Familia, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, ProUni, Pronatec, Ciencia sem Fronteiras e por aí vai. Programas essenciais para o crescimento econômico do Brasil de 2002–2012. Mas assim como a nonna fazia com o saquinho de leite, o furo menor até tinha um intuito social, mas na real que no final das contas era só pra deixar o grande derrame de dinheiro mais eficaz para o mercado financeiro.

A queda do PIB é inversamente proporcional ao aumento da taxa de juros. Politica de Austeridade in a nutshell

O mais controverso é ver que o mesmo PT que prossegue com o sistema de alianças que, aqui abrindo espaço para emitir minha opinião de forma explicita, eu sempre achei interessante para a população mais pobre, agora chama de golpe quando o PMDB vira as costas. Eu não concordo com o uso de termo “golpe”, a não ser por uma questão emblemática. Fora isso, o que acontece com a Dilma hoje é um resultado de dois fatores: de um conluio das cobras que o partido decidiu se cercar e da análise prepotente que decidiram fazer desde 2010. As políticas econômicas do governo Lula tem que levar todo o mérito possível, mas também não podemos nos esquecer que de 2002–2012 foi o período em que a China mais comprou matéria prima de nós. Essa ajudinha foi essencial. Analisando as contas, qualquer um poderia ver que a festa tava acabando, mas o governo foi aquele tio bêbado que não consegue entender que é hora de parar de comer e ir embora. Se o lado econômico está bom, o lado político provavelmente estará com você também. Se você viu as contas desandar, é hora de trocar a estratégia.

O Partido dos Trabalhadores preferiu adotar uma proposta que seus próprios militantes odeiam: Nem de esquerda, nem de direita. Apoiou pra presidência da Câmara dos Deputados um candidato próprio que todos sabiam que não tinha chance de ganhar. Decidiu investigar a fundo os problemas de corrupção no Brasil achando que isso não traria consequências sócio-políticas. Viu grandes desembarques políticos sem mover uma palha. Mas ao mesmo tempo não jogou com os sindicatos, movimentos estudantis, pastorais e de minorias, não fez a reforma política nem a democratização da mídia. E o pior, não temia o Temer. O leite acabou e não adianta chorar pelo leite derramado, porque os dois lados estão sedentos por mais.

Parafraseando Vicente Matheus: A democracia é invendável, insubstituível e imprestável.

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